Bocage



Nasceu a 15 Setembro 1765
(Setúbal)

Morreu a 21 Dezembro 1805
(Lisboa)

Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage foi um poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.
Poeta português natural de Setúbal, de ascendência francesa por parte da mãe. A sua vocação foi incentivada pelo ambiente familiar. Madame Fiquet du Bocage, uma tia-avó do poeta, era uma poetisa ilustre na época e traduzira o poeta suíço pré-romântico Gessner. O próprio pai de Bocage lia o pré-romântico inglês Young e cultivava a poesia nas horas vagas. Igualmente o marcou, como ele próprio o sublinhou, a morte da mãe aos dez anos de idade («Aos dois lustros a morte devorante/me roubou, terna mãe, teu doce agrado»). Frequentou a Academia Real dos Guarda-Marinhas, para onde entrou em 1783, entregando-se, mais do que aos estudos, à boémia literária da Lisboa da época, frequentando botequins, sobretudo o Nicola, do Rossio, ao qual o seu nome ficou para sempre ligado, como famoso improvisador de versos. Embarcou para Goa (1786) e serviu na guarnição de Damão (1789). Mais tarde, desertou, embarcando para Macau, e daí regressou a Lisboa em 1790, ano em que foi fundada a Nova Arcádia, na qual ingressou, adoptando o nome poético de Elmano Sadino. Dela foi expulso, em 1794, devido ao seu espírito independente, sarcástico e indisciplinado. Inquieto e atraído pela vida boémia, foi preso a 10 de Agosto de 1797, acusado de ideias contra a ordem social, expressas na «Epístola a Marília», texto anti-religioso, e no soneto dedicado a Napoleão, símbolo do ideal revolucionário da época. Julgado, apesar de tudo, com alguma benevolência, por «erro contra a religião», a Inquisição ordenou que o preso fosse «doutrinado». Obrigado, por sentença, a recolher ao Hospício das Necessidades, aí se dedicou ao estudo e à tradução de várias obras, entre as quais as Metamorfoses, de Ovídio. Saiu em liberdade em 1799, convertendo-se a uma vida mais regrada em casa da irmã, Maria Francisca, que sustentou com trabalhos de tradução. Marcado pelas atribulações do seu percurso, a sua vida terminou precocemente e com um doloroso arrependimento, patente nos seus últimos poemas. Bocage é um poeta pré-romântico em que o arcadismo ainda está bem presente. Dos seus poemas irradia o angustiado sentido da existência e do aniquilamento, expresso em oposições dramáticas (o amor, céu e inferno, a morte, horror e libertação) e o gosto pelo macabro, em simultâneo com o convencionalismo arcádico das alegorias. De entre as formas poéticas que cultivou destaca-se o soneto. Muitas vezes evocando o paralelismo entre a sua vida e a de Camões, morreu aos 40 anos, em Lisboa, deixando publicadas, em três volumes, Rimas (1791, 1799 e 1804), completadas com a publicação póstuma de novos volumes e obras sobre a sua criação poética (Poesia de Manuel Maria de Barbosa du Bocage, de Inocêncio da Silva, 1853, e Obras Poéticas de Bocage, de Teófilo Braga, 1875)