Biografia
Dramaturga cujo teatro, apesar da expressão sólida e a diversos títulos surpreendente, permanece praticamente ignorado ou esquecido. Em 1923, contando 17 anos de idade, publica sob o pseudónimo de Leonel um poema dramático de qualidade, a que deu o nome do pseudónimo e do protagonista, Leonel, o Poeta e a Ilusão. Pelo recorte poético, pelo ritmo e pela imagética e alegoria, a temática deste drama situa-se próxima do simbolismo, fazendo da sua autora um caso singularíssimo no teatro português. Passados 38 anos, a autora deu sinal do seu talento com a peça Espaço para Alguns (1961), peça quase visionária na época, retratando nela a humanidade num universo fechado, a primeira viagem de passageiros para a Lua. Sob a capa de ficção científica, este último trabalho foi precursor entre nós da problemática existencial e, nesta medida, não será exagerado chamar-lhe peça de tese. Uma outra peça, Depois do Fim, ainda inédita, continua o trabalho de reflexão algo sartreano, evoluindo de uma linguagem realista para o simbolismo reflexivo. Maria da Graça de Ataíde escreveu ainda peças radiofónicas, uma das quais, O Assalto, trata de forma irónica, através de um diálogo vivo e bem elaborado, o problema da solidão.
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