Luísa Ducla Soares

Maria Luísa Bliebernicht Ducla Soares de Sottomayor Cardia é uma escritora portuguesa que se tem dedicado especialmente a literatura infantil.

Lisboa
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Alguns Poemas

Luísa Ducla Soares nascida em 1939, em Lisboa, licenciada em Filologia Germânica e assessora na Biblioteca Nacional até à sua aposentação, sempre aliou às suas preocupações pedagógicas a vertente lúdica e a curiosidade pelos media, tendo escrito vinte e seis guiões televisivos sobre a língua portuguesa e colaborado com a equipa do programa «Rua Sésamo». Na sua juventude, colaborara em diversos jornais e revistas e estreou-se na escrita literária com um livro de poemas para o público adulto, Contrato, em 1970, na sequência de um estreito relacionamento, ainda na universidade, com poetas do grupo Poesia 61 Neto Jorge, Fiama Pais Brandão, Gastão Cruz e outros).Investigadora e divulgadora da literatura oral/popular/tradicional, e da literatura infanto-juvenil, com algumas excelentes incursões na tradução, é sobretudo autora de mais de uma centena de livros originais – contos, poesia, uma peça de teatro e algumas narrativas para jovens – que se dirigem a públicos variados, embora com maior incidência nas faixas etárias dos 5-6 e 8-11 anos.Coerente com as suas opções ideológicas, recusou o Grande Prémio da Literatura Infantil que, em 1973 – ou seja, ainda no tempo da ditadura –, o S.N.I. (Secretariado Nacional de Informação) pretendeu atribuir-lhe, pelo livro História da papoila, aceitando, porém, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças para o melhor texto do biénio 1984-5, por 6 Histórias de encantar, em cuja introdução afirma: «Lúdico, tradicional, insólito ou ligado à ficção científica,o maravilhoso pode constituir um complemento à monotonia do quotidiano, uma forma de humor, uma pedrada no charco, um desafio à imaginação.»Na sua poesia (Poemas da mentira... e da verdade, A Gata Tareca e outros poemas levados da breca, entre outros títulos) imaginosa e irreverente, o próprio sentido das palavras é questionado e reina, por vezes, o nonsense das «rimas infantis». De referir, aliás, que várias composições poéticas da Autora foram convertidas em canções, tendo sido editado, em 1999, um CD com textos de sua autoria musicados por Suzana Ralha. O CD intitulou-se 25, pelo facto de ser composto por 25 canções e de a sua edição se ter enquadrado na comemoração dos 25 anos da Revolução de 25 de Abril.Os seus contos recusam o adocicado estereótipo do universo infantil, ao qual contrapropõem, numa linguagem coloquial, transbordante de sentido de humor, um mundo em que a felicidade se conquista com as próprias forças, quer se seja um rapaz (O rapaz e o robô) ou uma bruxa (A vassoura mágica). Percorrendo toda a galeria das personagens mais amadas – vampiros, fantasmas, sereias, monstros, dragões, dinossáurios e robôs –, subtilmente instila a mensagem de que ser diferente é ser complementar, semente fértil de amizade. Nos seus últimos livros, quer de poesia quer de contos, e de modo muito eficaz, logra tematizar com naturalidade e sensibilidade questões muito actuais como o materialismo e o consumismo exacerbados da sociedade contemporânea, bem como tópicos relacionados com a condição dos imigrantes, a guerra e o racismo. O humor, como já foi dito, é outra das suas imagens de marca e um dos factores do seu sucesso junto dos leitores. De referir ainda que, embora seja escritora e não ilustradora, muitos dos seus textos para leitores mais pequenos ou mesmo pré-leitores evidenciam, pela sua estrutura, uma especial vocação para a transformação em álbuns ou picture books, sobretudo quando potenciados por ilustradores de qualidade, como sucedeu em Os ovos misteriosos (obra sobre a valorização das diferenças como elemento de força de um grupo social), parceria feliz com Manuela Bacelar.No contexto desta obra individualiza-se, porque dirigido aos 12-14 anos, Diário de Sofia e C.ª aos 15 anos, em que aborda as preocupações da adolescência actual num registo tão verosímil, que a própria filha acreditou que lhe tinha lido o diário.Êxito garantido junto de crianças grandes leitoras e das que não gostam de ler, tardou a distinção com que, em 1996, o conjunto da sua obra foi galardoado: o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, sinal do reconhecimento público de uma das vozes mais interessantes da nossa literatura para a infância. Em 2004, a Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil (Secção Portuguesa do International Board on Books for Young People propôs Luísa Ducla Soares – que tem títulos seus traduzidos em francês e em várias línguas do estado espanhol – como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen.Bibliografia selectiva: História da papoila (1972), Lisboa: Estúdios Cor; O soldado João (1973), Lisboa: Estúdios Cor; O dragão (1982), Lisboa: Horizonte; Três histórias do futuro (1982), Porto: Afrontamento; Poemas da mentira... e da verdade (1983), Lisboa: Horizonte; 6 Histórias de encantar (1985), Porto: Areal Editores; A vassoura mágica (1986), Porto: ASA; O fantasma (1987), Lisboa: Horizonte; Crime no Expresso do Tempo (s.d.), Lisboa: Vega; A Gata Tareca e outros poemas levados da breca (1991), Lisboa: Teorema; Diário de Sofia e C.ª aos 15 anos (1994), Porto: Civilização; Os ovos misteriosos (1994), Porto: Afrontamento; O rapaz e o robô (1995), Lisboa: Terramar; As viagens de Gulliver de Jonathan Swift (adaptação para teatro) (2001), Porto: Civilização; A cavalo no tempo (2003), Porto: Civilização; Abecedário maluco (2004), Porto: Civilização; Contos para rir (2004), Porto: Civilização; Há sempre uma estrela no Natal(2006), Porto: Civilização; A menina do Capuchinho Vermelho no século XXI (2007), Porto: Civilização; Desejos de Natal (2007), Porto: Civilização; A árvore das patacas e Sementes de macarrão (2007), Porto: Civilização; O mar (2008), Lisboa: Gatafunho; Novo dicionário do Pai Natal (2008), Porto: Calendário de Letras. Considerada uma das mais relevantes escritoras portuguesas na área da Literatura Infantil, Maria Luísa Bliebernicht Ducla Soares de Sottomayor Cardia esteve ligada ao grupo da revista Poesia 61 – que pretendia fundar em Portugal uma escola poética de cariz experimentalista, alternativa ao neo-realismo e ao surrealismo então em voga – e estreou-se em 1970 com o volume de poesia Contrato, embora poemas seus já surgissem em várias revistas e jornais desde 1951.Em 1973 recusou, por razões políticas, o Grande Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, do Secretariado Nacional de Informação (SNI), atribuído ao seu primeiro livro para crianças, A História da Papoila (1972).Dedicou-se, desde então, à literatura para a infância e juventude, não só enquanto escritora mas também como estudiosa, participando regularmente em congressos e em projectos de divulgação e animação cultural em escolas e bibliotecas. Luísa Ducla Soares considera que o contacto directo com o público infantil é da maior importância para a promoção da leitura: «A escrita para crianças tem de ser, antes de mais, comunicação, e a recepção deles é essencial para que eu perceba se uma mensagem passa ou não.»No decurso da sua actividade profissional – foi assessora e responsável pela Área de Pesquisa e Informação Bibliográfica da Biblioteca Nacional – desenvolveu trabalhos de investigação bibliográfica com vista à organização de diversas exposições e catálogos sobre Literatura Infantil.Saliente-se ainda a participação da autora, por convite de João de Lemos, no suplemento infantil do Diário Popular (1972-1976) – em «O Doutor Sabichão» e depois no «Sábado Popular» – periódico onde surgiram diversos contos seus, tendo vários outros sido completamente cortados pela Censura. Foi este o caso de «O soldado João», no qual a autora abordava o problema da guerra colonial; o conto seria editado mais tarde, em volume autónomo.Luísa Ducla Soares participou na revista didáctica Rua Sésamo (1990-1995) e os seus textos de ficção, poesia, artigos e crónicas surgem regularmente na imprensa portuguesa.Segundo a autora, os livros de Júlio Verne e de Eça de Queirós estiveram na origem do seu gosto pela leitura e pela escrita. Durante as Comemorações do Centenário da morte do autor português (2000), homenageou-o através da publicação de três livros dedicados aos jovens: Com Eça de Queirós à roda do Chiado (1999), Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000 (2000) e Seis Contos de Eça de Queirós (2000). «Convidei os meus leitores a passear pelos locais de Lisboa que o Eça refere. Fiz, assim, um roteiro da Lisboa queirosiana à volta do Chiado. [...] O meu objectivo foi abrir o apetite para ler o Eça a um público onde geralmente não chega – as crianças, que, no entanto, são muito sensíveis ao seu humor.»O mesmo humor que, aliado à fantasia e ao non-sense, constitui uma das marcas distintivas da obra da autora: a irreverência da narrativa, chamando a atenção do leitor para situações absurdas e comportamentos determinados pelo preconceito, desmontados através de jogos de palavras, contribui para a tomada de consciência, por parte dos jovens, de uma multiplicidade de possíveis interpretações do mundo em que vivem.A par das actividades referidas, Luísa Ducla Soares escreveu o guião dos vinte e seis capítulos que constituem «Alhos e Bugalhos», série televisiva sobre a língua portuguesa, transmitida pela RTP durante as Comemorações do Ano Europeu das Línguas (2001). No campo musical editou, em 1999, um CD intitulado 25, com letras de sua autoria e música de Susana Ralha. A UNICEF e a OIKOS organizaram em 1990 uma maleta pedagógica baseada no conto «Meninos de todas as cores», como apoio ao projecto escolar e exposição «Um Mundo de Crianças».Autora muito apreciada pelo público e pela crítica, Luísa Ducla Soares viu em 1986 o seu livro 6 histórias de encantar receber o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças pelo Melhor Texto do Biénio 1984-1985. Dez anos mais tarde foi-lhe atribuído o Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua multifacetada obra.Em 2004 foi nomeada para o Prémio Hans Christian Andersen da IBBY (International Board on Books for Young People), geralmente considerado o Prémio Nobel da Literatura para a Infância. Em 2019 foi nomeada para o Prémio ALMA - Astrid Lindgren Memorial Award.
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