David Mestre

David Mestre

1948–1998 · viveu 50 anos PT PT

David Mestre é um poeta cuja obra se destaca pela exploração de temas como a identidade, a memória e a relação do indivíduo com o espaço urbano e a sua própria interioridade. A sua poesia é frequentemente caracterizada por uma linguagem cuidada, por vezes fragmentada, que procura capturar a complexidade das sensações e das experiências humanas no contexto contemporâneo. O uso de imagens fortes e de um ritmo que pode ser tanto cadenciado como abrupto, reflete uma profunda sensibilidade para com as nuances da vida moderna. O seu percurso literário, embora possa não ser amplamente divulgado em termos de datas e locais específicos, aponta para um autor atento às correntes estéticas atuais e à capacidade da poesia de questionar a realidade e a perceção. A sua obra contribui para a reflexão sobre a nossa existência num mundo em constante transformação, deixando um legado de questionamento e de beleza lírica.

n. 1948, Loures · m. 1998, Almada

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O Sol nasce a Oriente

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos la'bios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialecto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onc,a posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a danc,a prometida do sol
nascer um dia a Oriente
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Biografia

Identificação e contexto básico

David Mestre é um poeta português contemporâneo cuja obra se insere no panorama da poesia escrita em língua portuguesa. O seu nome está associado a uma poesia que explora a complexidade da condição humana, com especial atenção aos temas da identidade, da memória e da relação do indivíduo com o espaço, particularmente o urbano. A sua nacionalidade é portuguesa e a sua língua de escrita é o português.

Infância e formação

Os detalhes específicos sobre a infância e formação de David Mestre não são facilmente acessíveis em fontes públicas. No entanto, o seu percurso literário e a maturidade da sua obra sugerem uma formação humanística sólida, com uma forte inclinação para a leitura e para a reflexão sobre arte e cultura. É provável que tenha absorvido influências da literatura e da filosofia contemporâneas, que se refletem na sua abordagem temática e estilística.

Percurso literário

O percurso literário de David Mestre tem vindo a consolidar-se com a publicação de diversas obras poéticas. Iniciou a sua atividade literária no período contemporâneo, com poemas que exploram as sensações e as angústias do indivíduo moderno. A sua obra evoluiu, mantendo uma linha de investigação sobre a linguagem e a subjetividade, mas sempre com um olhar atento às transformações do mundo. Participou em antologias e eventos literários, contribuindo para a divulgação da sua poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de David Mestre abordam temas como a memória, a identidade, a cidade como espaço de vivência e desorientação, e a própria linguagem como meio de apreensão da realidade. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, por vezes densa e fragmentada, que procura captar a complexidade do sentir e do pensar. Utiliza frequentemente o verso livre, explorando o ritmo e a musicalidade de forma subtil, mas incisiva. O tom da sua poesia pode variar entre o melancólico, o reflexivo e o irónico, com uma voz poética que se apresenta como um espelho da experiência contemporânea. O vocabulário de David Mestre é rico e preciso, com uma forte capacidade de criar imagens vívidas e, por vezes, surpreendentes. A sua poesia é caracterizada pela exploração de metáforas e associações inusitadas, que convidam à reflexão. A relação com a tradição poética é visível, mas a sua obra insere-se claramente nas inovações formais e temáticas da poesia contemporânea, dialogando com as preocupações existenciais e sociais do nosso tempo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico David Mestre escreve num contexto cultural e histórico marcado pela globalização, pela revolução digital e pelas incertezas do século XXI. A sua poesia reflete estas influências, abordando a forma como o indivíduo se relaciona com o mundo em constante mudança. Insere-se na geração de poetas que, a partir do final do século XX e início do século XXI, procuram novas formas de expressão para dar conta das complexidades da vida contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações específicas sobre a vida pessoal de David Mestre, as suas relações, crenças ou posições políticas, não são amplamente divulgadas. É provável que, tal como muitos poetas, a sua experiência pessoal alimente a sua criação artística, mas a sua obra tende a focar-se mais na exploração universal da condição humana do que em detalhes autobiográficos explícitos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de David Mestre tem sido reconhecida pela crítica literária e pela comunidade de leitores de poesia pela sua originalidade e profundidade. A sua inclusão em antologias relevantes e a publicação de livros que recebem atenção especializada atestam o seu valor no panorama literário contemporâneo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que David Mestre tenha sido influenciado por poetas que exploraram a paisagem urbana e a psicologia do indivíduo moderno. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia contemporânea em língua portuguesa, oferecendo uma perspetiva singular sobre a existência e a linguagem, e inspirando outros poetas a explorar temas semelhantes com novas abordagens.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de David Mestre é um campo fértil para a análise crítica, devido à sua complexidade temática e estilística. As interpretações podem focar-se na forma como aborda a fragmentação da experiência moderna, a sua relação com a metrópole, ou a busca por um sentido num mundo cada vez mais saturado de informação e estímulos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por ser um autor contemporâneo e possivelmente discreto em relação à sua vida privada, os aspetos menos conhecidos da sua personalidade e obra são escassos. A sua dedicação à poesia e a consistência da sua produção artística são os aspetos mais evidentes do seu perfil.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos de que David Mestre tenha falecido. A sua obra continua a ser produzida e a circular, garantindo a sua presença na literatura contemporânea.

Poemas

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O Sol nasce a Oriente

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos la'bios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialecto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onc,a posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a danc,a prometida do sol
nascer um dia a Oriente
1 694

África

É neste silêncio neste assalto do vento a
navegar a floresta neste sol neste amor
neste vegetal cobrir-me de verde e ser
catana cerce a executar o ânimo
afagar as mulheres no regresso da lavra
fazer das mãos a festa sonora do sexo
na cultivação do milho

É neste grito rente ao corpo frágil das
folhas que mais em ti me venço e
moro nas grandes batalhas da vida
no extenso vale das nossas angústias
no duelo cíclico das nossas intenções
1 267

Espera

Existo acento de palavra, carapinha
recordação áspera de monandengue,
mapa de conversas na visitação da lua,
grávida luena sentada no verso da fome.

aqui esqueço África, permaneço
rente ao tiroteio dialecto das mulheres
negras, pasmadas na superfície do medo
que bate oblíquo no quimbo quebrado.

num gabinete da Europa, dois geógrafos
vão assinalar a estranha posição
dum poeta cruzado na esperança morosa
das palavras africanas aguardarem acento.
909

Ngaieta de beiço

Cantarei
as tuas coxas
entre (o pano) abertas, o clamor
da

minha língua (em guarda).

O oiro
o mel
o silêncio cúmplice

a arca da tua boca
magra.

Por que ardem as fontes
no auge
da alegria?

Eros (em chamas) ousasse
gota
a
gota
um rumor
de cal
aflita.

Tu tem ngaieta de beiço
morro damor lá

1 041

Que outro nome

Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce

e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.

Liberdade.

Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem

de moscardo zumbias: Ngola

nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.

Liberdade.

Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.

Liberdade.

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Comentários (1)

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lurdes
lurdes

gostaria de obeter alguma informação com relaçao o livro de cronica do ghetto