Lista de Poemas

SAY, LAD

Tens que fazer, meu rapaz?
Não tardes, que o tempo foge.
O trabalho a dois se faz?
Aqui me tens para hoje.

Manda por mim, que eu hei-de ir.
Por mim chama, que ouvirei.
Usa-me antes de eu partir
Pra onde não prestarei.

Antes que a carne envelheça,
E morta seja a vontade.
E o lábio já nem estremeça
Dizendo: - Rapaz, é tarde.

1 222

IF TRUTH IN HEARTS

Se o vero em peitos mortais
Movesse os altos poderes,
O grande amor que te tenho
Não deixara tu morreres.

Sim: que se um firme sentido
Um pensar puro salvara,
Podia o mundo acabar,
Que a ti ninguém enterrara.

Este longo e fundo querer
Tal desejo de agradar-te
- Ai para sempre vivias,
Se pudesse isto salvar-te.

Mas porque nada é assim,
Sê gentil ainda comigo,
Antes que partas pra onde
Não terás melhor amigo.

927

WITH RUE MY HEART

De mágoa o coração me pesa
Por áureos amigos que tive,
Donzelas de lábios rosados
E moços ligeiros e esbeltos.

De rios que um salto não vence
Os moços repousam nas margens;
E estão dormindo as donzelas
Em campos que às rosas descoram.

996

EPITÁFIO PARA UM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS

Estes, no dia em qual o céu tombava,
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.

Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.

1 404

SHOT? SO QUICK

Um tiro? Um fim asseado?
Fizeste bem em buscá-lo.
Eras um caso arrumado:
Melhor a morte guardá-lo.

Razoável tu pensaste,
Soubeste que ias à viola;
E muito a tempo encostaste
À tua fronte a pistola.

Antes que tarde já fosse
Em humilhações e desgraça,
O teu traidor acabou-se
Que nascera de má raça.

O futuro adivinhaste,
E ao teu pântano fugiste,
Se o pó, meu filho, ganhaste,
ainda há pior, que previste.

Não-alma que as almas suga,
Essa história é bem sabida.
Aos outros poupaste a fuga.
Foi de homem teu fim de vida

Os estranhos e os amigos
Com inveja passam cá:
Sem desonra e sem perigos
Sem culpas, teu ser está.

Repousa-te em paz serena.
Coroa é só esta a que eu traga:
Guardá-la não vale a pena
Mas, se usada, não se apaga.

995

THE FAIRIES BREAK

As fadas param a dança,
Dos prados somem agora.
E já do Oriente se avança
A nau de prata da aurora.

Velas queimam castiçais.
Começa o dia a espreitar.
E o bolso apalpa o rapaz:
Será que tem de pagar?

1 059

FAREWELL TO A NAME

Adeus a um número e um nome
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.

Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.

Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.

1 224

THEY SAY MY VERSE

Dizem: meu verso é triste: não admira.
Abarca a estreita medida
Tristes lágrimas de ira:
Não minhas: da vida.

Isto se escreve para os não-nascidos.
Gerados em vão,
Lerem quando se virem consumidos,
E eu não.

1 039

IN THE MORNING

De manhã, pela manhã,
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.

Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.

1 404

THE SIGTH THAT HEAVES

O suspiro que erva ondula
Onde jamais te hás-de erguer,
É só do ar que ali passa
Sem de suspiros saber.

As lágrimas de diamante
Que adornam teu leito ali
São por certo da manhã -
Que chora, mas não por ti.

1 061

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Alfred Edward Housman, mais conhecido como A. E. Housman, foi um poeta e académico inglês. Nasceu em Bromsgrove, Worcestershire, e faleceu em Cambridge. Foi professor de Latim em universidades de renome, como o University College London e a Universidade de Cambridge. Escreveu em inglês.

Infância e formação

Housman teve uma infância marcada por uma relação distante com o pai e pela morte precoce da mãe. Esta experiência pode ter contribuído para o tom melancólico que viria a caracterizar a sua poesia. Frequentou a Bromsgrove School e, posteriormente, o St. John's College, Cambridge, onde estudou Letras Clássicas. Embora se destacasse academicamente, a sua experiência universitária foi tumultuada e marcada por um período de depressão e desilusão com a vida académica, levando-o a reprovar nos exames finais. Esta experiência de fracasso académico é um tema recorrente em sua obra.

Percurso literário

O percurso literário de Housman começou a ganhar destaque com a publicação de "A Shropshire Lad" (1896), um livro de poemas que, embora inicialmente ignorado, ganhou popularidade com o passar do tempo, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial, pela sua evocação da juventude perdida e da bravura diante da morte. Publicou outras coletâneas significativas, como "Last Poems" (1922) e "More Poems" (1936). A sua produção poética não foi extensa, mas foi intensamente trabalhada em termos de forma e estilo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra poética de Housman é caracterizada pela sua concisão, rigor formal e um pessimismo elegíaco marcante. Os temas dominantes incluem a juventude e a sua efemeridade, a beleza que se esvai com o tempo, a inevitabilidade da morte, o desapontamento amoroso e a desilusão com as aspirações humanas. A sua poesia é frequentemente associada à paisagem bucólica da região de Shropshire, que se torna um cenário para reflexões existenciais. Em termos de forma, Housman é um mestre do verso tradicional. Utiliza com frequência formas fixas, como o soneto, e um metro regular, com uma musicalidade cativante. Os seus recursos poéticos incluem metáforas simples mas poderosas, e um tom confessional, embora com uma voz que transcende o pessoal para alcançar o universal na experiência humana. A sua linguagem é clara, direta e despojada de excessos ornamentais, contrastando com a densidade emocional que os seus versos carregam. O estilo de Housman é inconfundível: uma melancolia controlada, uma elegância sombria e uma aceitação resignada do destino. Embora associado a uma certa tradição literária, o seu pessimismo contido e a sua visão desencantada do mundo conferem-lhe uma modernidade singular.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Housman viveu um período de grandes mudanças e tensões na Europa, incluindo o final da Era Vitoriana e o início do século XX, marcado por guerras e transformações sociais. A sua poesia, contudo, tende a evocar um tempo mais idílico e rural, contrastando com a turbulência da época. A sua voz poética, marcada pela desilusão e pela finitude da vida, ressoou particularmente num contexto de guerra e perda. Pertenceu, em termos gerais, à esfera literária do final do Romantismo e início do Modernismo, mas com um estilo distintamente clássico.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Housman foi marcada por uma natureza reservada e um certo distanciamento social. A sua longa carreira académica no campo das Letras Clássicas (foi um estudioso renomado de poetas como Horácio e Lucrécio) contrastava com a intensidade emocional da sua poesia. Manteve uma relação próxima e duradoura com o seu irmão Laurence Housman, também escritor e artista. O seu amor não correspondido, que pode ter sido uma fonte de inspiração para muitos dos seus poemas mais melancólicos, é um aspeto frequentemente debatido.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Inicialmente subestimado, Housman ganhou um reconhecimento considerável ao longo da sua vida, especialmente pela sua coleção "A Shropshire Lad". A sua poesia tornou-se popular pela sua acessibilidade, beleza melódica e ressonância temática. Recebeu distinções académicas e honras, incluindo o título de Professor Poeta Laureado da Universidade de Cambridge. A sua obra é apreciada tanto pelo público geral quanto pela crítica literária pela sua mestria técnica e profundidade emocional.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências mais fortes em Housman vieram dos poetas clássicos greco-latinos, como Horácio, Catulo e Virgílio, cujas obras estudou profundamente. O seu estilo conciso e a sua melancolia influenciaram poetas como W. H. Auden e Philip Larkin. O seu legado reside na sua capacidade de transmitir emoções profundas através de uma forma poética impecável, tornando-se um dos poetas líricos mais estimados da língua inglesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Housman é frequentemente interpretada como uma expressão do "carpe diem" sombrio, uma celebração da beleza efêmera da juventude e uma aceitação resignada da morte. O seu pessimismo é visto não como desespero, mas como uma forma de realismo filosófico, onde a beleza da vida é acentuada pela sua finitude. As suas obras são estudadas pela sua complexidade temática sob uma aparente simplicidade formal.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Housman era conhecido pelo seu temperamento irascível e pelo seu humor mordaz, algo que contrasta com a melancolia lírica da sua poesia. O seu famoso "Ode to a Good Companion" revela um lado mais otimista, dedicado à amizade.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Alfred Edward Housman faleceu em Cambridge. A sua obra continua a ser amplamente lida e estudada, assegurando a sua memória como um dos grandes poetas líricos ingleses do século XX.