Cromoterapia
Cromoterapia
(06/96)
Do vermelho, a mensagem: pare!
Puro paradoxo!
Me excita a boca sensual,
e sigo.
Do branco, as vestes da paz.
Pura coerência!
Mistura de todas as cores,
um dia...
Do rosa , fêz-se a Rosa.
Pura beleza!
Da cor, a flor. Minha irmã,
que adoro.
Do preto, diz-se ausência.
Puro preconceito!
Na noite se vive a vida,
marco presença.
Do verde, a essência: natureza.
Pura ecologia!
Matéria prima da preservação: o homem,
maduro.
Do amarelo, pinta-se o pálido.
Puro despeito!
Oriente, tua cabeça é guia,
e força.
Do azul, o céu, a glória.
Puro pleonasmo!
Teu nome reflete as estrelas,
Cruzeiro.
Soneto da Mulher Azul
Soneto da Mulher Azul
(10/93)
Me inspiro em ti, valor vital, inestimável,
E miro as sombras do teu lado inexplorado.
Mesmo da poesia, sendo inexperiente,
Transformo em versos teu mistério inescrutável.
Te sinto fonte, de prazer, inesgotável,
Mas meu desejo, de tão grande é inexistente,
Pois te alcançar, plenamente, é inexeqüível,
Se tu és, às vezes, tranca inexpugnável.
Não veja em mim um homem inescrupuloso,
Por procurar não explicar teu inexplicável,
E te vestir com essas metáforas inexatas.
Pois o teor das palavras talvez seja inexpressivo,
Diante da magia, que de forma inesperada,
Te esculpiu em minha mente, mulher inesquecível.
Acróstico II
Acróstico II
(01/93)
Gracioso e doce, teu sorriso é a paz que nos encanta,
Acalenta, revigora e também nos faz sonhar,
Beija-flor que se preza, quer de ti aroma e beijos,
Ritual de ternura, simplesmente tens no olhar.
Iluminaste e completaste, ao raiares, nosso mundo,
Extravasando exuberância nas diversas dimensões,
Labaredas coloridas, de um amor mais que profundo,
Ateaste em nossas vidas e em nossos corações.
Carregas dentro em ti tanta luz, tanta alegria,
Retórica sublime sabes significar.
Inebriante, cada vez mais tu te tornas dia a dia,
Sensação de que a nós, sempre estarás a iluminar.
Tivesse eu o direito, de almejar a qualquer graça,
Intransigentemente saberia, sempre o que pedir.
Não seria ouro, ou pedras preciosas minha escolha,
A vida inteira somente, queria te ver sorrir.
Reflexão
Reflexão
(03/96)
Não procuro consolo,
A inocência se foi,
Se não fomos um todo,
Nada fomos depois.
Mas eu busco o resgate,
Digo não à razão,
Se cresci no vazio,
Ainda tenho o meu chão.
Nesse resto de estrada,
Se é a paixão quem conduz,
Atravesso o túnel,
Ao encontro da luz.
Quero crer na verdade,
Ressuscito o meu fogo,
Se é fato, a vontade,
Venceremos o jogo.
Recomêço e respeito,
O início, principia do fim.
Se abrires teu peito,
Então serás meu jardim.
Se eu paro e espero,
Vou querer respirar,
Mas se sei o que quero,
Por que não te encontrar?
Rasgo o orgulho, proponho,
Viverás só pra mim!
Instância, és de sonho,
Quando dizes que sim.
Pois mais vale a acolhida,
Que forneces ao par,
E anuncias a vida,
Se puderes me amar.
Poema em Linha Torta
Poema em Linha Torta
(05/93)
Que bom que é a vida,
Quando ela é servida,
Com catupiry.
Que bom que é a vida,
Mesmo sofrida,
Se você sabe rir.
E eu gosto de rir.
E eu sei fazer rir.
Serei eu um palhaço?
E o palhaço o que é?
É ladrão de mulher.
Ôba, então que bom
Que eu sou um palhaço!!!
Que bom que eu caço,
Que bom que eu laço,
Que bom que eu traço,
Meu destino e tentação.
E apesar de todo crivo,
Que bom que eu vivo,
Que bom que eu sirvo,
Que bom que eu sou João.
Que bom praticar esporte,
Me cansa, descansa,
Me torna criança,
E ajuda a adiar a morte.
Que bom que é ter sorte,
Ser jovem, ser forte,
E ter muito dinheiro.
Que bom que é ter fogo,
Que bom se tem jogo,
E se vence, o cruzeiro.
Que bom que é o Brasil,
Quando ele é servido,
Ao óleo e ao alho.
Que bom que é o Brasil,
Mesmo sendo sofrido,
Ele é nosso galho.
O Tempo e a Vida
O Tempo e a Vida
(04/96)
Da vida vivida, a medida é o estado de energia,
e o limite é o próprio tempo: remédio e dimensão.
Passado, presente e futuro, fases da cronologia,
resultante da vivência, da razão e emoção.
Não se vive do passado, o passado, já passou,
não se muda ou se arrepende, se aprende e a bola rola.
Se o presente está errado, se ele é o fardo que restou,
então se muda, se corrige ou se joga a vida fora.
A vida se apresenta e vivo hoje, e vivendo eu faço a hora.
O sonho, eu sonho agora e realizo no amanhã.
O passado foi embora, é uma novela que acabou.
Se o tempo não parou, não sou eu quem vai parar,
comete suicídio, quem vive de passa-tempo,
desperdiçar o momento, é a vida, que se quer matar.
Amartemática
Amartemática
(03/96)
Tem-se na adrenalina,
um perfeito combustível,
pra tornar a linha reta,
caminho impossível.
Por que, então, sentir-se,
andando em círculos,
se na verdade, somente,
perdeste os vínculos?
Vê que a sensação,
é de tormento e de frio,
quando a interseção,
é um conjunto vazio.
Se não é quadrado, o cateto,
ou se a hipotenusa é saliente,
pode pintar um triângulo,
de amor resiliente.
Relações de conjuntos,
tendendo a viscerais,
resolvem-se na união,
de soluções integrais.
Se plenas de prazer,
que sejam constantes,
ou frequência baixa,
para fases distantes.
Derivadas do amor,
são riscos incólumes,
dão origem às flores,
e séries de proles.
Auto-Estima
Auto-Estima
(11/96)
Se não me perdôo,
por não ser perfeito,
não vou alçar vôo,
pode não ser direito
Se me cega, a miopia,
e a auto-crítica imputa,
de que vale, no peito,
bater "mea culpa"
Se pra todos entôo,
meu maior defeito,
pode ser de enjôo,
o derradeiro efeito
Se pra acertar o alvo,
é, me imposta, uma multa,
esperar ficar calvo,
é um preço que insulta
Se eu preciso paciência,
pra viver diferenças,
e o que sobra é carência,
paz encontro em minhas crenças
Mas no jogo da vida,
pra buscar o reverso,
e tê-la bem resolvida,
mais que apoio, é o verso
Que resgata da alma,
o que anima e ensina,
e regenera, na calma,
o vigor da auto-estima.
Acróstico I
Acróstico I
(10/92)
Luz, raiaste, brilhaste intensamente,
Uníssono de louvor ao criador.
Instigante, deslumbrante, enaltecida,
Sangue, coração. Tu és só vida,
Acariciaste com tua presença nosso amor.
Cravo ou rosa? De que cor?
Anunciaste cedo que serias flor.
Retratada em prosa, verso ou aquarela,
Ostentas de maneira sempre bela,
Lindos, negros, olhos e cabelo a emoldurar.
Indescritível intensidade de amor, impossível de sonhar.
Nasceste para ser nossa rainha, nunca estarás sozinha,
Acima de tudo, viveremos pra te amar.
Bebida dos Deuses
Bebida dos Deuses
(12/94)
Como um bom vinho, elaborado, tu és muito especial,
Dia após dia, és natal,
E a cada noite és carnaval,
Pois basta um toque, e tu te inflamas.
Mas não és pra ser sorvida de uma só vez e se acabar,
Melhor em doses homeopáticas,
Onde podemos desprezar as táticas,
E sermos nós mesmos pra sonhar.
Não foi num cálice, que eu pensei furtivamente,
Em te derramar mais transparente,
Para melhor te brindar e degustar.
E tornar então, sem ser brando e indiferente,
Mais ávido o meu inconsciente,
Pra cada vez mais, querer te amar.