Lista de Poemas

Paz

Onde encontro a paz? ...
Pergunto-me a todo instante.
Procurei-a há tempos idos
Num lugarejo distante...
Procurei-a num largo anfiteatro
E ainda não achei...
Procurei-a, desta vez, num circo
E também não encontrei...
Então pensei: Está no lar!...
Mas também lá não estava.
E pus-me novamente a buscá-la
Nos canteiros floridos, no pôr-do-sol,
Em todas as maravilhas do Universo
E nada consegui encontrar...
Um dia, embaraçada com tanta busca,
Perdi-me dentro de mim
E... Qual não foi a minha surpresa!
Lá estava ela...
A sorrir.

5 305

Saudade

Estou aqui
À sua espera
Como sempre, como antes,
Como amanhã...

Estou aqui,
Só,
Mas acompanhada
De tristeza, solidão,
Desesperança...

Estou aqui
E você não está...
Não tenho vida,
Falta-me ar,
Sinto-me perdida
Na lassitude dos meus
Pensamentos.

Estou aqui
E não me encontro,
Pois uma parte de mim
Dissolveu-se
Quando você partiu...

Estou aqui,
Sem alma,
Carente do seu amor...
De você!

Estou aqui
Entre quatro paredes
Perversas, solitárias
E frias...
Estou aqui
Com a sua lembrança,
Vivenciando a sua ausência
Que representa lágrimas
No meu coração ...

Estou aqui,
Chorando,
Onde antes sorri...

Estou aqui,
Sofrendo,
Onde ontem fui feliz!

Estou aqui...
(Ah, estou aqui!)
À sua espera
Como antes, como sempre,
Como amanhã...

Estou aqui
Na ânsia de vê-lo chegar
Cantado, alegre,
Revoltado
(ou mesmo apaixonado!)
E ouvi-lo dizer:
- "Estou aqui!"

2 683

Desejo

Quando a luz do teu olhar
Perpassa sobre o meu corpo
Nu...
Quando os teus dedos longos
Acariciam a minha pele
Envolvendo-me
Num sentimento rico,
Infinito...
Quando os teus músculos
Contraem-se sob mim,
Elevando-me às estrelas,
À lua, ao prazer...
Quando sorvo o teu sêmen
Doce
Entre carícias e afagos...
Sinto que te amo!

Enlouqueço ao pensar
Que vais partir
Levando contigo
Toda a beleza do teu corpo,
Da tua alma.

Sinto que te amo
E tenho ganas de gritar,
Ao mundo,
Todo o meu amor,
Entregando-te a minha vida
Para suprir a tua
Nas carências do teu coração.

Desejo o teu calor
Abrasante,
Queimando as minhas mucosas
E ardendo-me de prazer ...
Desejo a tua voz,
O teu sorriso,
O teu amor...
Desejo você,
TODO,
Sem mistérios, sem afrontas,
Simplesmente...

Quero envolver-te em meus braços
Fazer-te líquido
Na solidez dos meus carinhos,
Sorver-te por inteiro
E saborear o teu gozo
Sedenta de amor.

2 059

Felicidade

Os meus lábios estão trêmulos,
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.

2 290

A Minha Rosa

Passeando em meu jardim,
Encontrei uma rosa ...
Ela vinha, sem muito jeito
Machucando-se em seus próprios espinhos
E exalando um cheiro de luar!
Procurei dentre as suas pétalas
O testemunho da sua sinceridade.
E respirei o perfume cálido
A extravazar a alma da sua beleza.
Cativou-me o seu sorriso melancólico,
A sua tristeza inerte e absorta...
E aproximei-me mais e mais da sua consciência...
Quando nos tornamos uma
Fiquei sabendo quem era a minha rosa.
A minha rosa, essa rosa triste
Que coloriu os meus pensamentos...
A minha rosa que, em definitivo,
Arrastou minha vida para o seu destino...
A minha rosa, essa rosa triste
Era o Adeus! ...
A minha última cartada.

2 095

Você é Isso

Um clarão que desponta
Nas trevas do coração ...
Um elo transparente
Das carícias à ilusão...
Um afeto que surge
E fortalece a união,
Sempre pronto para ser,
Poder estar, viver
Pleno de amor
E amargura no coração.
Um ser que busca
A cidade
Da alma do amigo,
Que escorrega no seu pranto
E abafa o seu grito ...
Alguém que aceita a dor
Como um lenitivo
Nas luzes enegrecidas
Pelo fumo do inimigo ...
A fuga discordante
De um momento de paz
Quando chora o amor
Que tanta falta lhe faz.
Você é isso
Que eu encaro, reparo
E aceito
Como um amigo que tenho
No peito
Junto à liberdade
De ser quem sou.

2 087

Descobertas

Hoje
Atravessei a porta da minha consciência
E percebi quão tristes e voluntariosas
São as minhas concepções de saudade.
Reencontrei,
Na chama da sua lembrança,
A força e vida de um sentimento
Arguto, permanente e ocioso
Que se alimenta da solidão do meu ego.
Forte,
Busquei a cura,
A vacina para este mal.
Adensei os meus valores,
Corrigindo sensações e avaliando
Respostas...
Fraca,
Desci a estrada do inconformismo
Por não poder trazê-lo à eternidade
E a solidão se fez mais forte
Rasgando as minhas defesas,
Fazendo-se imune à reação do meu espírito.
Hoje
Atravessei a porta da minha consciência
E percebi quão insólito e inescrupuloso
É o amor que sinto por você.

1 818

Uma Simples Homenagem

Todos pensam que é fácil ser poeta
Fazer das lágrimas, versos
E acumulá-los de amor.
Mas existem os que lutam
Não só por si e por suas criações,
Como pelo engrandecimento dos valores ocultos...
Os que veem e ajudam a crescer beleza,
Em si e na humanidade...
Os que tentam, com os seus poemas,
Desobstruir os caminhos da vida
Deixando desfilar os seus versos
No corredor do coração do mundo.
Dentre estes, Soares Feitosa:
O singular "mensageiro do amor".

2 209

Percepção

Hoje eu me sinto
Contente, preciosa, perfeita...
Forte como a rocha
Perante o vento que a açoita.

Hoje eu me sinto
Luminosa, terna e linda
Como o arco-íris que desponta,
Repleta de sensações místicas,
Acenando ao mundo toda a emoção
Dos meus limites desfeitos,
Da minha própria imensidão...

Hoje eu me sinto
O ser vivente mais importante,
Um caráter forte que rompe
As suas cadeias de obsessão,
Das correntes que o prendem
E respira profundo a libertação...

Hoje eu me sinto
De paz com o mundo inteiro.
Tenho vontade de abrir os braços
E acolher todos os indigentes,
Malfeitores, amigos ou indiferentes,
Com o mesmo calor humano...
Tentar mostrar a eles
O meu desejo insano
De fazer com que as classes
Humanas, sociais e animais
Juntem-se num só abraço
Numa confraternização de paz.

Hoje eu me sinto
Feliz
Por amor você!

1 925

Lembranças

Queria morrer
Em seus braços
Com o seu suor escorrendo
Pelo meu corpo...

Queria morrer
Ao seu lado
Com a sua vida animando
Os meus últimos suspiros...

Queria morrer
Amando
Pois assim não viveria
À espera da sua volta,
Sonhando com com o seu amor!

Queria morrer
Com a lembrança
Para não buscá-lo jamais!

Queria morrer
Enrodilhada
Em suas pernas,
Em seus braços,
E então não sofreria mais
Essa falta
Que você me faz.

Queria morrer
Feliz
E abandonar essa vida vazia...

Queria morrer
Assim
Já que não posso viver
Com você!

1 810

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Identificação e contexto básico

Amélia Rodrigues foi uma poetisa portuguesa, notável pela sua obra de caráter religioso e místico. Pseudónimos ou heterónimos não são associados à sua identidade. Nasceu e faleceu em Portugal. A sua vida e obra estão intrinsecamente ligadas à devoção a Nossa Senhora de Fátima, tornando-se uma voz proeminente na literatura religiosa portuguesa. A sua nacionalidade é portuguesa e a língua de escrita foi o português.

Infância e formação

Amélia Rodrigues nasceu numa família simples em Fátima, Portugal. A sua infância e juventude foram profundamente marcadas pelo ambiente de devoção religiosa da região, especialmente após as aparições de Nossa Senhora em 1917. A sua educação formal pode ter sido limitada, mas a sua formação espiritual foi intensa, influenciada pela fé católica, pelas tradições religiosas locais e pela sua própria experiência pessoal de fé. A sua relação com a espiritualidade moldou a sua visão de mundo e a sua produção literária.

Percurso literário

O percurso literário de Amélia Rodrigues começou como uma expressão espontânea da sua fé e devoção. A sua escrita é predominantemente poética e de natureza religiosa, com um foco especial na Virgem Maria e nas mensagens de Fátima. Ao longo do tempo, a sua obra ganhou reconhecimento, sendo publicada e divulgada em diversas antologias e publicações religiosas. A sua evolução literária é marcada pela constância da sua temática e pela profundidade da sua expressão espiritual.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Amélia Rodrigues é dominada por temas religiosos, misticismo e devoção a Nossa Senhora de Fátima. A sua poesia é frequentemente lírica e confessional, expressando uma fé ardente e uma busca pela união com o divino. Utiliza uma linguagem acessível, mas carregada de simbolismo religioso, com um tom de ternura, súplica e exaltação. A sua voz poética é marcadamente pessoal e devocional, transmitindo uma profunda espiritualidade. A sua escrita, embora de inspiração religiosa, alcançou um público amplo, tocando pela sua sinceridade e pela força da sua mensagem de esperança e fé.

Contexto cultural e histórico

Amélia Rodrigues viveu grande parte da sua vida num período em que Fátima se consolidava como um centro de peregrinação internacional e um símbolo da fé em Portugal. A sua obra insere-se no contexto religioso e cultural português do século XX, marcado por um forte sentimento católico. A sua devoção e a sua poesia refletem a importância da religião na vida de muitos portugueses e a relevância do fenómeno de Fátima.

Vida pessoal

Amélia Rodrigues foi uma mulher de fé profunda, cuja vida pessoal foi dedicada à sua devoção religiosa. A sua ligação com Fátima e com Nossa Senhora de Fátima foi o centro da sua existência e a principal fonte de inspiração para a sua obra. Embora os detalhes da sua vida pessoal sejam menos documentados em termos de relações familiares ou profissionais fora do âmbito religioso, a sua dedicação à fé é um aspeto central do seu perfil.

Reconhecimento e receção

A obra de Amélia Rodrigues obteve um reconhecimento significativo no âmbito religioso e entre os devotos de Nossa Senhora de Fátima. As suas poesias foram amplamente divulgadas e apreciadas pela sua capacidade de expressar a fé e a devoção de forma tocante. O seu reconhecimento advém, sobretudo, da sua contribuição para a literatura religiosa e da sua ligação com um dos mais importantes santuários marianos do mundo.

Influências e legado

A principal influência na obra de Amélia Rodrigues foi a sua fé e a devoção a Nossa Senhora de Fátima. O seu legado reside na sua contribuição para a literatura religiosa portuguesa, inspirando outros a expressarem a sua fé através da arte. A sua poesia continua a ser um testemunho da força da devoção e da esperança que emana da fé.

Interpretação e análise crítica

A obra de Amélia Rodrigues é interpretada primariamente através da lente da fé e da teologia. As suas poesias são vistas como expressões de devoção mariana, orações em verso e reflexões sobre a relação entre o ser humano e o divino. A análise crítica foca-se na pureza da sua fé, na simplicidade da sua linguagem e na sua capacidade de transmitir mensagens de esperança e consolo.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Amélia Rodrigues é frequentemente lembrada como a "poetisa de Fátima". A sua vida simples e dedicada à fé, em contraste com a universalidade das suas mensagens de devoção, pode ser considerada um aspeto interessante. A sua capacidade de canalizar a sua profunda espiritualidade para a criação poética é um testemunho da força da crença.

Morte e memória

Amélia Rodrigues faleceu em Portugal, deixando um legado literário e espiritual. A sua memória é perpetuada através da sua obra, que continua a ser lida e admirada por devotos e interessados na literatura religiosa, especialmente associada ao fenómeno de Fátima.