Rosy Feros

Rosy Feros

Rosy Feros é uma poetisa cujo trabalho explora as profundezas da experiência humana com uma linguagem que oscila entre a delicadeza e a força expressiva. A sua poesia aborda frequentemente temas universais como o amor, a passagem do tempo e a busca por sentido, utilizando imagens evocativas e uma musicalidade intrínseca para criar um diálogo íntimo com o leitor. A sua obra é marcada por uma sensibilidade apurada e por uma reflexão constante sobre a condição humana e as suas complexidades.

n. , São Paulo

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Dedos do silêncio

Vem...
     Me toma à beira da noite,
     caminha por mim
     com seus passos molhados,
     despeja seu rio no meu cálice
     – pois minha emoção é só água.

Vem...
     Que eu lhe dou um trago
     deste meu vinho guardado,
     destas minhas uvas
     frescas de inverno...
     Que eu derramo em gotas meu perfume
     pelos quatro cantos do seu corpo,
     vestindo sua pele com a camurça
     da nudez e do silêncio.

Vem...
     Deita e me canta,
     sente meu desejo
     se esgueirando pelos seus dedos,
     veleja sem bússola
     pelos meus sentidos,
     me olha como quem pede lua...

     Deixa eu sussurrar minhas folhas,
     soprar minhas pétalas
     pelo seu peito de relva,
     pelo seu solo macio.
     Vem... Não volta,
     esquece a hora morta
     do cotidiano de sempre.
     Me toca feito música
     e deixa eu cantar meu bolero
     pelas suas curvas de carne...

     Sinto-me inocência
     passeando por suas alturas,
     por seus andares cheios
     da mais noturna noite densa.

     Desvenda essa face molhada
     e me mostra a sua vertente original
     de emoção-fêmea pura...
     Que eu o espero na branca paz
     do meu ventre adormecido,
     dos meus braços plenos
     de fogueiras e cantigas.

Vem...
     Que eu desfolho
     toda essa sua vontade nua,
     que eu desperto
     todo esse seu lado cigano...
     pois o meu leite é morno
     e é rosa franca meu sorriso.
     Deixa seu barco
     navegar pelo meu leito,
     que eu carrego no peito a ânsia
     de hastear a bandeira do infinito...

Vem...
     Deita... Me namora...
     Me afoga no espelho de luz
     dessa madrugada afora,
     me diz que no nosso tempo
     não há tempo nem hora,
     que eu não agüento
     a flor do sexo que arde
     nas entranhas de mim...

     Deixa que eu amanheça
     na espuma dessa sua onda quente,
     deixa sua emoção fluir
     da garganta num repente...
     Que eu carrego nos olhos de relento
     a voz que lhe pede a terra
     e que lhe entrega o mar.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Rosy Feros é uma poetisa portuguesa. A sua obra poética destaca-se pela exploração de temas como o amor, a fugacidade do tempo, a natureza e a busca pela identidade. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem lírica e imagética, capaz de evocar sensações e emoções profundas.

Infância e formação

Informações sobre a infância e formação de Rosy Feros não estão amplamente documentadas em fontes públicas, sendo estes aspetos menos explorados da sua biografia. Sabe-se, no entanto, que a sua sensibilidade poética se desenvolveu ao longo do tempo, influenciada por leituras e por uma profunda observação do mundo ao seu redor.

Percurso literário

O percurso literário de Rosy Feros iniciou-se com a publicação dos seus poemas, que gradualmente ganharam reconhecimento no meio literário. A sua obra evoluiu no que diz respeito à maturidade temática e estilística, mantendo, contudo, uma linha de continuidade na sua abordagem lírica e introspectiva. Colaborou em diversas publicações, divulgando a sua voz poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Rosy Feros inclui títulos que refletem a sua exploração de temas como o amor, a melancolia, a natureza e a efemeridade da vida. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, com um uso expressivo de metáforas e de recursos rítmicos que conferem musicalidade aos seus versos. A voz poética tende a ser confessional e lírica, convidando à introspeção. A sua poesia dialoga com a tradição lírica, mas com uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rosy Feros insere-se no panorama literário contemporâneo português. A sua obra, embora pessoal, reflete preocupações e sensibilidades comuns à sua geração e ao contexto social e cultural em que se desenvolveu, marcado por rápidas transformações e por uma crescente complexidade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Rosy Feros são escassos em fontes públicas, privilegiando-se a divulgação do seu trabalho poético. O seu envolvimento com a poesia parece ser o aspeto central da sua expressão pública, com a obra a refletir uma interioridade rica e observadora.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Rosy Feros no meio literário tem vindo a crescer com a publicação e divulgação da sua obra. A sua poesia é apreciada pela sua profundidade lírica e pela qualidade estética, conquistando um nicho de leitores atentos à sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências diretas não sejam explicitamente detalhadas, o legado de Rosy Feros reside na sua contribuição para a poesia contemporânea portuguesa, com uma voz autêntica que explora as nuances da alma humana e a beleza da linguagem poética.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Rosy Feros convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração das emoções humanas, na relação do indivíduo com o tempo e com o mundo. A sua poesia pode ser analisada sob a perspetiva da lírica moderna, com um foco na subjetividade e na experiência interior.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua vida pessoal e do seu processo criativo não são amplamente divulgados, mantendo-se um certo mistério em torno da figura da autora, o que, por vezes, pode acentuar a projeção do leitor na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos públicos sobre a morte de Rosy Feros, sugerindo que possa estar viva ou que a sua obra se concentra nos aspetos criativos, sem grande divulgação de detalhes biográficos sobre a sua fase final.

Poemas

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Dedos do silêncio

Vem...
     Me toma à beira da noite,
     caminha por mim
     com seus passos molhados,
     despeja seu rio no meu cálice
     – pois minha emoção é só água.

Vem...
     Que eu lhe dou um trago
     deste meu vinho guardado,
     destas minhas uvas
     frescas de inverno...
     Que eu derramo em gotas meu perfume
     pelos quatro cantos do seu corpo,
     vestindo sua pele com a camurça
     da nudez e do silêncio.

Vem...
     Deita e me canta,
     sente meu desejo
     se esgueirando pelos seus dedos,
     veleja sem bússola
     pelos meus sentidos,
     me olha como quem pede lua...

     Deixa eu sussurrar minhas folhas,
     soprar minhas pétalas
     pelo seu peito de relva,
     pelo seu solo macio.
     Vem... Não volta,
     esquece a hora morta
     do cotidiano de sempre.
     Me toca feito música
     e deixa eu cantar meu bolero
     pelas suas curvas de carne...

     Sinto-me inocência
     passeando por suas alturas,
     por seus andares cheios
     da mais noturna noite densa.

     Desvenda essa face molhada
     e me mostra a sua vertente original
     de emoção-fêmea pura...
     Que eu o espero na branca paz
     do meu ventre adormecido,
     dos meus braços plenos
     de fogueiras e cantigas.

Vem...
     Que eu desfolho
     toda essa sua vontade nua,
     que eu desperto
     todo esse seu lado cigano...
     pois o meu leite é morno
     e é rosa franca meu sorriso.
     Deixa seu barco
     navegar pelo meu leito,
     que eu carrego no peito a ânsia
     de hastear a bandeira do infinito...

Vem...
     Deita... Me namora...
     Me afoga no espelho de luz
     dessa madrugada afora,
     me diz que no nosso tempo
     não há tempo nem hora,
     que eu não agüento
     a flor do sexo que arde
     nas entranhas de mim...

     Deixa que eu amanheça
     na espuma dessa sua onda quente,
     deixa sua emoção fluir
     da garganta num repente...
     Que eu carrego nos olhos de relento
     a voz que lhe pede a terra
     e que lhe entrega o mar.

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