Marcelo Batalha

Marcelo Batalha

Marcelo Batalha é um nome frequentemente associado à poesia contemporânea, com uma obra que se destaca pela exploração de temas existenciais e sociais. A sua escrita é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade particular para as nuances da condição humana. Os seus poemas convidam à reflexão sobre a vida urbana, as relações interpessoais e a busca por sentido num mundo em constante mudança, consolidando-o como uma voz relevante no panorama poético atual.

m. , Viena

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Quase Paixão

Busco um rosto por entre as vozes
Vejo uma luz por entre os cantos
Sinto a vontade penetrar meus poros
Doce ilusão que me afaga as costas
Me sussurra - de longe - à nuca
Me devolve ilusões escondidas

E então o brilho do sonho renasce
A visão da juventude me aquece
Uma face clara me ilumina
Cabelos negros ou quase molham meus olhos
Bombeiam meus orgãos
Vermelham meu coracao

Há via expressa pavimentada de desejos agora
Placas que sinalizam atenção
E claros sinais de verde esperança e rubra paixão

O que fazer ? O que dizer ? Como sentir ?
Como concorrer com raps, como nao repetir versos,
O que voce pode oferecer, pobre trovador ?

Tenho apenas meu sonho encantado
Meu beijo molhado
Meu verso, meu canto
E essa vontade louca
De apaixonar.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Marcelo Batalha é um poeta contemporâneo cuja obra se insere no panorama da poesia em língua portuguesa. A sua produção poética explora a complexidade da experiência humana na sociedade atual.

Infância e formação

As informações sobre a infância e formação de Marcelo Batalha são escassas na esfera pública, contudo, é possível inferir que a sua sensibilidade poética foi moldada por leituras diversas e pela observação atenta do mundo ao seu redor.

Percurso literário

O percurso literário de Marcelo Batalha caracteriza-se por uma incursão na poesia que privilegia a reflexão sobre o quotidiano e a interioridade humana. A sua obra tem vindo a consolidar-se através de publicações que demonstram uma evolução na exploração temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Marcelo Batalha tende a abordar temas como a fugacidade do tempo, as relações interpessoais na metrópole, a solidão e a busca por autenticidade. O seu estilo é frequentemente descrito como lírico e introspectivo, com uma linguagem acessível, mas carregada de significado. Utiliza frequentemente imagens urbanas para espelhar estados de alma e dilemas existenciais. A sua poesia convida a uma contemplação sobre a condição humana, o amor e a passagem da vida, explorando tanto o verso livre como formas mais estruturadas, sempre com um foco na musicalidade e na expressividade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Marcelo Batalha escreve num contexto de rápidas transformações sociais e tecnológicas, onde a individualidade e as relações humanas são frequentemente postas à prova. A sua poesia reflete as ansiedades e as esperanças de uma geração que navega a complexidade do século XXI.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Marcelo Batalha é mantida com discrição, sendo a sua obra o principal veículo de expressão das suas inquietudes e visões de mundo. As experiências vividas e as observações sobre o comportamento humano parecem ser a matéria-prima da sua criação poética.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Marcelo Batalha tem vindo a crescer no meio literário, com a sua obra a ser apreciada pela crítica pela sua originalidade e profundidade. A sua presença em antologias e a receção positiva por parte dos leitores indicam um lugar em ascensão na poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas de Marcelo Batalha sejam pouco documentadas, o seu trabalho dialoga com a tradição poética moderna e contemporânea, marcada pela introspeção e pela crítica social subtil. O seu legado reside na capacidade de traduzir a experiência contemporânea em versos que ressoam com o público.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Marcelo Batalha é frequentemente interpretada como um espelho da alma moderna, explorando a tensão entre o desejo de conexão e a realidade da alienação. A sua poesia pode ser vista como um convite à introspeção e à redescoberta do eu no turbilhão da vida contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo uma figura discreta, os aspetos menos conhecidos da vida de Marcelo Batalha são escassos. No entanto, a sua dedicação à poesia sugere um profundo compromisso com a arte e a expressão, possivelmente um refúgio ou um meio de processar as complexidades do mundo.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Marcelo Batalha encontra-se vivo e a sua obra continua a ser produzida e divulgada, construindo ativamente a sua memória literária.

Poemas

8

Quase Paixão

Busco um rosto por entre as vozes
Vejo uma luz por entre os cantos
Sinto a vontade penetrar meus poros
Doce ilusão que me afaga as costas
Me sussurra - de longe - à nuca
Me devolve ilusões escondidas

E então o brilho do sonho renasce
A visão da juventude me aquece
Uma face clara me ilumina
Cabelos negros ou quase molham meus olhos
Bombeiam meus orgãos
Vermelham meu coracao

Há via expressa pavimentada de desejos agora
Placas que sinalizam atenção
E claros sinais de verde esperança e rubra paixão

O que fazer ? O que dizer ? Como sentir ?
Como concorrer com raps, como nao repetir versos,
O que voce pode oferecer, pobre trovador ?

Tenho apenas meu sonho encantado
Meu beijo molhado
Meu verso, meu canto
E essa vontade louca
De apaixonar.

842

Dedicação

Fico em casa, aguardo um telefonema
Um cinema, restaurante, saidinha.
Sendo a minha esperança derradeira,
Fico à beira do abismo da vontade.

Como um frade, celibato dedicado,
Mal pensado, por alguém que nem conheço.
Deus, mereço essa mulher tão sonhada ?
Mas que nada ! Nunca olhou para mim...

Vago, enfim, com a fome do carinho
No meu ninho, recolhido e insaciável
E, o que é provável, à espera de ninguém
O meu bem não tem nome, fico à míngua.

Minha língua se transforma em muita tinta :
No que pinta à mente, boto forma e cor.
E o amor que novamente respiro, e onde navego,
Deixa-me cego aos desígnios da razão.

Uma paixão me arrasa, me inspira ;
É minha lira, o poema revelado.
Coitado de quem nunca a descobriu !
Jamais sentiu seu coração em brasa...

868

Naquela Noite

Pareces mais alta do que és
Mais pela alteza que pela altura.
Naquele noite contemplei no teu sorriso
Todo o meu amor arraigado ;
Tentei registrá-lo em vão.
Tu não mereces a foto que tirei...
Me dirigiste poucas palavras, mas
Teus cabelos molhados falaram bastante.
A clara morenice brilhou dentre tantas,
A voz grave fez solo entre os artistas,
O jeito arredio levou a ribalta para o cantinho da sala.
Haja folego ! Juventude madura,
Olhos de diamante, plácida beleza,
Meu mundo está a teus pés !

787

Meus versos

O combustível do poeta nao é o belo apenas
É a possibilidade de sentir e sonhar
De emocionar e (se) expor.
A lenha que me aquece e impulsiona
É a energia de quem lê, liberada e devolvida.
- Devo à vida meus impulsos,
Afasto a morte com meus insensos,
E o amor - já disseram - é a guia de todas as contas
De todas as pontas
De todo o meu canto
Na total alegria de caminhar e,
leitor como sintese, multiplicar meu dia-a-dia.

856

Rainha

Suas pernas
que assombram, santas cruzadas
que desvendam curvas tão amadas
Me convocam
Me amordaçam
Me derretem por inteiro, em vão

Seus lábios
que entoam o sons de maior beleza
que tremem, à toa, por incerteza
Me desejam
Me cortejam
Me ferem, longe dos meus

Seus olhos
que brilham, pelos meus, na multidão
que vigiam, com rigor, meu pobre coração
Me provocam
Me paralisam
Me remetem às grandes loucuras

Como podem pertencer a outrém ?
Quem pode desejá-la com tal ardor ?

Rainha, estrela do meu tormento
Sem você não sou ninguém
Ouve agora esse meu lamento
Mal conheço a face do amor...

821

A Cada Segundo

Pranto escondido
Choro por ti
Rogo por ti
Busco o teu cantar
Em cada murmúrio das ondas do mar

Pensamento perdido
Danço sem ti
Transo sem ti
Mando o meu cantar
Por cada raio brilhante de luar

Por muitas praias caminhei
Por muitas trilhas procurei
Teu rosto me surge em cada brisa vespertina
Em cada roseira a florir...
E cada pétala que cai exala teu cheiro
Esse perfume que, insensato, insiste em me seduzir
Mas não cheguei primeiro

Coração partido
Longe de ti
Lembro de ti
Canto o nosso amar
Perdido em cada insistente lágrima a rolar

779

Com desejo

Peão...
Sossego ?
Sem calma : sempre a bola
da vez. Chicote
no couro, à beira,
ao largo - no fio -
do rio
no frio amargo
peneira o ouro.
Fracote não tem vez !
Imola sua alma...
Pelego ?
Peão !

A dama,
virtude
de amor inconteste,
é revolta, chaga,
de paixão quase inerte
que aguarda, por sorte,
que o forte
aborte a guarda,
liberte o peão,
o traga de volta,
e reempreste calor
e plenitude
à cama.

E que, então, os dois,
em comunhão,
rejam os hinos
de um ardoroso balanço,
arfando, no peito,
aquele amar arraigado,
procurado,
saciado: um uno par
satisfeito, quando,
no remanso do gozo,
como meninos, deixam
a obrigação
- e a razão - para depois.

740

Orgulho Meu

Hoje a menina olhou pra mim
Pra mim e para um povaréu abismado
E cativou
Como quem nos tivesse hipnotizado
Ela, ai meu deus, visão do infinito
Eu, além do horizonte, meio fora de controle

Hoje a menina cantou pra mim
Pra mim e para um povaréu entusiasmado
E encantou
Como quem lá sempre tivesse pisado
Ela embalada pelos tons do bem-querer
Eu envolvido pelos sons do paraíso

Hoje a menina sorriu pra mim
Pra mim e para um povaréu inebriado
E ousou
Como quem comete um pecado
Ela esbanjando alegria e sedução
Eu irremediavelmente no éden

Hoje a menina olhou,
Sorriu, cantou
Hoje a menina cresceu,
Brilhou, venceu
Verdadeiro orgulho meu
E de um povaréu apaixonado.

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