NUM SILÊNCIO PROFUNDO
A voz do silêncio em minha entranha, uma paz crucial em minha alma se ganha, se expandindo como paixão por todo o meu ser, num ambiente enclausurado face a face com a solidão. Não há gritos, choros, nem murmúrios, emudecido somente me resta expectação. Nesta prisão sem muros, trancado em mim mesmo em um vasto e silencioso estado de fraqueza onde minha maior grandeza é o som do silêncio e a companhia da solidão. Que me consumam os dias sem voz de esposa, sem sons de agradáveis instrumentos, ruídos de motores e algazarras de crianças. Silêncio, o meu som preferido, ouço o seu zumbido em mim, meditação sem voz, reflexão em um instante veloz faz-me ignorar todos os sons, ruídos em todos os tons. Serenidade, mansidão e temperança, a aniquilação dos sons pelos sentidos, a expansão do vazio surdo e mudo. Ter ouvidos e não querer escutar, ter boca e não querer falar, somente mergulhar em um silêncio profundo.
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