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Quem te disse ao ouvido esse segredo Que raras deusas têm escutado – Aquele amor cheio de crença e medo Que é verdadeiro só se é segredado?... Quem to disse tão cedo? Não fui eu, que te não ousei dizê-lo. Não foi um outro, porque o não sabia. Mas quem roçou da testa teu cabelo E te disse ao ouvido o que sentia? Seria alguém, seria? Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei? Foi só qualquer ciúme meu de ti Que o supôs dito, porque o não direi, Que o supôs feito, porque o só fingi Em sonhos que nem sei? Seja o que for, quem foi que levemente, A teu ouvido vagamente atento, Te falou desse amor em mim presente Mas que não passa do meu pensamento Que anseia e que não sente? Foi um desejo que, sem corpo ou boca, A teus ouvidos de eu sonhar-te disse A frase eterna, imerecida e louca – A que as deusas esperam da ledice Com que o Olimpo se apouca. (Momento, nº 8, Abril de 1935)
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Fernando Pessoa
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