Eu sou, ou não sou
Eu era como um código que habitualmente não podia-se decifrar,
Eu era o que ninguém conseguia entender,
Eu era as pazes entre a minhoca e o pássaro ,
Eu era um trovão num lugar de paz.
Sou um sonho que não pôde ser concretizado,
Sou como uma alma enviada à terra para descrever o amor,
Logo eu que já falei tanto da boca para fora,
Logo eu que pouco caso já fiz com quem me amou.
Tenho sede de laços corporais,
do toque da folha verde ao chão quando o vento bate
Tenho fome de rastros que nunca ouvi, de pele macia respingada,
Tenho urgência dos lábios tocando-se.
Pouco me fiz nos rastros,
Pouco procurei-me nos cantos,
Pouco pinto meu eu, porque não há cores
capazes de me tingir tão bem como eu mesma.
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