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Lendo há dias algumas passagens de uns discursos sobre a maneira de compor o romance e a tragédia, publicados por j. garibaldi no ano de 1554, chamou-me a atenção o longo processo que leonardo da vinci seguiu até pintar a cabeça de judas no seu quadro de a ceia. Depois de, mediante um aturado estudo dos evangelhos, ter reconstituído o ambiente e cada uma das personagens que tencionava representar, depois de ter pintado todo o quadro, só lhe faltava a cabeça. Todos os dias ia à procura dela ao borghetto, o bairro de milão onde naquele tempo se reunia a ralé. Até que finalmente a descobriu. Pegou nela, levou-a consigo e meteu-a no quadro. Semelhante descrição parece-me ilustrar um dos caminhos do poeta. Arranca esse senhor à linguagem quotidiana aquelas palavras que lhe faltavam para fechar um poema. Como é que lá chega? Pegando naquilo que vê, pensa ou sente e sacrificando-o ao fio da sua meditação. Despreza aquele conjunto de circunstâncias que rodeavam a palavra e dá nova arrumação à palavra liberta. Tanto faz que se fale de desumanização, como de falsidade, como de fingimento. Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, págs. 183 e 184 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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