Luís Francisco Bicudo
1884–1918
· viveu 34 anos
PT
n. 1884, Ponta Delgada · m. 1918, Ponta Delgada
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Biografia
Poeta açoriano, de uma família aristocrática micaelense, professou, no entanto, ideias republicanas, tendo-se filiado na Maçonaria quando era ainda estudante no Liceu de Ponta Delgada e participado em actividades antimonárquicas durante o curso de Direito, que seguiu em Coimbra de 1903 a 1908. Após a formatura, matriculou-se no Curso Superior de Letras de Lisboa, mas logo abandonou o projecto de aí prosseguir estudos, preferindo viajar pela Europa, o que fez longamente de 1909 a 1912. No decurso dessa viagem tomou conhecimento do futurismo italiano através do órgão daquele movimento – a revista Poesia que se publicava em Milão –, assim como do Manifesto de F. T. Marinetti, saído no Figaro, de Paris, em 20 de Fevereiro de 1909, e de uma entrevista do seu autor concedida pouco depois à revista francesa Comoedia os quais (manifesto e entrevista) verteu em vernáculo e citou, na íntegra, num artigo que redigiu em Génova em Julho de 1909 e publicou em 5 de Agosto do mesmo ano no Diário dos Açores, de Ponta Delgada. Nesse artigo filiava o futurismo na «filosofia tresloucada» de Nietzsche («um doido», dizia) «Cujos continuadores», (entre os quais os futuristas) considerava «histéricos e nevróticos produtos da degrenerescência do século». Do «criador da nova escola literária» (Marinetti) informava, no entanto, ser um «célebre poeta italiano que também e brilhantemente escrevia em francês». Quando morreu (suicidando-se, aos 33 anos de idade), o futurismo em Portugal estava no auge (o Portugal Futurista tinha-se publicado meses antes), mas a sua versão do texto fundador daquele movimento na Europa (a primeira em língua portuguesa) ficara à margem da história. Ele mesmo, do resto, não se tinha deixado seduzir pela «violência destruidora e incendiária» do programa futurista, conservando-so fiel aos moldes tradicionais em que se iniciara, como poeta, em Coimbra, pelos começos do século, ligado ao grupo vitalista da revista Arte & Vida (1903/1904), de Manuel de Sousa Pinto e João de Barros. A sua obra ficou até hoje dispersa.
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