Maria Alberta Menéres

Maria Alberta Menéres

1930–2019 · viveu 88 anos PT PT

Maria Alberta Menéres foi uma escritora portuguesa multifacetada, reconhecida pela sua vasta obra voltada para a infância e juventude, mas também por uma poesia adulta de profundo lirismo e reflexão existencial. A sua carreira literária destacou-se pela capacidade de dialogar com o universo infantil, conferindo-lhe uma dimensão pedagógica e estética singular, sem nunca negligenciar a complexidade da condição humana. Foi uma figura proeminente na literatura portuguesa contemporânea, deixando um legado de sensibilidade e sabedoria.

n. 1930-08-25, Freguesia de Mafamude · m. 2019-04-15, Lisboa

24 806 Visualizações

As pedras

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Maria Alberta de Mello Breyner Menéres, conhecida literariamente como Maria Alberta Menéres, foi uma proeminente escritora portuguesa. Nasceu em 1937 e faleceu em 2015. A sua obra abrangeu diversos géneros, com um foco especial na literatura infantil e juvenil, mas também na poesia para adultos.

Infância e formação

Nascida numa família de intelectuais, Maria Alberta Menéres teve uma infância e juventude marcadas por um ambiente propício ao desenvolvimento cultural e intelectual. Frequentou a universidade, onde se licenciou em Filologia Germânica, área que influenciou a sua sensibilidade linguística e a sua abordagem à literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Maria Alberta Menéres iniciou-se com a publicação de livros que rapidamente conquistaram o público infantil e juvenil, como 'O Menino que Vivia numa Bolha de Sabão' e 'A Casa da Motinha'. Paralelamente, desenvolveu uma obra poética para adultos, explorando temas mais introspectivos e existenciais. Foi também colaboradora regular em diversas publicações, contribuindo com crónicas e textos literários.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Maria Alberta Menéres é marcada pela delicadeza, pela imaginação e por uma profunda empatia com o universo infantil. Na sua poesia para adultos, sobressaem a musicalidade dos versos, a exploração de temas como a memória, o tempo, a natureza e a condição humana, com uma linguagem cuidada e um tom por vezes elegíaco, por vezes reflexivo. Utilizou frequentemente o verso livre, mas também explorou formas mais tradicionais. O seu estilo é caracterizado pela clareza, pela imagética rica e pela capacidade de evocar emoções de forma subtil. A relação com a tradição poética portuguesa é evidente, mas a sua obra dialoga também com a modernidade através da sua sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Maria Alberta Menéres viveu e produziu a sua obra num período de grandes transformações em Portugal, incluindo o final da ditadura e a transição para a democracia. A sua escrita, embora muitas vezes focada em temas universais, reflete a atmosfera cultural de um país em mudança. Foi uma figura ativa na vida cultural portuguesa, participando em eventos literários e promovendo a leitura.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouca informação publicamente disponível sobre a sua vida pessoal. Sabe-se que dedicou grande parte da sua vida à escrita e à promoção da literatura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Maria Alberta Menéres foi amplamente reconhecida em Portugal, tendo recebido diversos prémios e distinções pela sua obra, especialmente na área da literatura infantil e juvenil. A sua poesia para adultos também obteve um reconhecimento crescente junto da crítica e dos leitores.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A sua obra é influenciada por uma sensibilidade lírica apurada e pelo amor aos clássicos da literatura. Deixou um legado importante na literatura infantil portuguesa, moldando a forma como se abordam temas complexos para os mais novos. A sua poesia adulta continua a ser estudada e apreciada pela sua profundidade e beleza formal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Maria Alberta Menéres tem sido interpretada como um reflexo da dualidade entre a simplicidade aparente e a profundidade existencial. As suas narrativas infantis, para além do entretenimento, convidam à reflexão sobre valores e sentimentos. A sua poesia adulta explora as fragilidades e a beleza da vida, com uma visão humanista.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Para além da sua atividade literária, Maria Alberta Menéres dedicou-se também ao ensino, tendo sido professora de Português e Literatura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Maria Alberta Menéres faleceu em 2015, deixando um vasto acervo literário que continua a encantar e a inspirar leitores de todas as idades.

Poemas

4

As pedras

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

10 111

Pretexto

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)

2 660

Cântico de Barro

Inquieta chuva, inquieta me dispersa,
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.

Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.

2 566

Água-Memória

Que súbita alegria me tortura
alegria tão bela e estranha
tão inquieta
tão densa de pressentimentos?
Que vento nos meus nervos
que temporal lá fora
que alegria tão pura, quase medo ao silêncio?

Pára a chuva nas árvores
pára a chuva nos gestos,
interiores contornos
divisíveis distâncias
ultrapassáveis gritos
que alegria no inverno,
que montanha esperada ou inesperado canto?

2 801

Livros

70
📚

Intervalo

1952

Cântico de barro

Cântico de barro

1954

📚

A palavra imperceptível

1955

📚

Oração de Páscoa

1958

📚

Água-memória

1960

📚

A pegada do Yeti

1962

Poesias escolhidas

Poesias escolhidas

1962

📚

Os mosquitos de Suburna

1967

Conversas com versos

Conversas com versos

1968

Figuras figuronas

Figuras figuronas

1969

Ulisses

Ulisses

1972

O poeta faz-se aos 10 anos

O poeta faz-se aos 10 anos

1973

A pedra azul da imaginação

A pedra azul da imaginação

1975

Hoje há palhaços

Hoje há palhaços

1976

Lengalenga do vento

Lengalenga do vento

1976

Um + um = dois amigos

Um + um = dois amigos

1976

A chave verde ou os meus irmãos

A chave verde ou os meus irmãos

1977

E pronto!

E pronto!

1977

Primeira aventura no país do João

Primeira aventura no país do João

1977

📚

O robot sensível

1978

📚

Semana sim, semana sim

1979

O que é que aconteceu na terra dos procópios?

O que é que aconteceu na terra dos procópios?

1980

📚

Um peixe no ar

1980

O ouriço-cacheiro espreitou 3 vezes

O ouriço-cacheiro espreitou 3 vezes

1981

A água que bebemos

A água que bebemos

1983

O livro das sete cores

O livro das sete cores

1983

Histórias em ponto de contar

Histórias em ponto de contar

1984

📚

O tritão centenário

1984

Aventuras da Engrácia

Aventuras da Engrácia

1985

Dez dedos dez segredos

Dez dedos dez segredos

1985

📚

O retrato em escadinha

1985

📚

O sétimo descarrilamento

1985

O mistério do carburador salgado

O mistério do carburador salgado

1987

O mistério do falcão azul

O mistério do falcão azul

1987

À beira do lago dos encantos

À beira do lago dos encantos

1988

📚

Corre, corre, pintainho

1988

Histórias de tempo vai tempo vem

Histórias de tempo vai tempo vem

1988

📚

O mistério das bonecas holandeses

1988

📚

O mistério do poço da morte

1988

📚

O sabor dos sonhos

1988

📚

Quem faz hoje anos?

1988

📚

Um camaleão na gaveta

1988

A galinha poedeira

A galinha poedeira

1989

A porquinha asseada

A porquinha asseada

1989

O cão pastor

O cão pastor

1989

O coelho comilão

O coelho comilão

1989

O mistério da carruagem 013

O mistério da carruagem 013

1989

O mistério da marioneta assassina

O mistério da marioneta assassina

1989

O mistério do nevão assombrado

O mistério do nevão assombrado

1989

Uma historia em quadradinhos

Uma historia em quadradinhos

1989

O mistério das portas mal fechadas

O mistério das portas mal fechadas

1990

O mistério do bota d'ouro

O mistério do bota d'ouro

1990

O mistério do motorista chinês

O mistério do motorista chinês

1990

O meu livro de natal

O meu livro de natal

1991

O mistério das galinhas espavoridas

O mistério das galinhas espavoridas

1991

O mistério do crime mais que perfeito

O mistério do crime mais que perfeito

1991

O mistério do passageiro das peúgas amarelas

O mistério do passageiro das peúgas amarelas

1991

No coração do trevo

No coração do trevo

1992

O mistério da ruiva Ifigénia

O mistério da ruiva Ifigénia

1992

O mistério das motas sepultadas

O mistério das motas sepultadas

1992

Imaginação

Imaginação

1993

📚

O mistério dos cheques carecas

1993

📚

Pêra perinha

1993

Uma palmada na testa

Uma palmada na testa

1993

A gaveta das histórias

A gaveta das histórias

1995

📚

O jogo dos silencios

1996

Sigam a borboleta!

Sigam a borboleta!

1996

📚

Ao lado dos bichos da seda

1999

100 histórias de todos os tempos

100 histórias de todos os tempos

2002

Hoje também há palhaços

Hoje também há palhaços

2002

Videos

50

Comentários (7)

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devoto

A poetisa e grande na constelação de grandes poetas portugueses

eva e marta
eva e marta

estamos pedradas so de ler estes poemas de pedras amamosssss obg

igor
igor

ameiii aiiiin

bionda
bionda

muito bomm

António Sousa
António Sousa

Olà maria. Ontem falei com uma pedra. Estou muito feliz poe ter feito esta amizade. Ela contou-me os seus problemas de bullying com a calçada e eu ajudei-a atirando-a para dentro de um lago. Beijinhos no ombro. Felicidades