D. Dinis



Rei português. Nascido em Santarém, filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela, casou em 1282 com Isabel de Aragão, também conhecida como «Rainha Santa». D. Dinis subiu ao trono em 1279, quando da morte de seu pai. Tentando revitalizar a vida económica do reino, procurou reorganizar a administração interna, elaborando todo um conjunto de leis baseadas na realidade política, económica e social do país, combinadas sempre com uma forte actuação humana. Normalizou as relações com Castela, estabelecendo-se entre os dois monarcas (D. Dinis e D. Fernando IV de Castela) o Tratado de Alcanizes (1297), que procurava fixar a nossa fronteira de leste com a incorporação das praças alentejanas junto ao Guadiana. D. Dinis ficou conhecido como «O Lavrador», devido a uma série de medidas que tomou com vista à protecção da agricultura, da pesca e do comércio, orientadas para o desenvolvimento das várias regiões. Procurou ainda, através das inquirições, evitar as crescentes e abusivas usurpações sobre o património régio. A actividade piscatória e salineira registou igualmente um grande incremento durante o seu reinado, com a fundação de numerosas póvoas marítimas e a promoção da construção naval. O monarca português nacionalizou ainda as ordens militares, criando em 1315 a ordem de Cristo, destinada a manter a cruzada religiosa contra os infiéis, cuja fundação viria a ser confirmada pela bula papal de Março de 1319 Ad ea ex quibus. Esta nova ordem militar viria a ter uma enorme projecção no reino, sobretudo na expansão ultramarina dos séculos XV e XVI. O final do reinado de D. Dinis foi marcado por violentas guerras familiares, primeiro com o seu irmão (D. Afonso) e depois com o seu filho herdeiro (D. Afonso IV) e o seu filho bastardo (D. Afonso Sanches). Nestas guerras sobressaiu a figura da rainha D. Isabel, que contribuiu, decisivamente, como medianeira em várias diligências, para restabelecer a paz entre pai e filho. A D. Dinis se deve a fundação do Estudo Geral Português, em Lisboa (1290), onde se leccionavam artes, cânones, leis, medicina e teologia, e que constitui o primeiro núcleo de estudos universitários em Portugal. Durante o seu reinado, os documentos oficiais passaram a ser escritos no nosso idioma, e o monarca ordenou ainda a tradução para português de obras de renome como as Sete Partidas (conjunto de leis de Afonso, o Sábio) e a Crónica do Mouro Rásis. D. Dinis ficou conhecido como rei letrado devido às suas composições poéticas, com as quais contribuiu para a escola trovadoresca da lírica galego-portuguesa. A sua corte, tal como a do avô, Afonso X de Castela, foi um importante foco literário, acolhendo o rei vários trovadores da época. São da sua autoria 72 cantigas de amor, 51 de amigo, dez cantigas de escárnio e maldizer, três pastorelas e uma sátira literária. A sua poesia revela uma ligação directa aos modelos provençais, afirmada pelo próprio rei, que chegou mesmo a tecer comentários sobre as suas convenções poéticas. Também certos motivos são importados directamente da tradição e dos modelos occitânicos. A poesia de D. Dinis é notável pela sua delicadeza e subtileza, por um humor leve, com que aborda alguns motivos, e pelo refinamento estilístico. Entre os seus textos mais célebres, contam-se as Flores do verde pino e a sátira Proençais soen mui ben trovar