Senha
Abram-se todas as portas
Com palavras retas
E poemas tortos
E ouvidos bestas
Abram-se todas janelas
Que as feias
De calcinhas e meias,
Calçolas e camisolas
Querem dançar
Fechem todas as bocas
Que a poesia quer
Que a prosa cale
Façam da língua faca
Afiada no pescoço,
Da moça, do moço
Língua escrita
Vontade bonita
Calem-se todos e não digam
Senha nenhuma!
Sua senha para me ouvir
Sou eu quem fala:
--Cala a boca!
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