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Câmara Lima

Câmara Lima

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Biografia
Câmara Lima, jornalista-escritor teatral açoriano, usou o pseudónimo de J. David Airada. Fez estudos liceais em Angra do Heroísmo e aos 15 anos mudou-se para o continente, onde, durante trinta anos (1886-1916), foi oficial dos Correios e, até ao fim da vida, cronista na imprensa. Casou com D. Maria de Mesquita, da sociedade letrada terceirense e consanguínea do jornalista Alfredo de Mesquita e dos poetas Carlos e Roberto de Mesquita, de quem foi amigo. Sua filha Marta de Mesquita da Câmara também veio a dedicar-se ao jornalismo (em O Primeiro de Janeiro) e fez nome no meio literário portuense como poetisa. Professou ideias monárquicas e apoiou a ditadura de João Franco. Após a implantação da República, algumas das suas crónicas visaram a sociedade e os costumes políticos sob o novo regime, mas sem azedume. Aliás, os costumes (políticos, sociais, morais) foram geralmente o alvo principal da sua crítica, se bem que depois do consulado de Sidónio Pais tivesse dado por terminada a sua «última fase de jornalista militante». Foi, sobretudo, um humorista, quer nas suas crónicas na imprensa, quer nas comédias e revistas do ano, que escreveu só ou de parceria: um humorista cuja «escrita», no dizer de Antero de Figueiredo, «[poderia] entrar em Paços reais e em serões de família», tais as suas «bons maneiras literárias» e o «imperceptível cuidado que [punha] em não rir alto». Para o fim da vida, porém, o seu humor tornou-se mais céptico do que crítico. Em carta de 25-V-1898 para Justino de Montalvão, António Nobre refere-se a um «artigo longo e bizarro» de Câmara Lima a propósito da 2ª. edição do Só, no Jornal do Comércio de 5-V do mesmo ano.

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