A inconstância do clima
Não há muito, quando eu era pequeno,
o tempo condizia co'a estação:
no Inverno frio, na Primavera ameno,
bem quente e deleitoso no Verão.
Mas não era eu ainda adulto pleno
e vi o tempo mudar de condição:
se antes constante, assíduo e com tino,
rumou a oposto, triste e mau destino.
Chega agora atrasado ao mês devido;
traz frio a Julho e chuva mais que um pouco.
Do seu digno dever tão esquecido,
não mata a sede a Março e a Abril tampouco.
Vendo-o tão negligente e distraído,
quem pode não julgá-lo como louco?
Julgo-o eu, certamente, que me lembro
de o ver de calções já em Dezembro.
Numa hora tão sereno, logo muda
num vendaval feroz inesperado.
A moça, que na praia está desnuda,
vê o momento de gozo terminado.
Sem brisa alguma, às vezes, que me acuda,
queima a garganta o ar abraseado.
E sem que sinal prévio aparente
ora a chorar começa de repente.
De ti dizem, ó clima: "estar doente
é a causa por que tanto desvaria!"
Mas o humor inconstante em ti presente,
que juvenil parece rebeldia;
a febre tropical, húmida e quente,
de quem, ao mesmo tempo, chore e ria;
esse desprendimento negligente,
se humano fosses eu até diria
serem sintomas bem reveladores
que de todo perdido estás de amores.
o tempo condizia co'a estação:
no Inverno frio, na Primavera ameno,
bem quente e deleitoso no Verão.
Mas não era eu ainda adulto pleno
e vi o tempo mudar de condição:
se antes constante, assíduo e com tino,
rumou a oposto, triste e mau destino.
Chega agora atrasado ao mês devido;
traz frio a Julho e chuva mais que um pouco.
Do seu digno dever tão esquecido,
não mata a sede a Março e a Abril tampouco.
Vendo-o tão negligente e distraído,
quem pode não julgá-lo como louco?
Julgo-o eu, certamente, que me lembro
de o ver de calções já em Dezembro.
Numa hora tão sereno, logo muda
num vendaval feroz inesperado.
A moça, que na praia está desnuda,
vê o momento de gozo terminado.
Sem brisa alguma, às vezes, que me acuda,
queima a garganta o ar abraseado.
E sem que sinal prévio aparente
ora a chorar começa de repente.
De ti dizem, ó clima: "estar doente
é a causa por que tanto desvaria!"
Mas o humor inconstante em ti presente,
que juvenil parece rebeldia;
a febre tropical, húmida e quente,
de quem, ao mesmo tempo, chore e ria;
esse desprendimento negligente,
se humano fosses eu até diria
serem sintomas bem reveladores
que de todo perdido estás de amores.
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