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Narro-me letra por letra para ti e sou a breve palavra que tu deixas como uma esteira branca no céu azul do tempo Subo tijolo a tijolo até ás tuas mãos e sou dos edifícios da cidade um dos que hão-de ruir amanhã Tombaram-nos primeiro os avós e chega já a vez dos nossos pais Quando faltar um choupo no caminho da infância que vai dar ao rio receberemos no rosto a morte com a surpresa do primeiro homem Eu fui um dia um nome escrito numa pedra onde as mulheres da minha aldeia batiam a roupa que nos cobre no tempo E depois já não soube mais nada mas a primavera passou rente a mim: a morte fora continuava Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, pág. 39 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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