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A minha amada chega no ar dos pinhais cingida de resina vária como o cedro e a maresia. Levanta-se lábil compromete solene o séquito da aurora Ou vem sobre os rolos do mar cheia de infância pequena de destino Também a trazem às vezes aves como a pomba que os mercadores ouviram em países distantes. Tem brilhos nos olhos de veado como se buscara a grande fonte das águas Que nome tem a minha amada? Como chamá-la se nenhum conceito a contempla ? Em que palavra envolvê-la? A minha amada não é da raça de estar como o homem posta sobre a terra Que pés lhe darão este destino de serem mais ágeis do que nós os sonhos? Ombro como o meu será lugar para ela? Que anjo em mim a servirá? Ai eu não sei como recebê-la Eu sou da condição da terra que tacteio de pé. Quase árvore não me vestem convenientemente as estações nem me comenta a sorte o canto pontiagudo dos pássaros Vem domesticamente minha amada Receber-te-ei aquém dos olhos com este humilde cabedal de dias Mas basta que venhas quando eu diga do alto de mim próprio sim à terra Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, pág. 25 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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