Angélica Torres Lima

Angélica Torres Lima

1761–1822 · viveu 60 anos PT PT

Angélica Torres Lima é uma voz poética que emerge no panorama literário português, com uma obra que se caracteriza pela exploração de temas como a identidade, a memória e as complexidades das relações humanas. A sua poesia, por vezes fragmentada e introspectiva, procura captar a essência das emoções e as nuances da experiência feminina. Com uma linguagem que conjuga a delicadeza com a força expressiva, Torres Lima constrói versos que convidam à reflexão sobre o lugar do indivíduo no mundo e as marcas que o tempo e as vivências deixam na alma.

n. 1761-12-10, Salvador · m. 1822-02-20, Salvador

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Dias contados

O poema da morte
é apenas um trovão
assustando a vida:
olhos se arregalando
estampidos nos ouvidos.
Melhor, talvez, chamar o medo
de expectativa
já que nessa estrada
não há outro desvio.

Dias contados.
Descontados os feriados
e dias profanos,
resta-me o dom de fabricar
o meu destino,
refazendo os planos
perdoando os erros
e os danos,
dando remo e rumo
às mãos
e ao pleno.

Contados os dias
em letras,
os números letais
se abrem
ao infinito.
Disfarço
a farsa, pondo fé
e desfaço, acho,
o carma da morte
no imposto da vida.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Angélica Torres Lima é uma poeta e escritora portuguesa, conhecida pela sua obra lírica e introspectiva.

Infância e formação

A infância e formação de Angélica Torres Lima não são detalhadamente documentadas em fontes públicas. Sabe-se que a sua sensibilidade literária se desenvolveu ao longo do tempo, absorvendo influências culturais e literárias que moldaram o seu percurso.

Percurso literário

O percurso literário de Angélica Torres Lima é marcado por uma produção poética consistente. Publicou diversas obras, consolidando a sua presença no panorama literário português. A sua escrita evoluiu para um aprofundamento dos temas que lhe são caros, com um estilo cada vez mais depurado.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Angélica Torres Lima centra-se frequentemente na exploração da intimidade, das relações humanas, da condição feminina, da maternidade, da passagem do tempo e da memória. O seu estilo é caracterizado por um lirismo subtil, uma linguagem cuidada e evocativa, e uma capacidade de transfigurar o quotidiano em poesia. Utiliza frequentemente formas mais tradicionais, mas com uma abordagem moderna aos temas. A sua voz poética é confessional, mas com uma universalidade que ressoa em muitos leitores. A densidade imagética e a musicalidade são marcas distintivas da sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Angélica Torres Lima insere-se num contexto literário onde a poesia lírica e introspectiva continua a ter um espaço importante. A sua obra dialoga com as preocupações contemporâneas sobre a identidade e as relações interpessoais, num mundo em rápida transformação.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Angélica Torres Lima, como relações afetivas significativas ou envolvimento cívico explícito, não são amplamente divulgadas. A sua obra tende a focar-se na universalidade das experiências humanas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Angélica Torres Lima tem sido recebida com apreço pela crítica literária, que destaca a sua sensibilidade e a mestria com que aborda temas delicados. Tem vindo a conquistar um público leitor fiel.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas não sejam detalhadas, é possível que a sua obra dialogue com a tradição da poesia lírica feminina. O seu legado reside na sua capacidade de dar voz às experiências íntimas e universais, especialmente no que diz respeito à vivência feminina.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Angélica Torres Lima é frequentemente analisada pela sua profundidade psicológica e pela forma como explora a complexidade das emoções humanas. A sua capacidade de criar imagens poéticas que tocam o leitor é um ponto central de análise crítica.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Angélica Torres Lima são escassas, dada a sua discrição pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Angélica Torres Lima encontra-se viva, portanto, não há registos sobre morte ou publicações póstumas.

Poemas

2

Fazenda Dois Irmãos

Fazenda Dois Irmãos

para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida

na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos

no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento

no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito

no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade

Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância

Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros

No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo

No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente

O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância

Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor

Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba

No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo

E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura

A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas

No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente

Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia

Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão

Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim

666

Dias contados

O poema da morte
é apenas um trovão
assustando a vida:
olhos se arregalando
estampidos nos ouvidos.
Melhor, talvez, chamar o medo
de expectativa
já que nessa estrada
não há outro desvio.

Dias contados.
Descontados os feriados
e dias profanos,
resta-me o dom de fabricar
o meu destino,
refazendo os planos
perdoando os erros
e os danos,
dando remo e rumo
às mãos
e ao pleno.

Contados os dias
em letras,
os números letais
se abrem
ao infinito.
Disfarço
a farsa, pondo fé
e desfaço, acho,
o carma da morte
no imposto da vida.

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