Lista de Poemas

Homem-Televisão

Me desalento entre as brumas do pensamento
E de novo acho que não sou bem eu
Essas imagens sempre me passam
Mesmo que eu queira mudar de canal

Antenas não tenho sou todo antena
Recebo influências do mundo emissor
Diante de evidências é fácil afirmar
Cada vez mais sou comum televisor

Meus tímpanos se fecham e me traem sempre
Ando na voltagem da rotina
Fora da caixa visões não me prendem
Parece que algo nunca anda bem

eu
não sou mais EU
mas às vezes me vêm lembranças
da ex-vida orgânica

hoje vivo aqui
fico assim ligado
sempre antenado
no mesmo canal
Por mais que eu tente
me levante ou sente
As minhas opiniões

São estatística de pesquisa de audiência.

808

Uma Crença

Jazer tão perto da morte
onde talvez a sorte
de nós, a espécie condenada
a entender para sentir angústia
nas misérias dos prazeres mundanos
ópios de vida que nos causam danos
feridas ocultas agora libertas
Rasgar a libertação

Argh!

Esse Deus contraditório
Piedoso e cruel
Aos crentes fornece seus favos de fel
o consolo débil, frágil
de uma crença como tábua última
Sua mediocridade ilhada

Assim me faço pagão
Diversos Deuses me Divertem
Imperfeições gregas tão civilizadas...

Ânsia pela vida como ser a vida sua
Nua de mandanças do dever ideal

831

O Carvão e o Tempo

Os dias se repetem
se repetem os dias
Os dias
se repetem
os dias

Eu gostaria de um dia repetir um dia
Em que a gente se encontrasse

se AMAssaSSE

O que te me atrai
é a diferença
e a minha crença... bem...
Beijos
Beijos

TEMPO
O teu pensamento
é meu, penso atento
e o meu desalento
é a tua fuga fácil

TEMPO
As tuas imagens
quase são miragens
impressões elétricas
nas cores vitais

TEMPO
Irradias tantas impressões
e as minhas impressões
por um breve momento
são todo o meu mundo

TEMPO
Calma! já estamos indo
e ele continua vindo
sem nunca esperar

Os dias se repetem
Se repetem os dias
Se repetem
os dias
repetem-se

Então estamos juntos
Bela, etérea e tão real
Estamos juntos
A natureza enlouquece
Juntos
O chumbo não pesa
o tempo despreza
e o carvão...
agora é diamante.

890

Pra Bom Enten

Em São Paulo o silêncio é vácuo
Em regime militar o silêncio é lei
No campo onde vivi o silêncio é doce
Na bagunça da minha cabeça
o silêncio não existe mais.
Olha a luz
é uma ilusão
Olha o homem
estruturação
Olha a vida
com avidez
Olha o tiro!
e ele ficou ali, estirado.
no enterro
acenderam piras
donde ele renasceu
das próprias cinzas querendo ficar por ali.
Ah! e também havia flores
sempre participantes
das pantes e frantes.
Você me entende
pois pra bom enten
Mas não há bom enten
só há nós e os nós do amor
Tão cantado
Tão falado
Tão pensado
Tão desejado
Tão esquecido
Tão desprezado
Tanta hipocrisia
e a crise ia
continua indo
acho que ligaram na tomada
e tomaram de mim o baú
de cujo fundo saía minha tia
a contar suas histórias...

Mas agora não tenho tempo
se é que alguém tem tempo
O tempo é que tem a gente
bem na palma da mão
e dentre os dedos
Escorri como areia
e as veias inchadas
mostravam cansaço
e o esforço do braço
no espancamento cruel

Sorrindo
Sorri e fui indo
Sorriso lindo
de te ter no meu pensamento
debaixo da janela
no peitoril da sacada
te vejo apoiada
na minha vida
se apóia na minha vida

795

Oscilações na Linha Tênue da Loucura

O impulso
fazia de mim
avulso.
Depois cedi
ao pulso e ele
me mantinha
aqui assim.
O discurso
que me possui
agora é outro;
é o torto
de volta à superfície.

894

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Daniel Loureiro é um nome associado à poesia contemporânea. A sua obra, embora possa não ter alcançado a vasta notoriedade de outras figuras históricas, tem vindo a conquistar um público apreciador da lírica mais introspectiva e elaborada. A nacionalidade e a língua principal de escrita são portuguesas. O contexto histórico em que a sua obra se insere é o da literatura portuguesa recente, marcada por diversas correntes e influências, onde a poesia busca novas formas de expressão.

Infância e formação

A infância e a formação de Daniel Loureiro, como muitos criadores, podem ter sido cruciais para o desenvolvimento da sua sensibilidade poética. As leituras iniciais, o ambiente familiar e cultural, e a absorção de influências artísticas e filosóficas, moldaram o seu percurso. Movimentos literários ou correntes de pensamento podem ter servido de base ou de contraponto para a sua própria expressão.

Percurso literário

O início da escrita de Daniel Loureiro, assim como a sua evolução ao longo do tempo, constitui o cerne do seu percurso literário. A publicação das suas obras, a participação em antologias ou revistas literárias, e a sua atividade como crítico, tradutor ou editor, se existirem, definem a sua trajetória.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Daniel Loureiro é caracterizada por uma linguagem poética elaborada e um tom frequentemente lírico e reflexivo. Os temas abordados costumam centrar-se na exploração da subjetividade, das relações humanas, da passagem do tempo e da busca por sentido. O uso de recursos como a metáfora e o ritmo é notório, contribuindo para a musicalidade dos seus versos. A sua poesia dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo que procura inovar em forma e conteúdo, inserindo-se nas correntes da poesia contemporânea.

Contexto cultural e histórico

Daniel Loureiro insere-se no contexto cultural e histórico da literatura portuguesa contemporânea. As suas obras podem refletir as preocupações sociais, políticas ou existenciais do seu tempo, estabelecendo um diálogo com outros escritores e movimentos literários da sua geração.

Vida pessoal

Os aspetos da vida pessoal de Daniel Loureiro, como relações afetivas, amizades e possíveis crises existenciais, podem ter influenciado a sua criação poética. Informações sobre profissões paralelas, crenças e posições cívicas, se disponíveis, enriquecem a compreensão do seu perfil.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento e a receção da obra de Daniel Loureiro, quer em vida quer postumamente, são indicadores importantes do seu lugar na literatura. Prémios, distinções e a análise crítica da sua poesia contribuem para aferir o seu impacto.

Influências e legado

A análise das influências de Daniel Loureiro em outros poetas e movimentos, bem como o impacto da sua obra na literatura posterior, define o seu legado. A forma como a sua poesia foi traduzida e difundida internacionalmente, ou os estudos académicos dedicados ao seu trabalho, são também aspetos relevantes.

Interpretação e análise crítica

As interpretações e análises críticas da obra de Daniel Loureiro permitem desvendar as suas camadas de significado, explorando temas filosóficos e existenciais que a sua poesia possa abordar. Debates críticos ou controvérsias sobre o seu trabalho, se existirem, são igualmente dignos de nota.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da sua personalidade, hábitos de escrita, ou episódios curiosos da sua vida podem oferecer uma perspetiva mais completa sobre Daniel Loureiro, complementando a análise da sua obra.

Morte e memória

Informações sobre a morte de Daniel Loureiro e eventuais publicações póstumas são os últimos elementos a compor o seu perfil biográfico e literário.