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Ele vai só ele não tem ninguém onde morrer um pouco toda a morte que o espera Se é ele o portador do grande coração e sabe abrir o seio como a terra temei não partam dele as grandes negações Que há de comum entre ele e quem na juventude foi que mão estendem eles um ao outro por sobre tanta morte que nos dias veio? E no seu coração que todo o homem ri e sofre é lá que as estações recolhem findo o fogo onde aquecer as mãos durante a tentação é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre Não leva mais de seu que esse pequeno orgulho de saber que decerto qualquer coisa acabará quando partir um dia para não voltar e que então finalmente uma atitude sua há-de implicar embora diminuta uma qualquer consequência O que deus terá visto nele para morrer por ele? Oh que responsabilidade a sua Que não dê como a árvore sobre a vida simples sombra que faça mais do que crescer e ir perdendo vestes Oh que difícil não é criar um homem para deus Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, pág. 20 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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