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É bom estarmos atentos ao rodar do tempo o outono por exemplo tem recantos entre dia e noite ao pé de certos troncos indecisos cercados um por um de sombras envolventes Rente às árvores vamos, húmidos humildes Dizem que é outono. Mas que época do ano toca nestas paredes que roçamos como gente que vai à sua vida e não avista o mar, afinal símbolo de quanto quer, ó Deus, ó mais redonda boca para os nomes das coisas para o nome do homem ou o homem do homem? Banho lustral de ausência é este tempo de pés postos na terra em puro esquecimento E vamo-nos perdendo de nós mesmos, vamos dispersos em bocados, vítimas do vento ficando aqui, ali, nalgum lugar que amamos Nada mais do que terra há quem ao corpo nos prometa Quem somos? Que dizemos? Reúna-nos um dia o toque da trombeta Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, págs. 106 e 107 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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