Cromoterapia
Cromoterapia
(06/96)
Do vermelho, a mensagem: pare!
Puro paradoxo!
Me excita a boca sensual,
e sigo.
Do branco, as vestes da paz.
Pura coerência!
Mistura de todas as cores,
um dia...
Do rosa , fêz-se a Rosa.
Pura beleza!
Da cor, a flor. Minha irmã,
que adoro.
Do preto, diz-se ausência.
Puro preconceito!
Na noite se vive a vida,
marco presença.
Do verde, a essência: natureza.
Pura ecologia!
Matéria prima da preservação: o homem,
maduro.
Do amarelo, pinta-se o pálido.
Puro despeito!
Oriente, tua cabeça é guia,
e força.
Do azul, o céu, a glória.
Puro pleonasmo!
Teu nome reflete as estrelas,
Cruzeiro.
Gênero
Gênero
(11/96)
Não importa se acham que é bom
e muito menos se pensam que é mau
o que interessa é só o tom
usado pra elevar o moral
Quem procura e acha, pensa
que o achado o salvará
mas não vê que a recompensa
está mesmo é no alvará
Não concebo o descaso e espero
que venha, dos Deuses, a cólera
e desabe por sobre a cabeça
dos homens que permitem o cólera
Ao se pesar o passado
não é necessário fazer drama
vê-se logo que não tem tanto peso
se comparado ao grama
Vestidos de determinadas damas
me fazem perder os sentidos
o corpo consome-se em chamas
mesmo se dorme, a libido
Sabe o que penso do gênero?
é fundamental, pois a mensagem
pode ter sentido efêmero
se não incorporar a personagem
Reflexão
Reflexão
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
Acróstico I
Acróstico I
(10/92)
Luz, raiaste, brilhaste intensamente,
Uníssono de louvor ao criador.
Instigante, deslumbrante, enaltecida,
Sangue, coração. Tu és só vida,
Acariciaste com tua presença nosso amor.
Cravo ou rosa? De que cor?
Anunciaste cedo que serias flor.
Retratada em prosa, verso ou aquarela,
Ostentas de maneira sempre bela,
Lindos, negros, olhos e cabelo a emoldurar.
Indescritível intensidade de amor, impossível de sonhar.
Nasceste para ser nossa rainha, nunca estarás sozinha,
Acima de tudo, viveremos pra te amar.
O Tempo e a Vida
O Tempo e a Vida
(04/96)
Da vida vivida, a medida é o estado de energia,
e o limite é o próprio tempo: remédio e dimensão.
Passado, presente e futuro, fases da cronologia,
resultante da vivência, da razão e emoção.
Não se vive do passado, o passado, já passou,
não se muda ou se arrepende, se aprende e a bola rola.
Se o presente está errado, se ele é o fardo que restou,
então se muda, se corrige ou se joga a vida fora.
A vida se apresenta e vivo hoje, e vivendo eu faço a hora.
O sonho, eu sonho agora e realizo no amanhã.
O passado foi embora, é uma novela que acabou.
Se o tempo não parou, não sou eu quem vai parar,
comete suicídio, quem vive de passa-tempo,
desperdiçar o momento, é a vida, que se quer matar.
Auto-Estima
Auto-Estima
(11/96)
Se não me perdôo,
por não ser perfeito,
não vou alçar vôo,
pode não ser direito
Se me cega, a miopia,
e a auto-crítica imputa,
de que vale, no peito,
bater "mea culpa"
Se pra todos entôo,
meu maior defeito,
pode ser de enjôo,
o derradeiro efeito
Se pra acertar o alvo,
é, me imposta, uma multa,
esperar ficar calvo,
é um preço que insulta
Se eu preciso paciência,
pra viver diferenças,
e o que sobra é carência,
paz encontro em minhas crenças
Mas no jogo da vida,
pra buscar o reverso,
e tê-la bem resolvida,
mais que apoio, é o verso
Que resgata da alma,
o que anima e ensina,
e regenera, na calma,
o vigor da auto-estima.
Soneto da Mulher Azul
Soneto da Mulher Azul
(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.
Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.
Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.
Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.
Dois mil e BUM
Dois mil e BUM
(12/96)
Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Sei que foi fatalidade, mas perdeste a identidade,
Em dois dígitos já não cabes mais. És a mazela,
Que nos computadores, gerou calamidade provocando dores,
Que ninguém duvide, universais.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
Disseram que de mil tu passarias,
E que a dois mil não chegarias,
Mesmo se um por todos e todos por um.
Já houve quem pensasse, antever o apocalipse,
Consequência derradeira de um eclipse,
Ou suicídio coletivo, numa guerra mundial.
Porém, ninguém, por mais que fosse visionário,
Pensaria ser possível, resultar tal corolário,
Nem Nostradamus vislumbrou final igual.
Acabar-se na clandestinidade, morto-vivo, que infelicidade
nos bancos de dados institucionais.
Acróstico II
Acróstico II
(01/93)
Gracioso e doce, teu sorriso é a paz que nos encanta,
Acalenta, revigora e também nos faz sonhar,
Beija-flor que se preza, quer de ti aroma e beijos,
Ritual de ternura, simplesmente tens no olhar.
Iluminaste e completaste, ao raiares, nosso mundo,
Extravasando exuberância nas diversas dimensões,
Labaredas coloridas, de um amor mais que profundo,
Ateaste em nossas vidas e em nossos corações.
Carregas dentro em ti tanta luz, tanta alegria,
Retórica sublime sabes significar.
Inebriante, cada vez mais tu te tornas dia a dia,
Sensação de que a nós, sempre estarás a iluminar.
Tivesse eu o direito, de almejar a qualquer graça,
Intransigentemente saberia, sempre o que pedir.
Não seria ouro, ou pedras preciosas minha escolha,
A vida inteira somente, queria te ver sorrir.
Amartemática
Amartemática
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.