Lista de Poemas

Cromoterapia

Cromoterapia

(06/96)

Do vermelho, a mensagem: pare!
Puro paradoxo!
Me excita a boca sensual,
e sigo.

Do branco, as vestes da paz.
Pura coerência!
Mistura de todas as cores,
um dia...

Do rosa , fêz-se a Rosa.
Pura beleza!
Da cor, a flor. Minha irmã,
que adoro.

Do preto, diz-se ausência.
Puro preconceito!
Na noite se vive a vida,
marco presença.

Do verde, a essência: natureza.
Pura ecologia!
Matéria prima da preservação: o homem,
maduro.

Do amarelo, pinta-se o pálido.
Puro despeito!
Oriente, tua cabeça é guia,
e força.

Do azul, o céu, a glória.
Puro pleonasmo!
Teu nome reflete as estrelas,
Cruzeiro.

872

Utopia e Paixão

Utopia e Paixão

(10/92)
Poderia ser longa a minha espera,
Não estivesses sendo tu, a esperada.
Me encheria, quem sabe, o peito, a ansiedade,
De ser teu sonho e, também, realidade.

Preferia no entanto, por mais efêmera,
Que fosse a tua, igual a minha vontade,
De estares em meu tato e na minha visão,
Na audição, no paladar e no olfato.
Pois em meus sentidos, não serias utopia.
Por mais fugaz que fosse o sentimento,
Certamente seria uma paixão.

839

Num Segundo, O Milênio

Num Segundo, O Milênio

(05/93)

Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
De mil passarás e a dois mil não chegarás!
Um por todos e todos por um.
De dois mil passarás e a três mil, quem saberá?
Chegaremos a lugar algum?
O tempo avança: Segundo, hora, milênio...
O mundo cansa: Urânio, ouro, oxigênio...
Elemento ou tempo? Tempo ou elemento?
O que mais importa no momento?
O que poderá nos salvar?

727

Ingenuidade

Ingenuidade

(07/86)
Sei que és como um rio
Que possui águas turvas,
Mas prefiro na estrada
A surpresa das curvas,
À certeza das retas.

Certas coisas são certas,
Assim como os segredos,
Que existem em seus olhos,
E que só dentro deles
É que se pode ver:
Que eu não posso ser tudo,
Muito menos ser nada
Que eu não posso ser sonho,
Nem felicidade,
Que eu não posso ser vida,
Assim sem você.

1 001

Amartemática

Amartemática

(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.

Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?

Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.

Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.

Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.

Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.

Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.

631

Poema em Linha Torta

Poema em Linha Torta

(05/93)
Que bom que é a vida,
Quando ela é servida,
Com catupiry.
Que bom que é a vida,
Mesmo sofrida,
Se você sabe rir.
E eu gosto de rir.
E eu sei fazer rir.
Serei eu um palhaço?
E o palhaço o que é?
É ladrão de mulher.
Ôba, então que bom
Que eu sou um palhaço!!!
Que bom que eu caço,
Que bom que eu laço,
Que bom que eu traço,
Meu destino e tentação.
E apesar de todo crivo,
Que bom que eu vivo,
Que bom que eu sirvo,
Que bom que eu sou João.
Que bom praticar esporte,
Me cansa, descansa,
Me torna criança,
E ajuda a adiar a morte.
Que bom que é ter sorte,
Ser jovem, ser forte,
E ter muito dinheiro.
Que bom que é ter fogo,
Que bom se tem jogo,
E se vence, o cruzeiro.
Que bom que é o Brasil,
Quando ele é servido,
Ao óleo e ao alho.
Que bom que é o Brasil,
Mesmo sendo sofrido,
Ele é nosso galho.

1 015

O Tempo e a Vida

O Tempo e a Vida

(04/96)

Da vida vivida, a medida é o estado de energia,
e o limite é o próprio tempo: remédio e dimensão.
Passado, presente e futuro, fases da cronologia,
resultante da vivência, da razão e emoção.

Não se vive do passado, o passado, já passou,
não se muda ou se arrepende, se aprende e a bola rola.
Se o presente está errado, se ele é o fardo que restou,
então se muda, se corrige ou se joga a vida fora.

A vida se apresenta e vivo hoje, e vivendo eu faço a hora.
O sonho, eu sonho agora e realizo no amanhã.
O passado foi embora, é uma novela que acabou.

Se o tempo não parou, não sou eu quem vai parar,
comete suicídio, quem vive de passa-tempo,
desperdiçar o momento, é a vida, que se quer matar.

847

Acróstico II

Acróstico II

(01/93)
Gracioso e doce, teu sorriso é a paz que nos encanta,
Acalenta, revigora e também nos faz sonhar,
Beija-flor que se preza, quer de ti aroma e beijos,
Ritual de ternura, simplesmente tens no olhar.
Iluminaste e completaste, ao raiares, nosso mundo,
Extravasando exuberância nas diversas dimensões,
Labaredas coloridas, de um amor mais que profundo,
Ateaste em nossas vidas e em nossos corações.

Carregas dentro em ti tanta luz, tanta alegria,
Retórica sublime sabes significar.
Inebriante, cada vez mais tu te tornas dia a dia,
Sensação de que a nós, sempre estarás a iluminar.
Tivesse eu o direito, de almejar a qualquer graça,
Intransigentemente saberia, sempre o que pedir.
Não seria ouro, ou pedras preciosas minha escolha,
A vida inteira somente, queria te ver sorrir.

803

Acróstico I

Acróstico I

(10/92)
Luz, raiaste, brilhaste intensamente,
Uníssono de louvor ao criador.
Instigante, deslumbrante, enaltecida,
Sangue, coração. Tu és só vida,
Acariciaste com tua presença nosso amor.

Cravo ou rosa? De que cor?
Anunciaste cedo que serias flor.
Retratada em prosa, verso ou aquarela,
Ostentas de maneira sempre bela,
Lindos, negros, olhos e cabelo a emoldurar.
Indescritível intensidade de amor, impossível de sonhar.
Nasceste para ser nossa rainha, nunca estarás sozinha,
Acima de tudo, viveremos pra te amar.

1 114

Soneto da Mulher Azul

Soneto da Mulher Azul

(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.

Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.

Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.

Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.

849

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Identificação e contexto básico

João Marcio Furtado Costa é um poeta cuja obra se insere no panorama literário contemporâneo. A sua escrita em língua portuguesa o posiciona no vasto universo da literatura lusófona.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de João Marcio Furtado Costa não estão amplamente disponíveis. No entanto, presume-se que o seu percurso educativo e as suas experiências de vida tenham contribuído para o desenvolvimento da sua sensibilidade poética e para a sua visão de mundo.

Percurso literário

O percurso literário de João Marcio Furtado Costa é marcado pela sua dedicação à poesia. A sua obra, embora possa não ter tido a mesma visibilidade de autores com percursos mais extensos em termos de publicações e participação em movimentos literários, revela uma voz poética consistente e um olhar atento sobre os temas que aborda. A evolução do seu estilo e temática é um aspeto a ser explorado em análises mais aprofundadas da sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A poesia de João Marcio Furtado Costa caracteriza-se por uma forte veia lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a passagem do tempo, a natureza e a condição humana. A sua linguagem é frequentemente depurada, privilegiando a clareza e a expressividade, sem prescindir da profundidade imagética. O ritmo e a musicalidade dos seus versos conferem uma qualidade melódica à sua escrita. O tom poético tende a ser contemplativo e reflexivo, convidando o leitor a uma imersão nas emoções e pensamentos expressos. A relação entre a tradição poética e a modernidade pode ser um aspeto interessante a ser analisado na sua obra, assim como a sua eventual associação a movimentos literários específicos.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico João Marcio Furtado Costa está inserido no contexto cultural e histórico do seu tempo, refletindo, através da sua poesia, as sensibilidades e os desafios da sociedade contemporânea. A sua obra dialoga, implícita ou explicitamente, com as correntes literárias e culturais que o rodeiam, contribuindo para a diversidade e riqueza da produção poética atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de João Marcio Furtado Costa, como relações afetivas, familiares ou experiências de vida marcantes, não são facilmente acessíveis em fontes públicas. A sua obra poética, contudo, sugere uma profunda capacidade de introspeção e uma sensibilidade apurada para as nuances da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de João Marcio Furtado Costa pode advir da sua participação em círculos literários, publicações em antologias ou revistas, e da receção crítica que a sua poesia possa ter obtido. A valorização do seu trabalho reside na sua capacidade de emocionar e de provocar a reflexão através de uma expressão poética autêntica e cuidada.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de João Marcio Furtado Costa na poesia podem derivar de autores clássicos e contemporâneos que partilham o seu interesse por temas líricos e existenciais. O seu legado, ainda que em construção, assenta na qualidade da sua expressão poética e na sua capacidade de conectar-se com os leitores através de versos que exploram a beleza e a complexidade da vida.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de João Marcio Furtado Costa oferece um campo fértil para a interpretação e análise crítica, especialmente no que concerne à exploração dos sentimentos humanos, à passagem inexorável do tempo e à relação do ser humano com o mundo natural. As suas reflexões existenciais e a sua abordagem lírica convidam a leituras que aprofundem as suas interrogações sobre a existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de João Marcio Furtado Costa não são amplamente divulgadas. A sua dedicação à poesia sugere um artista que encontra na criação literária um espaço de expressão e de autoconhecimento.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de João Marcio Furtado Costa, o que sugere que o autor possa estar vivo ou que os registos sobre o seu falecimento não sejam públicos.