Lista de Poemas

A bela teta

Teta mais branca do que um ovo,
Teta de cetim branco e novo,
Teta que faz inveja à rosa
E mais do que tudo é formosa,
Teta dura, nem teta, sim
Pequena bola de marfim,
Bem no meio da qual aflora,
Rubra, uma cereja ou amora,
Que, aposto com vossa mercê,
Ninguém apalpa, ninguém vê.
Teta de bico cor de sangue,
Teta que nada tem de langue
E, indo ou voltando, não balança,
Quer em corrida, quer em dança.
Teta esquerda, pequenininha,
Sempre distante da vizinha,
Teta que dás fiel imagem
Do restante da personagem,
Quem te vê, que tentação
De te conter dentro da mão
E comprimir-te e apalpar-te;
Mas é melhor deixar-se de artes
E não o fazer, pois prevejo
Que lhe viria outro desejo!
Teu bom tamanho não engana,
Teta madura que dás ganas,
Teta que um só anelo expressa:
"Casai comigo bem depressa!"
Teta que incha e quer ir além
Do corpete que ora a detêm.
Oh! felizardo quem te encher
De leite para te fazer,
De ti que és teta de donzela,
Teta de mulher plena e bela.

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Identificação e contexto básico

Clément Marot nasceu em Cahors, no sul da França, em 1495 ou 1496, e faleceu em Turim, Itália, em 1 de setembro de 1544. Foi uma das figuras mais proeminentes da poesia francesa do Renascimento. O seu pai, Jean Marot, também era poeta, o que marcou a sua entrada no mundo literário. Marot foi poeta da corte de Francisco I de França, o que lhe deu acesso a um círculo privilegiado de mecenas e influências. Escreveu em francês, contribuindo para o desenvolvimento da língua literária francesa da época.

Infância e formação

Filho de um poeta, Clément Marot teve desde cedo contacto com o mundo das letras. A sua formação intelectual beneficiou do ambiente em que cresceu e das oportunidades que lhe foram proporcionadas. Acredita-se que tenha recebido uma educação humanística, essencial para os intelectuais do Renascimento. As suas primeiras influências poéticas foram, sem dúvida, o seu pai e a poesia francesa medieval, mas rapidamente absorveu as novidades literárias e culturais que chegavam de Itália.

Percurso literário

O percurso literário de Marot foi marcado por uma vida agitada, com períodos de sucesso na corte e outros de exílio. Começou a sua carreira poética cedo, ganhando notoriedade com poemas líricos e satíricos. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, explorando diferentes géneros e temas. Colaborou em diversas publicações e antologias da época, e a sua fama levou a que a sua obra fosse amplamente divulgada. Foi também um tradutor e um importante divulgador dos Salmos de David em francês.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Marot é vasta e diversificada, incluindo "Héron", um poema alegórico inicial, as "Épigrammes", onde demonstra grande mestria na forma e no humor, e as "Chansons et les Rondeaux". No entanto, a sua obra mais conhecida e influente são as suas traduções dos "Salmos de David" em francês, que se tornaram extremamente populares e foram musicadas, contribuindo para a difusão do protestantismo. O seu estilo é caracterizado pela clareza, elegância, espírito e uma notável habilidade técnica no uso do verso e da rima. Temas como o amor, a vida na corte, a religião e a sátira social são centrais na sua produção. Marot é considerado um precursor do verso livre em algumas das suas composições, embora seja mais conhecido pela sua mestria nas formas poéticas tradicionais. A sua linguagem é acessível, mas refinada, e o seu tom pode variar do lírico ao irónico e satírico.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Clément Marot viveu durante o apogeu do Renascimento francês, um período de intensa efervescência cultural e artística, marcado pelo mecenato real e pela influência das ideias humanistas. Foi contemporâneo de figuras como Rabelais e foi poeta da corte de Francisco I, o que o colocou no centro da vida literária francesa. A sua ligação ao protestantismo, apesar de uma relação complexa e por vezes ambígua com a Igreja Reformada, também o insere num contexto histórico de importantes debates religiosos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Marot foi marcada por diversas vicissitudes. Esteve envolvido em intrigas da corte, o que o levou a enfrentar acusações e a períodos de prisão e exílio. A sua ligação aos círculos reformados também teve consequências na sua vida, forçando-o a fugir da França em várias ocasiões. Estas experiências pessoais frequentemente se refletiram na sua poesia, especialmente nas suas sátiras e nas suas reflexões sobre a condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Clément Marot gozou de grande popularidade em vida. As suas traduções dos Salmos tornaram-se um fenómeno cultural e religioso, sendo amplamente cantadas e difundidas. Foi reconhecido como um dos grandes poetas da sua geração, admirado pela sua arte e pelo seu engenho. A sua influência estendeu-se a poetas posteriores, que o consideraram um modelo de estilo e de mestria formal.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Marot foi influenciado pela poesia italiana do Renascimento, como Petrarca, e pela poesia francesa medieval. Por sua vez, o seu legado é imenso. A sua tradução dos Salmos teve um impacto profundo na música e na prática religiosa protestante, e a sua poesia lírica e satírica estabeleceu um novo padrão para a língua francesa. Influenciou poetas como Ronsard e Du Bellay, que o admiravam pela sua elegância e pela sua contribuição para a formação da poesia francesa moderna.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Marot tem sido analisada sob diversas perspetivas, desde a sua habilidade técnica e o seu domínio da língua até às suas posições religiosas e políticas implícitas na sua obra. A dualidade entre a poesia mundana da corte e a devoção religiosa é um aspeto frequentemente discutido na sua produção.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade sobre Marot é a sua relação com a famosa Diane de Poitiers, que ele elogiou em versos. A sua capacidade de transitar entre a poesia leve e satírica e a profundidade da poesia religiosa demonstra a sua versatilidade e a complexidade do seu espírito.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Clément Marot faleceu em Turim em 1544, longe da sua pátria. As suas obras foram continuadas a ser publicadas e lidas, mantendo a sua memória viva. A sua contribuição para a poesia francesa e para a história da música e da religião protestante cimenta o seu lugar na história literária e cultural.