Advogado, professor, escritor e jornalista. Depois de ter frequentado o liceu de Viana do Castelo, matriculou-se na Universidade de Coimbra onde se formou primeiro em teologia, por ser desejo dos seus ascendentes que seguisse a vida eclesiástica, o que o não atraiu e o levou depois a formar-se em direito. Oriundo de uma família modesta, só foi possível a sua estada em Coimbra graças ao subsídio concedido pela Duquesa de Cadaval, à ajuda de seus tios, Carlota e Sebastião, e ao trabalho que desenvolvia como compilador das sebentas do curso em que se encontrava matriculado.O meio familiar em que Abúndio da Silva cresceu, alicerçado nos princípios da Igreja e envolto de uma certa nostalgia da velha monarquia legitimista, marcou profundamente a sua personalidade e o seu pensamento. «Educado e criado na Religião Católica Apostólica e Romana» – como ele próprio refere no seu testamento (que o jornal A Aurora do Lima publica logo após a sua morte, em 21 de Outubro de 1914, e que contém preciosos elementos autobiograficos) – «tem sido ela o maior e mais entusiástico amor de toda a minha vida e à sua defesa tenho dado o melhor dos meus esforços e trabalhos.»É durante a sua vida universitária que publica a revista legitimista A Bandeira Branca por si fundada e dirigida quando quartanista da Universidade de Coimbra, impressa em Viana na tipografia «André J. Pereira & Filho, 40, Rua de D, Diniz», sendo o editor responsável seu tio Manuel Nicolau da Silva. Dessa revista, publicaram-se 23 números (desde 19 de Março de 1893 a 4 de Fevereiro de 1894) e colaboraram, entre outros, Sebastião Pereira da Cunha, Santos Farinha, António Cabreira, Sena de Freitas, José Pereira da Costa, Mello Soares e Gaspar d'Abreu. É também durante este período da sua juventude que publica alguns dos seus livros de poesia como Alma Pátria, dedicado ao «rei» D. Miguel II, Maria, poemeto cristão, e Cantos d'Alma, que dedica à família e amigos.Abúndio da Silva casa em Setembro de 1896 com Lúcia de Sousa Pereira e morre sem deixar descendentes apenas com 40 anos de idade vítima de tuberculose, confessando no seu testamento algum desânimo e incompreensão: «Tendo ocupado um certo destaque no movimento católico do meu país, passei por muitos desgostos e tendo suportado muitas injustiças, cometidas principalmente pelos que se confessam meus irmãos na fé, mas que parecem colocar outros interesses acima dos da Igreja de Jesus». Por vontade testamentária, o seu corpo foi a enterrar envolto no hábito franciscano, de acordo com o seu ideal de vida simples e humilde que sempre defendeu.«O Capital e os Salários», a «História através da História», a «Teoria da População», a «Evolução dos Contratos», a «Classificação dos Fenómenos e das Ciências Sociais» foram alguns dos temas que Abúndio da Silva abordou em interessantes estudos e dissertações, fazendo dele um invulgar e «brilhante operário das letras».Da diversa colaboração que manteve na imprensa, destaque para os periódicos A Palavra e Correio Nacional onde manteve com assinalável eloquência campanhas relacionadas com o desacordo surgido no nosso país entre jesuítas e franciscanos.Nos últimos anos da sua vida dirigiu, no Porto, o diário intitulado Democracia do Norte que teve curta duração.