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Era a calma do mar naquele olhar Ela era semelhante a uma manhã teria a juventude de um mineral Passeava por vezes pelas ruas e as ruas uma a uma eram reais Era o cume da esperança: eternizava cada uma das coisas que tocava Mas hoje é tudo como um fruto de setembro ó meu jardim sujeito à invernia A aurora da cólera desponta já não sei da idade do amor Só me resta colher as uvas do castigo Sou um alucinado pela sede Caminho sob o sol enterro de água Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 2, pág. 13 | Editorial Presença Lda., 1981
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Ruy Belo
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