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Deixa-me olhar-te pássaro real A saltitar nesta tarde esquecida Como uma clara afirmação de vida Mesmo porque esse teu corpo vale. Que alguma coisa morre em cada qual Leio-o nessa cabeça ao alto erguida Mas tens a alegria extrovertida De não sentir em ti o nosso mal. Somos contemporâneos meu amigo Por isso posso conviver contigo Compartilhar o orgulho de estar vivo. Eu penso e tu não pensas é que é certo: Tu a saltar e eu aqui tão perto A pensar que da morte não me privo. Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, pág. 164 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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