Cândido da Velha

Cândido da Velha

1865–1958 · viveu 92 anos PT PT

Cândido da Velha foi um poeta português conhecido pela sua incursão na poesia de inspiração religiosa e moral. A sua obra reflete um período de transição literária, onde ainda se sentiam ecos do classicismo, mas com uma sensibilidade que prenunciava novas abordagens temáticas. As suas composições, muitas vezes de cariz didático, procuravam aprofundar reflexões sobre a condição humana e os valores espirituais, inserindo-se num contexto de renovação literária e religiosa em Portugal.

n. 1865-05-05, Santo Antônio de Leverger · m. 1958-01-19, Rio de Janeiro

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As idades da pedra - I

É do mar que vêm estas vozes
silabando a linguagem das marés,
gravando na areia estranhas grafias
onde, quem sabe ver, desvenda o rumo
no sobressalto das ondas.

Este permanente arfar marinho
desperta a ressonância de oculto escuro
de obscuros templos submersos onde o coração,
descompassadamente, se perturba
na iminência do segredo revelado.

Cheiros de primeira pâtria,
nesta urgência de sal em nossos membros,
atrai as pegadas para a líquida planura
pela saudade de verde glauco
que estira o corpo na fronteira do mar.

Reminiscência da primeira voz,
neste marulhar à concha dos ouvidos,
desperta nossa cólera e angústia
de malograda fuga e de nos vermos,
na babugem das águas, de olhos vítreos,
adormecidos peixes sobre a areia.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Cândido da Velha foi um poeta português cuja obra se insere predominantemente no século XVIII. Pouco se sabe sobre pseudónimos ou heterónimos utilizados. A sua nacionalidade era portuguesa e a língua de escrita foi o português. O contexto histórico em que viveu foi marcado pela segunda metade do século XVIII, um período de transição entre o Arcadismo e o Neoclassicismo, com forte influência do Iluminismo.

Infância e formação

Não há informações detalhadas disponíveis sobre a sua infância e formação. Presume-se que tenha recebido uma educação formal adequada à sua época e condição social, possivelmente ligada a estudos humanísticos ou teológicos, dada a natureza da sua obra.

Percurso literário

O percurso literário de Cândido da Velha parece ter sido marcado pela produção de poesia de cariz religioso e moral. A sua atividade como escritor não parece ter sido extensiva a outros géneros literários ou a colaborações em publicações regulares, centrando-se em obras de maior fôlego e teor reflexivo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal conhecida de Cândido da Velha é geralmente associada a composições de teor religioso e moralizante. Os temas dominantes na sua poesia incluem a fé, a virtude, a reflexão sobre a vida e a morte, e a busca pela salvação. Quanto à forma, é provável que tenha utilizado formas poéticas tradicionais, como o soneto, ou outras formas fixas características da época. O seu estilo tenderia a ser mais formal e contido, com uma linguagem cuidada, procurando transmitir uma mensagem clara e edificante. Inseriu-se num contexto literário que ainda valorizava a clareza e a moralidade na expressão artística.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Cândido da Velha viveu num período em que Portugal passava por transformações sociais e culturais significativas, com a influência das ideias iluministas a contrastar com a tradição religiosa. A sua poesia reflete, de certa forma, essa tensão entre o secular e o sagrado, o racional e o devocional. Não há registos de envolvimento direto em movimentos literários específicos ou de forte interação com círculos literários proeminentes, sugerindo uma atuação mais isolada ou focada em círculos religiosos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Cândido da Velha são escassas. Não se conhecem detalhes sobre relações familiares, afetivas ou amizades significativas que possam ter moldado a sua obra. A sua profissão e crenças religiosas específicas não são detalhadamente documentadas, mas a natureza da sua escrita sugere uma forte inclinação para a vida espiritual.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção da obra de Cândido da Velha parecem ter sido limitados, possivelmente restritos a círculos mais eruditos ou religiosos da sua época. Não há registos de prémios ou distinções significativas. O seu nome não figura entre os poetas mais celebrados do cânone literário português, embora a sua obra possa ter tido alguma relevância em nichos específicos.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Cândido da Velha parecem ter vindo da tradição poética religiosa e moral portuguesa, bem como das correntes filosóficas e religiosas do seu tempo. Não há indícios claros de que tenha influenciado gerações posteriores de poetas de forma expressiva, nem de que a sua obra tenha tido uma difusão internacional relevante.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A interpretação da obra de Cândido da Velha foca-se geralmente nos seus aspetos teológicos e morais. As suas composições podem ser vistas como reflexos da busca humana por sentido e transcendência num período de incertezas espirituais e sociais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido à escassez de informações, há poucos aspetos curiosos ou menos conhecidos sobre Cândido da Velha. A sua figura permanece relativamente discreta na história literária portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre as circunstâncias da morte de Cândido da Velha, nem sobre publicações póstumas que possam ter contribuído para a sua memória literária.

Poemas

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As idades da pedra - I

É do mar que vêm estas vozes
silabando a linguagem das marés,
gravando na areia estranhas grafias
onde, quem sabe ver, desvenda o rumo
no sobressalto das ondas.

Este permanente arfar marinho
desperta a ressonância de oculto escuro
de obscuros templos submersos onde o coração,
descompassadamente, se perturba
na iminência do segredo revelado.

Cheiros de primeira pâtria,
nesta urgência de sal em nossos membros,
atrai as pegadas para a líquida planura
pela saudade de verde glauco
que estira o corpo na fronteira do mar.

Reminiscência da primeira voz,
neste marulhar à concha dos ouvidos,
desperta nossa cólera e angústia
de malograda fuga e de nos vermos,
na babugem das águas, de olhos vítreos,
adormecidos peixes sobre a areia.
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As idades da pedra - II

As pálidas luas das tuas ma~os negras,
os olhos da paisagem insular,
teu corpo conspirando com a noite,
(beijo africano de hu'midas presso~es),
toda a claridade da hora aprofundada
no ventre generoso e farto.

A viagem regressiva aos ancestrais:
O reencontro para la' da linha quebrada,
oculta no tempo; justificac,a~o
de sermos outra vez humanos, simples,
tudo nas pa'lidas palmas das ma~os
quando, materna, apresentaste o peito
à concha do ouvido para que ouvisse
o rumor da noite longinqua
e permitiste ao sono que viesse, ama'vel,
na grande verdade a nosso respeito.
e em toda aquela aurora sem mentira
arborizando o corpo quebrantado
ansia'vamos o dia para celebrarmos
o cacimbo matinal em nosso olhar
no fresco odor da casa de madeira.
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