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Maria Browne

Maria Browne

1801–1861 · viveu 60 anos PT PT

n. 1801, Porto · m. 1861, Porto

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Biografia
Poetisa.Casada com Manuel de Clamouse Browne, um rico comerciante de vinhos «bem conhecido e acreditado na praça da cidade», Maria Felicidade do Couto Brown fez da sua casa um ponto de encontro das mais célebres personalidades da época, uma espécie de cenáculo artístico e literário por onde passaram Arnaldo Gama, Ricardo Guimarães, Faustino Xavier de Novais, Augusto Soromenho e o jovem Camilo, com quem manteve em dada altura um convívio sentimental que foi objecto das murmurações da puritana e fechada sociedade portuense de então. Camilo dedicou-lhe a 1ª. edição do drama O Marquês de Torres Novas (tinha ela 49 anos e ele 24) e porque se dissessem coisas, o filho mais novo da matrona, Ricardo, desafiou o romancista para um duelo de que Camilo saiu ligeiramente ferido. Foi desse ambiente que saiu a sua pretensão de poetisa, tomando por modelo e às vezes imitando poetas como Garrett, com quem ela manteve correspondência, e que lhe dedicou algumas das suas poesias. A poesia de Maria da Felicidade Browne, publicada sob os pseudónimos de A Coruja Trovadora e Soror Dolores (que serviriam para intitular, respectivamente, a 1ª. e a 2ª. edição da sua obra), é trespassada pelo espírito romântico e canta principalmente o amor, um amor desiludido e apaixonado, oposto ao dever, numa linguagem em que os lugares-comuns são por vezes redimidos por um tom de autenticidade e um fino sentido estético. O seu primeiro livro A Coruja Trovadora, nunca chegou a ser posto à venda: distribuía-o a autora aos seus íntimos, pedindo-lhes, nas dedicatórias, que o não deixassem sair de suas mãos. Seu filho Ricardo planeou fazer uma edição de luxo de toda a poesia de sua mãe, mas acabou desistindo. Augusto Soromenho, na Revista Peninsular (tomo II, 1856, p. 314) o menos que lhe chama é «a primeira poetisa portuguesa» e «um grande génio», num artigo que assina com o pseudónimo de Abd-Allah. Para Teresa Leitão de Barros, que cuidadosamente a leu, «o valor literário da esposa do comerciante inglês é quase nulo» (Escritoras de Portugal, 1924). Deve, no entanto, reconhecer-se que a fama da autora se ficou a dever mais talvez à aura que envolve a glória de Camilo do que aos seus reais dotes literários.

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