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Fonseca Amaral

Fonseca Amaral

1929–1992 · viveu 63 anos PT PT

n. 1929, Viseu · m. 1992, Queluz

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Biografia
Poeta e tradutor. Dizia que era do Cairo, mas nasceu em Viseu e foi para Moçambique apenas com três anos de idade. Ali fez os seus estudos liceais. Em 1945 é «descoberto» por Augusto dos Santos Abranches, estreando-se com dois poemas no último número do pioneiro suplemento literário «Sulco» (4 de Março de 1945), que o Abranches mantinha no diário Notícias da capital moçambicana. A amizade entre os dois poetas, pese a grande diferença de idades, permitiu a Fonseca Amaral um contacto permanente e importante com o que literariamente ia ocorrendo em Portugal e no Brasil e, por isso mesmo, ser uma espécie de fermento entre os jovens da sua geração. Rui Knopfli chama-lhe «o meu mestre Fonseca Amaral». Em Novembro de 1948, aparece entre a comissão organizadora de um «Programa de Cultura, Recreio e Desporto da Juventude Moçambicana» que deu direito a um Comunicado Oficial da Mocidade Portuguesa, então detentora do exclusivo de tais propósitos, e às consequentes diligências policiais de uso à época. Em Dezembro do mesmo ano, com Rui Guerra, João de Sousa e Guilherme de Melo, redige a página «Início» – ele com poemas, é bom de ver –, então criada no diário Lourenço Marques Guardian. Ainda pela mão do Abranches, colabora no Itinerário (1949-1954). Neste último ano regressa a Portugal, onde passa a viver da sua actividade de tradutor. Em 1951, poemas seus são publicados numa separata da revista Mensagem, da Casa dos Estudantes do Império, organizada por Orlando de Albuquerque e Victor Evaristo. Está também representado nas duas antologias Poetas Moçambicanos, publicadas pela mesma Casa em 1960 e 1962. Colabora ainda em A Voz de Moçambique (1960-1973), de que chegou a ser redactor-correspondente em Portugal, e em O Brado Africano (1966-1967), ambos de Lourenço Marques. Em 1971, na mesma cidade, Rui Knopfli reuniu e publicou no nº. 2 dos Cadernos Caliban doze poemas de Fonseca Amaral, o último dos quais se chamava significativamente «Exílio», e que o Rui fazia anteceder de justa introdução. É que, tirante as colaborações para A Voz de Moçambique, como correspondente, tudo que dele foi publicado o foi por iniciativa dos amigos, nunca do poeta. Aquando da independência de Moçambique, Fonseca Amaral regressou alvoroçado àquela que tinha como pátria e que, tal como fez a outros, o rejeitou. Regressado a Portugal, aqui continuou o seu duplo exílio, afinal «natural do Cairo», como premonitoriamente dizia. Deixou uma obra sem livro, que ao fim de vários anos de tentativas de edição por parte da Imprensa Nacional / Casa da Moeda, acaba de ser publicada (1999), com prefácio de Eugénio Lisboa e o título de Poemas.

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