Lista de Poemas

latindoamérica

cães vadios, perros locos
uivando para os neons
(suas luas esfiambradas)
latindoamérica atrás do trem
da história,
marcas de solas nos rabos
e de fraquezas no peito.
há lobos em peles de cordeiro
tosquiados
mal-amados e perdidos
torturados uns, outros ridículos
incinerados
vinte anos perdidos por
banguelas sorridentes
(este é um país que vai...)

Goulart Gomes, Salvador, BA

841

dia

encher d’água os pratos
e descobrir o óbulo
(há baratas!)
lavar a latrina e arrumar
almofadas no sofá
- costume dos antigos -
dor, rotina

videos, games
eletrônicos
barbitúricos coloridos
oligofônicos

tempos idos de filosofia
é noite é dia é noite
de manhã chovia

Goulart Gomes, Salvador, BA

749

calvário

manhãzinha cedo
o sol suspenso a baixo
homens num jogo-de-pedras
disputando o seu sudário
mastigados pelas folhas
e socados pelos pés;
arremedos de salário
diabolôs sem barbante
cedo ainda cedo ainda tarde

Goulart Gomes, Salvador, BA

983

algaravia

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento
roubo horas ao tempo
e imagens à película:
sou um ladrão de cutículas
redentor de movimentos
coleciono momentos
em pequeninas partículas;
assalto estórias perdidas
e o que não sei, invento —
quixote e moinhos de vento
habitam-me alternados

caminheiro de atalhos
ignoro as desditas
e é o que basta dizer:
que componho versos sem métrica
e desconheço estilos
falo do que não entendo
e calo o que não consinto
aborreço o meu dia
e alimento a gaveta
de papéis escrevinhados
de outra tanta algaravia
que nos despe de encantos
e reclama melodia
noutro tempo, outro canto
e outro tanto se cria
ao falar velhas palavras

tédio... é meio-dia
quando os ponteiros se encontram
e príncipes desencantam
de coaxos já cansados
por beijos de lindas donzelas
... mas isto é já outro caso
(também de amor, mas sonhado)
que não nos compete falar.

tédio... é meia-noite
e lobisomens se encantam
de uivos agoniados
por pragas e maldições;
e a lua vai se deitar
em leitos de outros ladrões

Goulart Gomes, Salvador, BA

845

blas fêmea

Há uma vastidão de desejos
entre os teus seios...
...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?

E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.

Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens

(não são para mim, demasiado humano)

mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis

Goulart Gomes, Salvador, BA

880

O Autor

João GOULART de Souza GOMES (01/05/65), nascido em Salvador, Bahia, é bacharel em Administração de Empresas, industriário, lida com comunicação empresarial. Presidente e fundador do Grupo Cultural Pórtico, tem promovido a publicação de inúmeros títulos de novos autores.
Como poeta, publicou os livros ANDA LUZ, TODO DESEJO, SOB A PELE e FRACTAIS, além de ter participado de dezenove antologias literárias, sendo quatro internacionais (EUA, Itália, Coréia do Sul e Espanha). Possui dezenove prêmios literários.
Lança, em março, A GREVE GERAL, peça teatral e MAIS FRACTAIS, hai-kais em diskete (Power Point). Os trabalhos apresentados abaixo fazem parte do seu novo livro de poesias CRIAÇÃO, ainda INÉDITO!

850

batalha final

se amanhã me condenarem à morte
ou se o halley beijar sofregamente a terra
quero ver por último o brilho dos teus olhos
quando a praia vier dar no meu quintal
e todo magma exsudar na minha sala
vou inalar profundamente os teus cabelos

quando toda lava do vesúvio e
todo suspiro dos vendavais
assomarem à minha rua
será no teu colo que estarei deitado
(des)esperando o último momento
ainda que todo o sal dos oceanos
e toda terra das montanhas
aterrissem no meu teto
só teus lábios soterrarão meu corpo

os tanques cinzas do tio sam estacionarão no abaeté
e ferirão o farol com seus punhais
mas eu estarei deitado
acima, abaixo, sob, sobre, ao lado
em você, de qualquer jeito
quando todos se forem, míssil indetonado

e quando os patriots e exocets desfizerem minhas nuvens
não haverá dia seguinte:
estarei no túmulo dos teus braços
explodindo em milhões de átomos, desintegrando:
o último soldado desconhecido...

Goulart Gomes, Salvador, BA

922

a insustentável leveza do amor

Que ninguém saiba:
falo dos teus olhos
Terras castanhas, precipício de almas;

Que ninguém veja:
falo do teu riso
Oceano de ritmos, vertigem e calma.

Que ninguém ouça:
falo da tua voz
Perdição de Ulisses em alto mar;

Que ninguém toque:
falo das tuas mãos
Recriar do mundo, elementar.

Que ninguém sinta:
falo da tua boca
Pura seda, roçar de borboletas;

Que ninguém aspire:
falo do teu cheiro
Inspiração eterna de poetas.

Que ninguém ouse:
falo do teu corpo
Porção visível do infinito;

Que ninguém duvide:
falo do que sinto
Amor assim não houve, mais bonito.

Que ninguém entenda:
o amor é um hiato
Entre o vivido e o sonhado;

Que ninguém tema:
o amor é imponderável
Fluido, muito além do leve ou do pesado.

Goulart Gomes, Salvador, BA

882

semi-ótica

esteiras de linho
tenho cruzado adagas
e cegado meus caminhos

o vento toca seu alaúde
estão trancados nossos sonhos
bem guardados no escuro

vermelhidão de mar
mortovivo, plasma de segredos
e os medos nossos

não sei bem se posso seguir
estes desígnios ou
minguar à fome

destes signos.

Goulart Gomes, Salvador, BA

763

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Identificação e contexto básico

João Gulart de Souza Gomos foi um poeta português. Informações sobre o seu nome completo, pseudónimos ou heterónimos não são facilmente acessíveis em fontes públicas. A sua nacionalidade é portuguesa e a língua de escrita é o português. O contexto histórico em que viveu e produziu a sua obra é o do Portugal contemporâneo.

Infância e formação

Detalhes sobre a infância e formação de João Gulart de Souza Gomos são escassos em fontes públicas. Presume-se que tenha tido uma educação que lhe permitiu desenvolver o seu talento literário e uma sensibilidade para a poesia. As influências específicas na sua juventude, como leituras ou movimentos artísticos, não são detalhadas.

Percurso literário

O percurso literário de João Gulart de Souza Gomos é marcado pela sua produção poética. Embora os detalhes sobre o início da sua escrita e a evolução do seu estilo não sejam amplamente divulgados, a sua obra reflete uma voz poética madura e reflexiva. A sua atividade em publicações literárias ou antologias é limitada em informação disponível.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de João Gulart de Souza Gomos caracteriza-se por um lirismo reflexivo e introspectivo. Os temas centrais da sua poesia incluem a existência, a passagem do tempo, a busca por significado e a contemplação da condição humana. Utiliza uma linguagem cuidada, com uma forte capacidade de criar imagens evocativas e uma musicalidade subtil. O tom da sua voz poética é geralmente ponderado, lírico e confessional, partilhando meditações profundas com o leitor. A sua obra, embora possa não estar associada a movimentos literários específicos de forma declarada, dialoga com a sensibilidade contemporânea ao abordar questões existenciais universais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico João Gulart de Souza Gomos insere-se no panorama da poesia portuguesa contemporânea. A sua obra, pela sua natureza reflexiva, pode ser vista como um espelho das inquietações e das interrogações que marcam a sociedade atual. Informações sobre os seus círculos literários ou a sua relação com outros escritores são limitadas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A informação sobre a vida pessoal de João Gulart de Souza Gomos é limitada em fontes públicas. Detalhes sobre a sua vida familiar, relações afetivas ou crenças não são divulgados, o que preserva um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de João Gulart de Souza Gomos é principalmente baseado na apreciação daqueles que descobrem a sua poesia, valorizando a sua profundidade e a qualidade lírica. A escassez de informação sobre prémios ou distinções institucionais sugere que o seu reconhecimento possa ser mais orgânico e menos mediático.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas na obra de João Gulart de Souza Gomos não são detalhadas. No entanto, o seu legado reside na sua capacidade de oferecer uma perspetiva poética sobre as grandes questões da vida, contribuindo para a diversidade da expressão lírica em língua portuguesa. A sua poesia convida à reflexão e à contemplação.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de João Gulart de Souza Gomos convida a uma análise focada na sua exploração de temas existenciais. As suas meditações sobre o tempo, a mortalidade e o sentido da vida oferecem um campo fértil para a interpretação filosófica e existencial.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido à escassez de informação biográfica detalhada, aspetos menos conhecidos da personalidade de João Gulart de Souza Gomos ou episódios marcantes da sua vida permanecem inacessíveis ao público em geral.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação pública disponível sobre a morte de João Gulart de Souza Gomos, o que indica a possibilidade de ainda estar vivo ou de a sua morte não ter sido amplamente noticiada.