José Augusto de Carvalho

José Augusto de Carvalho

1917–1997 · viveu 80 anos

José Augusto de Carvalho foi um poeta cuja obra se insere no contexto literário português do século XIX. Caracterizado por uma poesia de feição romântica e, por vezes, com tons de saudosismo e melancolia, explorou temas universais como o amor, a natureza e a fugacidade do tempo. A sua escrita é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade lírica que o aproximam de outros vultos da poesia da sua época.

n. 1917-05-26, Mirandiba · m. 1997-08-08, Caruarumorte

4 522 Visualizações

A recusa!


Recuso ser, na noite, a sombra que desenha
a angústia indefinida e fria deste cais.
O que tiver de vir, se mais houver, que venha,
Mostrengo, Adamastor e Fim do Nunca Mais!

O leme se quebrou. Ao vento, as rotas velas
ensaiam os sinais das barcas à deriva.
Que velhas perdições?! Na consciência delas,
assombram predições doendo em carne viva.

Que venham os pinhais gritar o desafio
do tempo por haver que acena o amanhecer
além deste torpor indefinido e frio!

Que venha a tentação sortílega tecer,
com arte com engenho, o já lendário fio
da espera que germina um novo acontecer!...


20 de Abril de 2010
Viana do Alentejo


Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

José Augusto de Carvalho foi um poeta português. O contexto histórico em que viveu foi o século XIX, um período de importantes transformações sociais e políticas em Portugal e na Europa.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a sua infância e formação não são amplamente documentadas, mas pressupõe-se que tenha tido acesso a uma educação que lhe permitiu desenvolver o seu talento literário.

Percurso literário

O seu percurso literário desenvolveu-se no contexto da poesia portuguesa do século XIX. Embora não seja um dos nomes mais proeminentes, contribuiu para a paisagem literária da sua época com uma obra que reflete as sensibilidades românticas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de José Augusto de Carvalho são geralmente caracterizadas por uma abordagem lírica e introspectiva. Os temas recorrentes incluem o amor, a natureza, a passagem do tempo e a saudade. O seu estilo é marcado pela utilização de uma linguagem cuidada, com um ritmo que evoca a musicalidade do verso, embora as suas formas poéticas possam não ter sido particularmente experimentais, tendendo para as estruturas mais tradicionais.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu num período em que o Romantismo ainda exercia forte influência, mas também se anunciavam novas correntes literárias. A sua obra dialoga, de forma implícita ou explícita, com as preocupações estéticas e existenciais da sua geração.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a sua vida pessoal são escassos na documentação pública disponível.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de José Augusto de Carvalho na história da literatura portuguesa não atinge a projeção de outros poetas contemporâneos. A sua obra, no entanto, representa um testemunho da produção poética do século XIX.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que tenha sido influenciado por poetas românticos portugueses e europeus. O seu legado reside na contribuição para a diversidade da poesia oitocentista portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A análise crítica da sua obra tende a situá-la no panorama do lirismo romântico, com particular atenção à exploração de sentimentos e à observação da natureza.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Faltam informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da sua vida e obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre a sua morte e a forma como é recordado na memória literária são limitadas.

Poemas

3

Desmistificação

Trago nos pés o cansaço
que há em todas as estradas!
Palmilhei-as passo a passo
e nunca as dei por andadas!...

Descansei junto aos valados
Dormia comigo a lua,
e a meu lado, toda nua,
os dois, num só, abraçados!

O sol vinha com o orvalho,
acordar-nos!
Eu voltava ao meu trabalho;
ela, ao céu, já manhã cedo.
Até que à noite, em segredo,
vinha de novo abraçar-nos...

820

O Maltês

Já fui maltês e ladrão
de quanto me foi roubado!
Meu covil foi o montado,
meu camarada, o suão.

Fui livro à minha maneira,
como um homem deve ser!
A lei dei a conhecer
da mira da caçadeira...

Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!

Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...

936

A recusa!


Recuso ser, na noite, a sombra que desenha
a angústia indefinida e fria deste cais.
O que tiver de vir, se mais houver, que venha,
Mostrengo, Adamastor e Fim do Nunca Mais!

O leme se quebrou. Ao vento, as rotas velas
ensaiam os sinais das barcas à deriva.
Que velhas perdições?! Na consciência delas,
assombram predições doendo em carne viva.

Que venham os pinhais gritar o desafio
do tempo por haver que acena o amanhecer
além deste torpor indefinido e frio!

Que venha a tentação sortílega tecer,
com arte com engenho, o já lendário fio
da espera que germina um novo acontecer!...


20 de Abril de 2010
Viana do Alentejo


895

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.