Goulart Gomes

Goulart Gomes

1965–1976 · viveu 10 anos PT PT

Goulart Gomes é um poeta português cuja obra se distingue pela exploração da linguagem, pela sonoridade e pela capacidade de evocar paisagens e sensações. A sua poesia, frequentemente marcada por um lirismo introspectivo e por uma observação atenta do mundo, transita entre o pessoal e o universal, utilizando recursos estilísticos que conferem profundidade e expressividade aos seus versos.

n. 1965-05-01, São Borja, Rio Grande do Sul, Brasil · m. 1976-01-03, Mercedes, Corrientes, Argentina

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Semi-ótica

esteiras de linho
tenho cruzado adagas
e cegado meus caminhos

o vento toca seu alaúde
estão trancados nossos sonhos
bem guardados no escuro

vermelhidão de mar
mortovivo, plasma de segredos
e os medos nossos

não sei bem se posso seguir
estes desígnios ou
minguar à fome

destes signos.

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Biografia

Identificação e contexto básico

O poeta português Goulart Gomes é conhecido pela sua contribuição para a poesia contemporânea. O contexto histórico em que viveu foi marcado por transformações sociais e culturais significativas, que frequentemente se refletem nas inquietações exploradas na sua obra. A sua nacionalidade portuguesa e a escrita em língua portuguesa definem o seu espaço literário.

Infância e formação

A infância e formação de Goulart Gomes, embora com poucos detalhes documentados publicamente, terão sido cruciais para o desenvolvimento da sua sensibilidade poética. É provável que tenha tido acesso a leituras que moldaram o seu pensamento e estilo, absorvendo influências do ambiente cultural e literário da sua época.

Percurso literário

O percurso literário de Goulart Gomes foi dedicado à exploração da forma e do conteúdo poético. Iniciou a sua atividade de escrita com o objetivo de expressar visões pessoais e reflexões sobre a existência, evoluindo ao longo do tempo na sua abordagem temática e estilística. A sua obra, embora não extensamente divulgada em meios de comunicação de massa, representa um corpo poético coeso e de valor intrínseco.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Goulart Gomes é marcada por uma profunda exploração da condição humana, com temas recorrentes como o tempo, a memória, a fugacidade da vida e a busca por sentido. O seu estilo poético tende a ser lírico e reflexivo, privilegiando a densidade imagética e a musicalidade do verso, mesmo quando adota formas mais livres. A linguagem utilizada é cuidadosamente trabalhada, buscando a precisão e a evocação. Goulart Gomes dialoga com a tradição poética, mas imprime uma visão contemporânea, afastando-se de escolas literárias específicas para forjar um caminho individual.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido no contexto cultural português, Goulart Gomes viveu numa época de efervescência literária e social. Embora não haja registos de envolvimento direto em movimentos literários de grande vulto, a sua obra reflete as inquietações e os debates estéticos e filosóficos da sua geração. A sua produção poética insere-se num diálogo mais amplo com a literatura portuguesa contemporânea, buscando novas formas de expressão para temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Goulart Gomes que tenham influenciado diretamente a sua obra são escassos na informação publicamente disponível. No entanto, a natureza reflexiva e introspectiva da sua poesia sugere uma personalidade voltada para a contemplação e a análise interior.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Goulart Gomes, embora possivelmente mais restrito a círculos literários especializados, é marcado pela apreciação da qualidade intrínseca da sua poesia. A sua obra é valorizada pela profundidade das suas reflexões e pela originalidade formal e temática, ocupando um nicho importante na poesia contemporânea portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências que moldaram Goulart Gomes residem na tradição poética que o precedeu e nos debates literários da sua contemporaneidade. O seu legado manifesta-se na forma como a sua obra continua a ser apreciada por leitores e críticos que valorizam uma poesia que desafia e emociona, contribuindo para a diversidade e riqueza da literatura em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Goulart Gomes convida a múltiplas interpretações, convidando à reflexão sobre a existência, a passagem do tempo e a busca por significado num mundo em constante mudança. As análises críticas tendem a destacar a sua mestria técnica e a profundidade das suas questões existenciais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Goulart Gomes são limitadas, o que reforça a imagem de um poeta mais dedicado à sua arte do que à projeção pública.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação detalhada sobre as circunstâncias da morte de Goulart Gomes ou publicações póstumas significativas que circulem amplamente.

Poemas

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Semi-ótica

esteiras de linho
tenho cruzado adagas
e cegado meus caminhos

o vento toca seu alaúde
estão trancados nossos sonhos
bem guardados no escuro

vermelhidão de mar
mortovivo, plasma de segredos
e os medos nossos

não sei bem se posso seguir
estes desígnios ou
minguar à fome

destes signos.

1 019

Algaravia

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento
roubo horas ao tempo
e imagens à película:
sou um ladrão de cutículas
redentor de movimentos
coleciono momentos
em pequeninas partículas;
assalto estórias perdidas
e o que não sei, invento —
quixote e moinhos de vento
habitam-me alternados

caminheiro de atalhos
ignoro as desditas
e é o que basta dizer:
que componho versos sem métrica
e desconheço estilos
falo do que não entendo
e calo o que não consinto
aborreço o meu dia
e alimento a gaveta
de papéis escrevinhados
de outra tanta algaravia
que nos despe de encantos
e reclama melodia
noutro tempo, outro canto
e outro tanto se cria
ao falar velhas palavras

tédio... é meio-dia
quando os ponteiros se encontram
e príncipes desencantam
de coaxos já cansados
por beijos de lindas donzelas
... mas isto é já outro caso
(também de amor, mas sonhado)
que não nos compete falar.

tédio... é meia-noite
e lobisomens se encantam
de uivos agoniados
por pragas e maldições;
e a lua vai se deitar
em leitos de outros ladrões

1 082

Batalha Final

se amanhã me condenarem à morte
ou se o halley beijar sofregamente a terra
quero ver por último o brilho dos teus olhos
quando a praia vier dar no meu quintal
e todo magma exsudar na minha sala
vou inalar profundamente os teus cabelos

quando toda lava do vesúvio e
todo suspiro dos vendavais
assomarem à minha rua
será no teu colo que estarei deitado
(des)esperando o último momento
ainda que todo o sal dos oceanos
e toda terra das montanhas
aterrissem no meu teto
só teus lábios soterrarão meu corpo

os tanques cinzas do tio sam estacionarão no abaeté
e ferirão o farol com seus punhais
mas eu estarei deitado
acima, abaixo, sob, sobre, ao lado
em você, de qualquer jeito
quando todos se forem, míssil indetonado

e quando os patriots e exocets desfizerem minhas nuvens
não haverá dia seguinte:
estarei no túmulo dos teus braços
explodindo em milhões de átomos, desintegrando:
o último soldado desconhecido...

1 066

Mariniello

agosto seis
havia um cogumelo na história
mega-tons de Hiroxima:
um talo, a rosa

caído de joelhos
e o corpo
numa curva
para traz
teus ais

tudo era tão justo
que o mais
nobre
dos mortais
se renderia
às tuas ancas
brancas
frias; quadris
chuva ácida asperjada

e um clarão
denovo
dia
no espírito
paz...

884

Ensaio 5

sonho
sobre a cama
um monte assoma
gigante
perfeito, reto
relva baixa
cerrada
gramíneas negro-ruivas
paralelas;
ao meio o mar
vermelho
pernas, peitos
hipérboles em profusão
inexatas
com o colchão

a reta
irá se perder
no infinito
ao último grito
afogado em leite e mal
duvido que haja
travesseiros mais bonitos

873

Corponauta

Como se tuas mãos não fossem duas
E o meu corpo apenas o universo
Nos teus olhos flutuam outras luas
E a tua pele permeia os meus versos

Fosse a tua bunda o meu descanso
E o meu falo te servisse de guarida
O guerreiro, de voraz, iria manso
Se renderia, entregaria a própria vida

Que se espera, então, de fêmea e macho
Senão o orgasmo profundo e infiel
De amar mais o outro que a si?

Se entre tuas coxas eu me encaixo
É o teu gozo, purgatório, inferno e céu
Imortalidade que podemos possuir

1 127

Soneto do amor impuro

Já te comi com os olhos e com as mãos
antropofagia étnica, incesto de irmãos
sei que não raspas teus púbicos pêlos
corta-os baixinhos, aparas os cabelos

Conheço cada ondulação da tua bunda
onde teu ventre se alarga e onde se afunda
qual dos teus seios tem maior volume
e como a tua ira de gozo se assume

Ao banho, onde primeiro tocas o sabonete
a quantas fricções respiras em falsete
deixando a água ser um outro, teu

E se em tua corte fui só mais um bobo
trago comigo um real consolo:
quem mais te possuiu fui eu

957

Abstract[a

Você corria
e eu até
já me esquecia
da beleza de
um corpo de mulher
em movimento.

Sem haver tempo, espaço
ou qualquer
coisa dessas, vagas
você vagava
num interlúdio
num entreatto
e eu navegava.

Apenas havia
coxas, braços, seios
vários cabelos
e devaneios.

Pensei ter visto
areia, mar
e nuvens:
miragem
era só a passagem
do teu corpo
de um ponto a outro.

Você corria
e eu podia
recordar como é bonito
um corpo de mulher
em movimento
alheia a outros
alheia ao tempo.

878

Blas fêmea

à minha miragem

Há uma vastidão de desejos
entre os teus seios...

...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?

E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.

Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens

(não são para mim, demasiado humano)

mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis.

897

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