

Manoel de Barros
Manoel de Barros foi um poeta brasileiro cujos versos exploraram a infância, a natureza e o cotidiano com uma linguagem singular e inventiva. Sua obra é marcada por uma profunda sensibilidade para com o mundo rural e os elementos simples da vida, que ele elevava a um patamar lírico e filosófico. A capacidade de reinventar a palavra e de criar imagens surpreendentes a partir do banal o tornou um dos nomes mais queridos e originais da poesia brasileira contemporânea.
1916-12-19 Cuiabá
2014-11-13 Campo Grande
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Bernardo é quase uma árvore
Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho;
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
Fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
Incompletude?)
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho;
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
Fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
Incompletude?)
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