Alípio Ferreira
1934–1995
· viveu 61 anos
PT
n. 1934, Alfândega da Fé · m. 1995, Alfândega da Fé
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Biografia
Jornalista e ficcionista. Emigrou para Moçambique nos anos cinquenta, completando na cidade da Beira o ensino secundário. Trabalhou em diversas actividades. Em 1969 mudou-se para Lourenço Marques (hoje Maputo) e em 1974 matriculou-se em Direito na Universidade Eduardo Mondlane, onde obteria o bacharelato. Data dessa época a sua ligação ao jornalismo como colaborador do Diário, do Notícias (ambos de Lourenço Marques) e do Notícias da Beira. Em 1978 regressou a Portugal e ingressou na redacção do Jornal de Notícias, do Porto, onde, no início dos anos oitenta, esteve envolvido num processo reivindicativo que levaria ao seu despedimento. Efectuou então uma greve da fome à porta do diário portuense, que culminou com a sua reintegração. Em 1992 deixou o Jornal de Notícias e regressou a Alfândega da Fé como redactor-principal do quinzenário Terra Quente. Morreu de doença súbita, vivendo só, em Novembro de 1995. O homem solidário e de firmes princípios revelou-se também numa prática jornalística exigente. Em 1991 publicou o livro Chipangara, poemas e contos, com sugestivos desenhos de João Mota e dedicado «Aos moçambicanos – meus irmãos». Obra contida e tensa, é um quadro vigoroso dos anos sessenta e do fim do colonialismo português em Moçambique. O poeta António Cabral escreveu que Chipangara é o testemunho de «sonhos dilacerados» e do «desabrochar de uma juventude que procura ansiosamente um caminho». Em 1995 Chipangara foi seleccionado na Universidade de Paris III para um estudo que visa o inventário das particularidades do português literário em Moçambique, feito a partir de uma pesquisa «junto dos próprios produtores de texto» e não de «especialistas», como salientou o investigador Michel Laban.
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