Ana Paula Ribeiro Tavares

Ana Paula Ribeiro Tavares

n. 1952 AO AO

Ana Paula Ribeiro Tavares é uma poeta e ensaísta portuguesa contemporânea. A sua obra poética é marcada pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas como a memória, a identidade e a passagem do tempo, frequentemente com um olhar introspectivo sobre a experiência humana. A sua escrita distingue-se pela musicalidade e pela precisão vocabular, aliando uma sensibilidade lírica a uma abordagem intelectualizada da linguagem.

n. 1952-10-30, Lubango

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November without water

Olha-me p'ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes do lixo.

Olha-me estas crianças transporte
animais de carga sobre os dias
percorrendo a cidade até aos bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Ana Paula Ribeiro Tavares é uma poeta e ensaísta portuguesa. A sua obra está associada à poesia contemporânea em língua portuguesa. O contexto histórico em que viveu e produziu obra abrange as últimas décadas do século XX e o início do século XXI, um período de profundas transformações sociais e culturais em Portugal e no mundo.

Infância e formação

(Informação não disponível publicamente de forma detalhada sobre a infância e formação específica de Ana Paula Ribeiro Tavares).

Percurso literário

O percurso literário de Ana Paula Ribeiro Tavares é marcado pela sua incursão no campo da poesia e do ensaio. A sua obra tem vindo a consolidar-se no panorama literário português, com publicações que evidenciam uma maturidade estilística e temática.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Ana Paula Ribeiro Tavares exploram frequentemente temas como a memória, a identidade, a fugacidade do tempo e a condição humana. O seu estilo poético é reconhecido pela sua musicalidade, pela precisão do vocabulário e pela densidade imagética. Utiliza recursos como a metáfora e o ritmo para criar uma atmosfera introspectiva e reflexiva. A sua voz poética tende a ser lírica e confessional, explorando a interioridade do indivíduo. A linguagem é cuidada e o estilo demonstra uma forte consciência da tradição poética, ao mesmo tempo que procura inovações formais e temáticas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A obra de Ana Paula Ribeiro Tavares insere-se no contexto da literatura portuguesa contemporânea, dialogando com as preocupações e as linguagens do seu tempo. Pode ser associada a uma geração de poetas que, após o Modernismo e o Pós-Modernismo, procuram novas formas de expressar a complexidade do real e da subjetividade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal (Informação sobre a vida pessoal de Ana Paula Ribeiro Tavares não é amplamente divulgada).

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção (Informação sobre prémios e distinções específicas não disponível publicamente).

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado (Informação sobre influências específicas e legado não disponível publicamente de forma detalhada).

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Ana Paula Ribeiro Tavares tem sido objeto de análise pela sua profundidade filosófica e existencial, explorando temas universais através de uma perspetiva pessoal e lírica. As suas reflexões sobre a memória e o tempo convidam a múltiplas leituras sobre a natureza da existência e da subjetividade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos (Informação não disponível publicamente).

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória (Ana Paula Ribeiro Tavares é uma autora contemporânea viva, pelo que não se aplica a secção de morte e memória).

Poemas

6

November without water

Olha-me p'ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes do lixo.

Olha-me estas crianças transporte
animais de carga sobre os dias
percorrendo a cidade até aos bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.
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Quantas coisas do amor

Quantas coisas do amor
P"ra ti guardei
Coisas simples como estar à espera
Manter o pão quente
Deixar o vinho abrir-se
Em mil sabores
Guardei-me das tentações
das sombras do desejo
das vozes
dos segredos

seria muito pedir-te
que me veles o sono
só mais uma vez.

2 259

Cerimónia de Passagem

"a zebra feiu-se na pedra
a pedra produziu lume"
a rapariga provou o sangue
o sangue deu fruto

a mulher semeou o campo
o campo amadureceu o vinho

o homem bebeu o vinho
o vinho cresceu o canto

o velho começou o círculo
o círculo fechou o princípio

"a zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume"
1 738

Rapariga

Cresce comigo o boi com que me vão trocar
Amarraram-me já às costas, a tábua Eylekessa

Filha de Tembo
organizo o milho

Trago nas pernas as pulseiras pesadas
Dos dias que passaram...
Sou do clã do boi -

Dos meus ancestrais ficou-me a paciência
O sono profundo de deserto.
A falta de limite...

Da mistura do boi e da árvore
a efervescencia
o desejo
a intranquilidade
a proximidade
do mar

Filha de Huco
Com a sua primeira esposa
Uma vaca sagrada,
concedeu-me
o favor das suas tetas úberes.

Luanda, 84

3 735

Cerimônia de Passagem

"a zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume"

a rapariga provou o sangue
o sangue deu fruto

a mulher semeou o campo
o campo amadureceu o vinho

o homem bebeu o vinho
o vinho cresceu o canto

o velho começou o círculo
o círculo fechou o princípio

"a zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume"

Luanda, 85

2 496

A Abóbora Menina

Tão gentil de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.

Benguela, 83

2 946

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