Christiano Nunes Fernandes

Christiano Nunes Fernandes

n. 1957 PT PT

Christiano Nunes Fernandes é um poeta cuja obra se distingue pela sua riqueza vocabular e pela exploração de temas profundos da existência humana. Com uma sensibilidade apurada para a beleza e a fragilidade do mundo, os seus poemas tecem reflexões sobre o tempo, a memória e a busca por um sentido transcendente. A sua escrita, marcada por uma musicalidade envolvente e por uma imagética vívida, convida o leitor a uma viagem interior. Christiano Nunes Fernandes estabeleceu-se como uma voz aclamada na poesia contemporânea, inspirando pela sua autenticidade e pela força da sua expressão artística.

n. 1957-02-18, São Paulo · m. , Ponta Delgada, Açores, Portugal

1 708 Visualizações

Cinco sonetos para um passarinho

I

SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor

dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.

Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...

Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................

II

O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto

das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.

Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola

em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.

III

POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.

Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.

Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,

ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.

.....................................................................

IV

DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam

pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.

E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...

revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.

......................................

V

SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos

aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.

Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia

o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Christiano Nunes Fernandes é um nome associado à poesia contemporânea em língua portuguesa. A sua nacionalidade é portuguesa e escreve em português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e a formação específica de Christiano Nunes Fernandes não são amplamente acessíveis em fontes públicas. No entanto, a sua obra evidencia uma cultura literária e filosófica considerável, com uma linguagem trabalhada e reflexões profundas.

Percurso literário

O percurso literário de Christiano Nunes Fernandes é marcado pela publicação de obras poéticas que têm sido bem recebidas pela crítica e pelo público. A sua escrita revela uma evolução contínua, explorando diferentes temas e formas de expressão, consolidando a sua identidade artística ao longo do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Christiano Nunes Fernandes aborda temas como o tempo, a memória, a identidade, a natureza e a condição humana, com uma particular atenção à dimensão existencial e espiritual. O seu estilo é caracterizado por uma linguagem cuidada, por vezes densa e erudita, mas sempre musical e evocativa. Utiliza uma rica imagética e recursos poéticos variados, como metáforas e comparações, para construir paisagens interiores e exteriores. A sua voz poética tende a ser lírica e reflexiva, convidando à contemplação. O seu trabalho insere-se na poesia contemporânea, dialogando com a tradição, mas também com as inquietações do presente, explorando a relação entre o indivíduo e o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Christiano Nunes Fernandes faz parte do panorama literário contemporâneo em língua portuguesa, participando das discussões estéticas e temáticas que moldam a produção cultural do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Christiano Nunes Fernandes são escassos em fontes públicas, sendo o foco principal a sua produção poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Christiano Nunes Fernandes tem vindo a ser reconhecida pelo seu mérito literário, apreciada pela sua qualidade estética e pela profundidade das suas reflexões.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A sua obra reflete um conhecimento profundo da tradição poética, mas também uma capacidade de inovar e de expressar a sensibilidade contemporânea. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia em língua portuguesa, através de uma obra que convida à reflexão e que emociona pela sua beleza e profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A crítica literária tem destacado a complexidade e a beleza da poesia de Christiano Nunes Fernandes, sublinhando a sua habilidade em explorar as profundezas da alma humana e a sua mestria formal.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações específicas sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Christiano Nunes Fernandes ou do seu processo criativo não são amplamente divulgadas, privilegiando-se a análise da sua obra literária.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não aplicável no presente contexto, dada a atualidade do autor.

Poemas

1

Cinco sonetos para um passarinho

I

SEM desvelo nenhum pelo ecológico
- antes pensando tudo por amor -
o pássaro deixou-se, por ilógico,
aprisionar-se todo, até a cor

dourada da plumagem, mais o verde
dos seus olhos e mais o que ele era:
pássaro alado de desejo e sede.

Depois, acomodado na gaiola,
imaginou-se cravos e viola
e pôs-se a fiar o tempo em seus teares...

Até que em certa tarde morna viu-se
pairando além, e livre pressentiu-se
se reofertando à festa dos pomares.
............................................................

II

O MAR, o mar imenso era um brinquedo
e o céu distante era um azul deserto.
Seus olhos eram como longos dedos
trazendo as longitudes para perto

das ânsias de suas asas que, em segredo,
o vôo libertavam para um certo
espaço já perdido e desde cedo
roubado de seus sonhos mal despertos.

Cativo, agora, o pássaro modula
uma canção plangente que se ondula
nas harpas da manhã e, então, se evola

em árias e sonatas e se perde
pelo deserto azul e pelo verde
mar, alheios ao pássaro e à gaiola.

III

POSTO que do mar não seja
e seja ave de pomar
pelo mar sempre ela adeja
ela é louca pelo mar.

Pelas naves da manhã
ela faz sua viagem
enquanto a ardente romã
do sol lhe doura a plumagem.

Viaja mesmo na areia...
E quando faz maré cheia,
há ventos fortes, marola,

ela que é ave campestre
com destino terrestre
sonha com o mar na gaiola.

.....................................................................

IV

DE DOURADO fez-se azul
naquela manhã, o pássaro.
Ou foram ventos do sul
que de repente perpassam

pelas paisagens que habita,
ou foi uma certa aragem
que em certas horas transita
e muda a cor da plumagem.

E em frio azul transmudado
pôs azul no seu trinado
e o mundo inteiro azulesce...

revestindo a corda dourada
nos clarins da madrugada.

......................................

V

SENTIR meus dedos entre as suas penas,
tatear meus olhos pelos seus segredos
é esse o jogo a que me entrego, apenas
o pássaro diviso em em seus degredos

aéreos, no altiplano de concreto,
em cujo frio chão nada germina
além de sombras e seu vulto incerto
que se divisa de uma esquiva esquina.

Onde no chão os grirassóis florescem.
Nos braços da manhã ele amanhece
adeja leve e nada lhe sofreia

o vôo dourado em direção do mar.
E redivivo deixa-se pousar,
se entrega ao sol e se desfaz na areia.

437

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.