Noite crua
Fumaça.
Vela derretida.
Fome.
Brasa entre minhas pernas.
Fome que faz doer, fome de dois sons entre duas gargantas.
A lua se derrete, o tempo se derrete, meus líquidos, ácidos ávidos, evaporam dentro de mim.
Vela e lua, claridade fugaz.
Deixei o portão aberto.
Meu corpo descoberto. Sou teu alvo, traz tua flecha. Mas não aquela dos cupidos, traz a tua que destrói meu pudor e marca minha carne.
Se não vier por devoção a mim, se não vier por paixão ou desejo, venha por pena. Sinta pena de mim e venha. Você sabe que não raciocino nessa cama vazia. Da outra vez você fez o que quis comigo, mas achei pouco. Você é muito puro, ah se conseguisse imaginar o que as mulheres fantasiam mas não têm coragem. Eu tenho.
Vem.
Entrou um vento pela janela. Tem cheiro de terra molhada. Está chovendo em algum lugar. Vai chover. Cenário perfeito para essa noite. Você disse que vinha. Deixa para os poetas essa coisa de ouvir a chuva, de fazer café, de escrever. Se um deles viesse aqui para poetizar meu corpo, duvido que ouvisse a chuva.
Vou fechar a janela, o céu desapareceu no aguaceiro.
Duvido que conseguisse ouvir a chuva ou tomar café ou escrever. Duvido que pudesse me enfeitar com palavras.
Meu cheiro borbulha no vulcão que carrego, tenho uma palpitação fora do coração, bem aqui ó.
Agora faltou luz. Mas o portão está aberto.
Numa noite como esta só falta você chegar.
Taquicardia.
Vela acesa.
Fogo.
Vela derretida.
Fome.
Brasa entre minhas pernas.
Fome que faz doer, fome de dois sons entre duas gargantas.
A lua se derrete, o tempo se derrete, meus líquidos, ácidos ávidos, evaporam dentro de mim.
Vela e lua, claridade fugaz.
Deixei o portão aberto.
Meu corpo descoberto. Sou teu alvo, traz tua flecha. Mas não aquela dos cupidos, traz a tua que destrói meu pudor e marca minha carne.
Se não vier por devoção a mim, se não vier por paixão ou desejo, venha por pena. Sinta pena de mim e venha. Você sabe que não raciocino nessa cama vazia. Da outra vez você fez o que quis comigo, mas achei pouco. Você é muito puro, ah se conseguisse imaginar o que as mulheres fantasiam mas não têm coragem. Eu tenho.
Vem.
Entrou um vento pela janela. Tem cheiro de terra molhada. Está chovendo em algum lugar. Vai chover. Cenário perfeito para essa noite. Você disse que vinha. Deixa para os poetas essa coisa de ouvir a chuva, de fazer café, de escrever. Se um deles viesse aqui para poetizar meu corpo, duvido que ouvisse a chuva.
Vou fechar a janela, o céu desapareceu no aguaceiro.
Duvido que conseguisse ouvir a chuva ou tomar café ou escrever. Duvido que pudesse me enfeitar com palavras.
Meu cheiro borbulha no vulcão que carrego, tenho uma palpitação fora do coração, bem aqui ó.
Agora faltou luz. Mas o portão está aberto.
Numa noite como esta só falta você chegar.
Taquicardia.
Vela acesa.
Fogo.
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