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Nem uma só pegada nos deixaste entre as areias desta praia que em dias e barcos nos é dada e à vida pertence dar um rosto Tudo é táctil demais à nossa volta e na pessoa quotidiana que passa incorrigivelmente descobrimos o anjo que nos diga: 'Não temas!' Só nos é dada a palavra o nosso modo humano de morder o tempo Não há outra saída para além de ficarmos hirtos sob as folhas que caem nupcialmente sobre nós e os sonhos Mas lá de quando em quando distante como um passado lembrado e então como se fosse para sempre tu és uma presença redonda no meu ombro de morte anjo de luz que apetece tocar em vez da terra que os dedos nos trazem dos dias e das metáforas mais ou menos subsistentes como a vida e as outras sombras e até as palavras quando ´são indiferentes Ruy Belo | 'Obra Poética de Ruy Belo' - Vol. 1, pág. 45 | Editorial Presença Lda., 1984
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Ruy Belo
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