Luís Vicente Álvares
1877–1944
· viveu 67 anos
PT
n. 1877, Setúbal · m. 1944, Lourenço Marques
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Biografia
Jornalista e poeta. Estudou no Liceu Nacional de Nova Goa e no Seminário de Rachol, cujo curso de Teologia completou em 1903. De 1895 a 1906 colaborou nos semanários de Bombaim Luz Bombaense e O Anglo-Lusitano. Em 1907 foi para Lourenço Marques, onde se empregou num banco inglês. Naquela cidade começou por colaborar nos jornais A Vida Nova, semanário republicano (1907-1910), O Africano, dirigido à população de cor e custeado pela Maçonaria, O Brado Africano, órgão dos naturais de Moçambique de cor, e em O Direito. Nesses jornais foi precursor na luta contra a descriminação racial, usando sempre nos seus escritos de argumentação baseada na moral cristã, a qual tinha a ver com o seu catolicismo quase fanático. Em 1919, numa época em que os indo-portugueses eram fortemente descriminados em Moçambique, inclusivamente pela própria Igreja Católica de que eram fiéis, a qual não permitia que os seus filhos se matriculassem nos colégios que lhe pertenciam, então só reservados a «filhos de pais europeus», Luís Vicente Álvares fundou um semanário católico, intitulado, O Oriente e que tinha o seguinte e significativo lema: «A lei é igual para todos sem outra diferença que não seja a dos seus talentos e virtudes – Respeito ao mérito individual». Aí continuou as suas lutas anti-descriminatórias até que a primeira lei de imprensa do Estado Novo lhe encerrou o jornal em 1927. Voltou à sua cruzada, em 1932, com O Oriente d' África, substituído em 1933 de novo por O Oriente que até à morte do fundador continuou a ser por ele redigido dentro dos seus intransigentes princípios católicos e de defesa dos indo-portugueses. Após a morte de Vicente Álvares e de várias vicissitudes que teve sob a direcção de um filho, o semanário viria a morrer curiosamente às mãos da Igreja, após ter sido doado à Arquidiocese de Lourenço Marques com a obrigação expressa e por ela documentalmente aceite de não mais interromper a sua publicação. Em livro, a sua obra principal é um poema: Apóstrofe Dissonante: Canto Preliminar à Visão da Eternidade, Epopeia da Humanidade (1911).
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