Fernando Fabião

Fernando Fabião

Fernando Fabião é um poeta português contemporâneo conhecido pela sua escrita lírica e reflexiva. A sua obra explora frequentemente temas como a memória, o tempo e a condição humana, com uma linguagem cuidada e um tom introspectivo. Fabião insere-se na poesia portuguesa recente, contribuindo com uma voz singular que dialoga com a tradição, ao mesmo tempo que se abre a experimentações e a uma sensibilidade contemporânea.

n. , Luanda

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Das Coisas que Ardem

Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face

Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia

Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves

Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Fernando Fabião é um poeta português. A sua obra insere-se no panorama da poesia contemporânea portuguesa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Fernando Fabião não são amplamente divulgadas, mas a sua obra denota um acurado conhecimento da tradição literária e um diálogo constante com as correntes filosóficas e estéticas.

Percurso literário

O percurso literário de Fernando Fabião tem sido marcado por uma produção poética consistente, focada na exploração de temas existenciais e líricos. A sua obra tem sido publicada em diversas antologias e revistas literárias, consolidando a sua presença na poesia portuguesa atual.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Fernando Fabião caracteriza-se por uma linguagem cuidada, um tom reflexivo e uma exploração profunda de temas como a memória, o tempo, a identidade e a efemeridade da existência. A sua poesia tende a ser introspectiva, com um lirismo contido e uma musicalidade subtil. O verso livre é uma forma comum na sua escrita, permitindo uma maior liberdade na exploração das ideias e das emoções. A densidade imagética e o uso de metáforas revelam uma sensibilidade apurada para a captação do instante e da complexidade do ser.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Fernando Fabião escreve no contexto da poesia portuguesa contemporânea, um período marcado pela diversidade de estilos e pela contínua reinterpretação da tradição. A sua obra dialoga com as preocupações existenciais e sociais do nosso tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Fernando Fabião não são públicos, mas a intimidade e a reflexão que perpassam a sua poesia sugerem uma sensibilidade aguçada para as complexidades da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Embora não haja registo de prémios ou distinções de grande vulto, a poesia de Fernando Fabião tem sido acolhida com apreço pela crítica e pelos leitores mais atentos, que reconhecem a qualidade da sua escrita e a profundidade das suas reflexões.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Fernando Fabião podem ser encontradas na tradição lírica portuguesa e em poetas que exploram a introspecção e a reflexão sobre a condição humana. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e uma abordagem lírica ponderada.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Fernando Fabião convida à reflexão sobre o sentido da vida, a passagem do tempo e a busca por significado num mundo em constante mudança. A sua obra pode ser interpretada como um diálogo contínuo com as grandes questões existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da vida e obra de Fernando Fabião não são amplamente divulgados. A sua discrição contribui para um foco maior na poesia em si.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Fernando Fabião encontra-se vivo e a sua obra continua a ser produzida e a enriquecer o panorama literário português.

Poemas

6

Das Coisas que Ardem

Das coisas
que ardem
Falarei da rebentação da luz
Do vidro desfeito nas mãos
Da conspiração do vento
Na tua face

Falarei da inteligência das casas
Pensadas pelas mãos sonhadoras
Dos oficiantes da pedra
E da melancolia

Das coisas que ardem
Falarei do prodígio dos barcos
Rasgando o azul
Do reduto cintilante das aves

Do que arde e permanece
só os olhos sabem
O que no interior das cores
É cinza celeste.
1 377

Estava à Tua Espera

Estava
á tua espera
Desde o começo do mundo
No sentido da água dos indícios do fogo

Pousaste o olhar
Na luz que tardava
E em redor a neve ardeu

Havia uma casa
Um endereço uma magnólia incendiada
A nada alterou o itinerário das aves

Estava á tua espera
Desde o começo do mundo
Na despedida dos anjos
No rumor matinal de Abril

Com parcimónia escrevo
Num talento breve e ao abrigo da noite
As razões desta areia iluminada
948

Deixa que as Mãos

Deixa que
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.

Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.

Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.

Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar

766

Dá-me Sempre Esse Dom

Dá-me sempre
esse Dom
Obscuro e precário esse fulgor da cinza
Essa pureza na alegria da terra
Dá-me uma cisterna de luz
Um cântaro de água aprisionada
Dá-me a tua aurora e o teu presságio
Para eu dançar no centro da noite
E na orla do coração
Escutar os pássaros.
748

Em Louvor do Silêncio

Em louvor
do silencio
Lembro os peixes mudos percorrendo o sono
Um fruto que cai grave
No corpo da terra

Lembro o aroma das glicínias
O murmúrio dos mortos povoando as casas
Os versos obscuros onde habita a delicadeza do amor.
É nos estilhaços do mundo
Que o indizível se escreve
Invade as folhas, as mãos pousadas na orla do mar.

926

Guardo na Pele

Guardo
na pele a luz da tinta
É aí que as palavras ardem
À passagem do sangue

Na pele, tudo é profundo
Ouve-se a água no início do sono
Flor estilhaçada na sombra dos dedos
E um talento vagaroso
Percorre as veias
Uma promessa de paz ilumina os roseirais

Dirás que o corpo é uma casa de sol
Um relâmpago breve na paisagem.

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