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Há um cheiro de absinto quando os capricórnios da casca apodrecida dos carvalhos velhos iniciam seu voo pelo mês de junho Colhemos avelãs ao longo do jardim onde as tílias ao vento espalham o aroma A frescura da fruta vence o sol rasante Somos quem fomos caminhamos tão de leve temos tamanha dignidade de crianças que nem a morte aqui de nós se lembraria nem mesmo a monstruosa flor de outros destinos nem qualquer outra das repúblicas do ódio encresparia o calmo mar do fim da tarde É à celebração sagrada do acaso à festa da essência mineral do mundo que o sol procede no segredo deste templo A tarde é tudo e tudo são caminhos Somos eleitos cúmplices da hora Aqui não chega o desatino do verão esqueço a aversão dos meus antepassados e levanto-me sobre a derradeira luz Por instantes sou eu ninguém morreu aqui ó minha vida esse processo que perdi Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 2, pág. 17 | Editorial Presença Lda., 1981
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Ruy Belo
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