Lista de Poemas

Soneto

Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

"Ai ondas!" (suspirando começou):
Mas delas, sem lhe mais alento dar,
A fala contrastada, atrás tornou.

"Ai ondas! (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar".

1 793

Já não posso ser contente

Já não posso ser contente,
Tenho a esperança perdida,
Ando perdido entre a gente,
Nem morro, nem tenho vida.

Prazeres que tenho visto
Onde se foram, que é deles,
Fora-se a vida com eles
Não ma vira agora nisto,
Vejo-me andar entre a gente
Como coisa esquecida,
Eu triste, outrém contente,
Eu sem vida, outrém com vida.

Vieram os desenganos,
Acabaram os receios;
Agora choro meus danos,
E mais choro bens alheios;
Passou o tempo contente,
E passou tão de corrida,
Que me deixou entre a gente
Sem esperança de vida.

1 638

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Identificação e contexto básico

Diogo Bernardes foi um poeta português. Nasceu em 1535 e faleceu em 1603. O seu nome está associado ao período do Renascimento em Portugal.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e a formação de Diogo Bernardes. Acredita-se que tenha recebido uma educação cuidada, típica da época para alguém da sua condição social, embora os detalhes sejam escassos.

Percurso literário

Diogo Bernardes destacou-se como poeta lírico no século XVI. A sua obra foi publicada em antologias e em volumes próprios, sendo reconhecido pelos seus contemporâneos. A sua poesia evoluiu dentro dos cânones renascentistas, explorando temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra principal de Diogo Bernardes inclui poemas que abordam o amor, a morte e a espiritualidade. O seu estilo é marcado pela elegância formal, pela riqueza vocabular e pela musicalidade do verso. Frequentemente utilizava o soneto, forma poética predileta da época. A sua linguagem é cuidada e as imagens que constrói são evocativas.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu durante o Renascimento português, um período de grande efervescência cultural e literária, marcado pela expansão marítima e pela influência do humanismo italiano. Fez parte de um círculo de poetas que mantinham um diálogo com a tradição clássica e com as novas correntes literárias europeias.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Diogo Bernardes são limitados. Sabe-se que dedicou grande parte da sua vida à criação literária, mas não há informações sobre a sua profissão ou sobre relações familiares específicas que tenham marcado a sua obra de forma explícita.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Foi reconhecido em vida como um poeta de valor, integrado no panorama literário da sua época. A sua obra continuou a ser lida e apreciada, consolidando o seu lugar na história da poesia portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Diogo Bernardes foi influenciado pelos poetas clássicos e pelos sonetistas italianos. O seu legado reside na contribuição para o desenvolvimento da lírica renascentista em Portugal, com uma obra que se distingue pela qualidade formal e pela profundidade expressiva.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Bernardes tem sido analisada sob a perspetiva dos temas universais do amor, da fugacidade da vida e da busca espiritual. A sua poesia é frequentemente vista como um reflexo da sensibilidade renascentista.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Poucos aspetos menos conhecidos da sua vida são amplamente divulgados, mas a sua dedicação à poesia num período de tantas incertezas políticas e sociais é, por si só, um testemunho da força da arte.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Diogo Bernardes faleceu em 1603. A sua memória perdura através da sua obra, preservada e estudada pela posteridade como um marco da poesia do Renascimento português.