Fragmento existencial
Há tempos sinto meu desprezo pelo o exagero,
o inconexo está em desintegração em meu olhar,
o rio está passando embaixo dos pés de quem o despreza,
o êxtase se encontra escondido numa face estendida,
o abrasamento desse nada atravessa o rio performado por lacunas,
Chico e Antônia comem e salivam as frutas do mês de estiagem,
Chico morde a manga,
Antônia a cospe,
os dois abominam e sentem sede pela a fruta seca,
a vontade de depreciar-se com o nada é tanta,
que sua existência é essencialmente a insignificância,
o vazio compõe as palavras que escorrem nos ralos,
o esgoto compreende o chorume, os ratos, as pestes e os poetas,
a martirização ao provar o nada,
o sacrifício sob o que assola a alma,
resguardando a concórdia,
engolindo o delírio das palavras,
que é privilégio do poeta.
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2020-03-28
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