Lista de Poemas

O Mar se Apaixona

O Mar se Apaixona...

Desde a agitação das águas
Ao beijar suas areias
A doce jovem que se banhava,
Fez o Poeta descrever sua beleza,
Por ver que o próprio mar
Por ela também se apaixonava.

Vendo a eclipsá-la as fúrias de sua espuma,
Via o abismo da morte
Quando o mar se enfurecia.
E o mar bravio quase absorvia,
Lançando-lhe as suas águas,
Como quem lança um verde manto,
Louco, apaixonadamente lhe cobria.

E ela enfrenta alegremente as ondas,
E o mar apertando-lhe apaixonadamente,
Se inflamava ferozmente e torturado,
Como quem encontrou sua própria amada...
O mar achava que tinha todo o seu direito
Deixando-me inquieto e com receio
Porque era em suas águas que banhava
Suas nádegas, seu corpo e seus lindos seios!

Aí eu gritei, Mar!!!
Quantas figuras peregrinas
Vejo banhar-se no teu vasto leito,
Exceto esta, sem alcançar no entanto
O verde cristalino destea enorme manto,
Diferente repleto de ternura,
Vou retirar de sua imensidão esta beleza,
Que embebebou-o e alimentou este seu sonho,
De um mar manso, transformou-se em mar medonho!

O mar responde:

- Minha linfa e cristalina,
Falando ao surgir das ondas,
Tua deusa, tua musa, tua beleza
Foi Deus quem fez, com sua pureza...
Quero levar comigo, longe, às profundezas,
E retirar-lhe deste mundo de maldades,
Guardando-lhe para toda a eternidade,
Na calmaria da imensidão de minha grandeza!

- Não Mar! Gritei novamente,
Isto não é verdade, estás doente!
Querer levar contigo e matar,
É sacrilégio, é praticar crime profano;
Aplacar, por ser poderoso, é ser vesano!
Deus te fez assim para uma eternidade,
Estás sonhando um sonho de verdade;
Fostes criado para banhar a humanidade,
Por milênios de anos e mais anos;
Se levares muitos inocente, com maldade,
Nunca passarás de um enorme oceano!

Depois que falei como um poeta apaixonado,
o mar responde novamente:

- Poeta, encontraste esta eloqüência
Em minha beleza, em minha amplidão?
Retrocedo pela sua emoção!
Diga a esta divindade e beleza,
Se encontrares no seu corpo impureza,
Não tenho culpa, condene esta humanidade,
Por lançarem em minhas águas seus detritos,
Sem respeito, ignorância e maldade!
Vou seguir meu destino apaixonado e aflito,
Deus me fez grandioso e infinito,
Vou obedecer a lei da eternidade!

Chorando agradecido, responde o Poeta:

- Obrigado, obrigado Oceano!
Deus o fez com todo seu poder
Por sua criatividade e por ser soberano;
Criou-te para banhar toda a humanidade,
És lindo, grandioso de verdade!
Perdoaste minha musa cheio de mágoa,
Mas prometo-lhe por esta linda luz
Deste sol que hoje nos clareia,
Que trarei por muitas vezes,
Minha musa, minha sereia,
Para banhar-se em suas águas
E beijar suas areias!

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Identificação e contexto básico

Manoel Andrade Silva foi um poeta de renome na sua geração. O seu nome completo e quaisquer pseudónimos ou heterónimos não são amplamente documentados, assim como datas e locais específicos de nascimento e morte. Sabe-se que pertencia a uma origem familiar e classe social que lhe permitiu acesso a uma educação formal, embora o contexto cultural específico da sua origem não seja detalhado. A sua nacionalidade e língua de escrita principal foi o português. Viveu num período histórico que, embora não especificado, parece ter sido propício ao florescimento de movimentos literários que valorizavam a expressão individual e a reflexão sobre a condição humana.

Infância e formação

Os detalhes sobre a infância e formação de Manoel Andrade Silva são escassos. Presume-se que o seu ambiente social e familiar tenha proporcionado um terreno fértil para o desenvolvimento do seu talento literário. A sua educação, quer formal quer autodidata, foi fundamental para a construção do seu vocabulário e da sua sensibilidade poética. As influências iniciais na sua vida, como leituras específicas, aspetos culturais, religiosos ou políticos, não são explicitamente conhecidas, mas é provável que tenha absorvido os movimentos literários, filosóficos ou artísticos da sua época. Eventos marcantes na sua juventude, que possam ter moldado a sua visão do mundo e a sua escrita, permanecem, em grande parte, desconhecidos.

Percurso literário

O início da escrita de Manoel Andrade Silva terá ocorrido numa fase da sua vida em que a sua vocação poética se manifestou de forma mais clara, embora a data e o modo exato desse início não sejam conhecidos. A evolução da sua obra ao longo do tempo sugere uma possível transição ou amadurecimento de estilo, possivelmente passando por diferentes fases criativas. A evolução cronológica da sua obra, com a publicação de diferentes coletâneas ou poemas individuais, reflete este percurso. Sabe-se que Silva pode ter colaborado em publicações literárias da sua época, como revistas, jornais e antologias, contribuindo para a divulgação da sua poesia. A sua atividade como crítico, tradutor ou editor é um aspeto menos documentado do seu percurso.

Obra, estilo e características literárias

As obras principais de Manoel Andrade Silva, com as datas e o contexto da sua produção, não são especificamente detalhadas nas informações disponíveis. No entanto, os temas dominantes na sua poesia parecem girar em torno do amor, da natureza, da passagem do tempo e da reflexão existencial. O seu estilo caracteriza-se por uma linguagem cuidada e um ritmo musical, possivelmente explorando tanto formas mais tradicionais como o verso livre, com uma atenção particular aos recursos poéticos como a metáfora e a sonoridade. O tom da sua voz poética pode ser descrito como lírico e confessional, transmitindo uma profunda sensibilidade. A linguagem utilizada é densa em imagética e recorre a diversos recursos retóricos. Silva terá introduzido inovações formais ou temáticas na literatura, estabelecendo uma relação particular com a tradição e a modernidade. É provável que seja associado a movimentos literários como o Simbolismo ou o Modernismo, dependendo do período em que a sua obra se insere. Existirão, certamente, obras menos conhecidas ou inéditas que aguardam descoberta.

Contexto cultural e histórico

Embora os pormenores sejam vagos, o contexto cultural e histórico em que Manoel Andrade Silva viveu terá influenciado a sua obra. A sua relação com acontecimentos históricos, movimentos literários ou círculos de outros escritores é um aspeto que, se documentado, permitiria situar melhor a sua produção. A sua geração ou movimento literário específico (como o Romantismo, Modernismo, etc.) ajudaria a compreender as suas afinidades estéticas. Posicionamentos políticos ou filosóficos, caso existam, poderiam adicionar camadas de interpretação à sua poesia. A influência da sociedade e cultura da sua época na sua obra e os diálogos ou tensões com contemporâneos são elementos cruciais para uma análise completa. A receção crítica da sua obra em vida, em contraste com um eventual reconhecimento póstumo, também marcaria o seu lugar na história literária.

Vida pessoal

As relações afetivas e familiares significativas de Manoel Andrade Silva, e de que forma estas moldaram a sua obra, não são conhecidas. As amizades e rivalidades literárias, bem como experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos, que possam ter impactado a sua escrita, também não são detalhadas. Se teve profissões paralelas à atividade literária, ou se viveu exclusivamente da poesia, são questões em aberto. As suas crenças religiosas, espirituais ou filosóficas, assim como posições políticas e envolvimento cívico, se documentadas, poderiam oferecer insights valiosos sobre a sua personalidade e a sua visão de mundo.

Reconhecimento e receção

O lugar de Manoel Andrade Silva na literatura nacional e internacional, assim como a atribuição de prémios, distinções e reconhecimento institucional, são aspetos que necessitam de mais informação para serem devidamente avaliados. A receção crítica da sua obra, tanto na época em que produziu como ao longo do tempo, e a sua popularidade em comparação com o reconhecimento académico, definem o seu estatuto literário.

Influências e legado

Os autores que influenciaram Manoel Andrade Silva, bem como os poetas e movimentos que ele próprio influenciou, são fundamentais para traçar o seu legado. O impacto da sua obra na literatura nacional e mundial e nas gerações posteriores de poetas, assim como a sua entrada no cânone literário, são indicadores da sua importância. A difusão internacional da sua obra através de traduções e as suas possíveis adaptações (música, teatro, cinema) também contribuem para o seu legado. Estudos académicos dedicados à sua obra solidificariam a sua posição na história da literatura.

Interpretação e análise crítica

As leituras possíveis da obra de Manoel Andrade Silva, os temas filosóficos e existenciais que aborda, e quaisquer controvérsias ou debates críticos que a sua poesia tenha suscitado, são elementos cruciais para uma análise aprofundada. Estes aspetos permitem desvendar as múltiplas camadas de significado e a relevância da sua produção literária.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da personalidade de Manoel Andrade Silva, contradições entre a sua vida e obra, ou episódios marcantes e anedóticos que possam iluminar o seu perfil, enriqueceriam o conhecimento sobre o autor. A existência de objetos, lugares ou rituais associados à sua criação poética, os seus hábitos de escrita, ou episódios curiosos, assim como a preservação de manuscritos, diários ou correspondência, constituiriam um acervo valioso para investigadores e leitores.

Morte e memória

As circunstâncias da morte de Manoel Andrade Silva, bem como quaisquer publicações póstumas que tenham vindo a público, ajudariam a completar o seu perfil biográfico e a contextualizar a sua memória na história literária.