CORONAVÍRUS
É preciso evitar aglomerações
diz a TV
ao poeta
a sua musa
e ao bairro inteiro.
E o poeta evita:
anda só
evita o mundo.
Pode enfim ficar só
e escrever
a grande obra de sua vida
mas ele não consegue
precisa de gente
ao redor
precisa se inspirar
no ônibus cheio
na cidade apressada
que, se estivesse viva,
olharia com estranheza
para ele, sentado na praça
de papel e caneta na mão,
de alma repleta de experiências
de olhar necessário pra si mesmo.
É preciso evitar aglomerações.
Mas ninguém disse ser proibido
levitar sobre elas.
E o poeta levita.
Do alto encontra o verso
que faltava
O verso que nenhum médico
proscreve.
diz a TV
ao poeta
a sua musa
e ao bairro inteiro.
E o poeta evita:
anda só
evita o mundo.
Pode enfim ficar só
e escrever
a grande obra de sua vida
mas ele não consegue
precisa de gente
ao redor
precisa se inspirar
no ônibus cheio
na cidade apressada
que, se estivesse viva,
olharia com estranheza
para ele, sentado na praça
de papel e caneta na mão,
de alma repleta de experiências
de olhar necessário pra si mesmo.
É preciso evitar aglomerações.
Mas ninguém disse ser proibido
levitar sobre elas.
E o poeta levita.
Do alto encontra o verso
que faltava
O verso que nenhum médico
proscreve.
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