Maria Azenha

Maria Azenha

n. 1945 PT PT

Maria Azenha foi uma poetisa cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração de temas existenciais e da condição humana. As suas composições poéticas são reconhecidas pela musicalidade, pela riqueza de imagens e pela delicadeza na abordagem de sentimentos e reflexões sobre a vida, o amor e a passagem do tempo. A autora deixou um legado de poemas que continuam a ressoar pela sua sensibilidade e pela força expressiva, consolidando-a como uma voz singular na poesia contemporânea.

n. 1945, Coimbra

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Talvez

Talvez até a Vida seja simples
Os meus lábios são por exemplo
Feitos de vento
E a minha voz é uma cortina de fumo
Para me defender do frio

Lembrei-me um dia
De cortar os dedos
Para não mais escrever poesia.
(Nunca chorei tanto
em toda a minha Vida!…)
Hoje tenho a convicção das dunas.
E sei que os meus cabelos
Escrevem 365 livros por ano
E
Procuro sozinha o Infinito.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Maria Azenha é uma poetisa portuguesa, reconhecida pela sua contribuição para a poesia contemporânea. O seu nome completo e possíveis pseudónimos ou heterónimos não são amplamente documentados em fontes públicas. A sua nacionalidade é portuguesa e a língua em que escreve é o português. O contexto histórico em que a sua obra se insere é o da Portugal contemporânea, marcada por transformações sociais e culturais.

Infância e formação

A informação sobre a infância e formação de Maria Azenha é escassa em fontes públicas. Presume-se que tenha tido uma formação que lhe permitiu desenvolver o seu talento literário, com possíveis influências de leituras e da cultura envolvente. Detalhes sobre movimentos artísticos ou filosóficos que a tenham absorvido não são especificados.

Percurso literário

O percurso literário de Maria Azenha é marcado pela publicação de obras que revelam uma evolução no seu estilo e temática. Iniciou a sua atividade poética, com o tempo desenvolvendo um estilo próprio e reconhecível. A sua obra é composta por poemas que exploram a intimidade e a reflexão.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Maria Azenha é caracterizada por um lirismo profundo e pela exploração de temas como o amor, a saudade, a passagem do tempo e a introspeção. Utiliza frequentemente recursos poéticos que conferem musicalidade e riqueza imagética aos seus versos, com um vocabulário cuidado e uma linguagem expressiva. O tom da sua poesia é predominantemente lírico e confessional, refletindo uma voz poética pessoal e introspectiva. A sua obra dialoga com a tradição poética, mas apresenta uma sensibilidade contemporânea, inserindo-se de forma subtil nos movimentos poéticos da sua época.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Maria Azenha insere-se no panorama literário português contemporâneo. A sua obra reflete, de forma implícita, sensibilidades e preocupações da sociedade atual. Os seus diálogos com outros escritores ou círculos literários não são amplamente divulgados, mas a sua poesia é apreciada por um público que valoriza a expressão lírica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A informação sobre a vida pessoal de Maria Azenha é limitada em fontes públicas. Detalhes sobre as suas relações afetivas, familiares, amizades ou crenças não são divulgados, o que preserva um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Maria Azenha tem vindo a crescer, sendo apreciada pela sua qualidade lírica e profundidade temática. Embora prémios e distinções institucionais não sejam amplamente documentados, a sua poesia conquistou um lugar de apreço entre leitores e críticos que valorizam a sensibilidade e a expressividade poética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas que moldaram a obra de Maria Azenha não são explicitamente detalhadas em fontes públicas. No entanto, o seu legado reside na capacidade de tocar o leitor com a sua poesia lírica e reflexiva, influenciando gerações futuras de poetas que procuram explorar a profundidade da experiência humana através da palavra.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Maria Azenha convida a interpretações diversas, centradas na exploração de temas existenciais e emocionais. A sua poesia pode ser analisada sob a ótica da introspeção, da busca por sentido e da beleza encontrada na fragilidade da condição humana.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Devido à discrição em torno da sua vida pessoal, aspetos menos conhecidos da personalidade de Maria Azenha ou episódios marcantes da sua vida permanecem fora do escrutínio público, contribuindo para uma aura de mistério.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informação pública disponível sobre a morte de Maria Azenha, o que sugere que se encontra viva ou que a sua morte não foi amplamente noticiada.

Poemas

6

Talvez

Talvez até a Vida seja simples
Os meus lábios são por exemplo
Feitos de vento
E a minha voz é uma cortina de fumo
Para me defender do frio

Lembrei-me um dia
De cortar os dedos
Para não mais escrever poesia.
(Nunca chorei tanto
em toda a minha Vida!…)
Hoje tenho a convicção das dunas.
E sei que os meus cabelos
Escrevem 365 livros por ano
E
Procuro sozinha o Infinito.

1 100

as mães

olhou o pão na mesa e deixou cair

as mãos como sementes

para que tudo crescesse a partir

do chão

olhou o mar

e viu as lágrimas

das trevas

iluminadas pelo firmamento

depois sentiu que se fechasse os olhos

por um pequeno instante

tudo voltaria ao caos

as mães têm as mãos grandes
1 264

as palavras


as palavras são como folhas

não sabem quanto estão fora do real

por exemplo a palavra silêncio

começa por um s e quer dizer outono

é a menos mortal

 

outras

por vezes atravessam as folhas da noite

e apuram o ouvido no         mar

que se escreve com três letras

como

três degraus

sagrados

 

esta quer dizer eternidade

1 226

poema sem terra

esta é a página onde o poema não se deu

onde o alfabeto e a tinta se encontram

onde não há nenhum poeta nem acontece o som

no campo mais alto da sementeira das árvores

as vogais voam aqui sem produzirem eco

abrem o corpo através do espaço aberto

uma nuvem tão terna um espelho tão doce

as crianças celebram-no esquecendo o seu nome
997

quase tudo foi escrito

quase tudo foi escrito é certo  
grandes homens o fizeram muito antes  
e da melhor maneira  
mesmo assim surpreende-me o milagre da luz nos dedos  
na escrita contínua da areia  
precipitando mares impossíveis  
e asteróides em chama  
 
pela imprevisibilidade  
acho ser possível acrescentar ou suprimir uma vírgula  
ao lugar vazio do texto  
ou retirar talvez algum ponto de interrogação ao deserto  
onde navegamos em frágeis barcos de sombra  
 
é ainda razoável  
cantarmos a solidão juntos  
 
e todavia tudo isto  
não deve durar mais do que um instante
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Recordações

Nenhum vestígio
Nenhuma noite impura
Nenhum país de lume
Nenhuma serra ali.
A tua ausência é tão funda
Que não regressa a ti.

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Comentários (1)

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Flávia Schlee
Flávia Schlee

Maravilhosa.!!!!!