Canção Azul
Quando a vi última vez,
Foi em silêncio
Mútuo e absoluto,
À imensa distância de um palmo,
Em uma fila de adeus
Inadvertido.
A gravura infinitamente
Nítida e emudecida
Dos cabelos louros,
Escorridos sobre as costas,
Reacendeu
No meu coração,
A melancolia daquela velha canção...
E permiti-me, quieto,
Saudar, novamente, a bela procissão de ilusões
Excessivamente azuis...
– Azuis como a capa de chuva de ombro rasgado,
A qual dependurei
Em um lar hipotético.
(Pensei, também,
Em um jardim, ao fundo do lar...
Onde todas as flores
Tinham fragrâncias
De cabelos louros
E saudades).
E quando ela foi deixando a fila
Muito devagar
Sem sequer olhar para trás,
E o palmo de distância
Tornou-se dois, três, quatro,
– Uma dízima de palmos –
Aquele lar ruiu
Absolutamente
E foram-se os últimos acordes.
Sorri conformado.
E fui embora.
Alberguei, no entanto,
A rasgada capa de chuva no peito,
Ao lado do que restou do jardim.
...Sempre amarei esta canção
Excessivamente azul.
Foi em silêncio
Mútuo e absoluto,
À imensa distância de um palmo,
Em uma fila de adeus
Inadvertido.
A gravura infinitamente
Nítida e emudecida
Dos cabelos louros,
Escorridos sobre as costas,
Reacendeu
No meu coração,
A melancolia daquela velha canção...
E permiti-me, quieto,
Saudar, novamente, a bela procissão de ilusões
Excessivamente azuis...
– Azuis como a capa de chuva de ombro rasgado,
A qual dependurei
Em um lar hipotético.
(Pensei, também,
Em um jardim, ao fundo do lar...
Onde todas as flores
Tinham fragrâncias
De cabelos louros
E saudades).
E quando ela foi deixando a fila
Muito devagar
Sem sequer olhar para trás,
E o palmo de distância
Tornou-se dois, três, quatro,
– Uma dízima de palmos –
Aquele lar ruiu
Absolutamente
E foram-se os últimos acordes.
Sorri conformado.
E fui embora.
Alberguei, no entanto,
A rasgada capa de chuva no peito,
Ao lado do que restou do jardim.
...Sempre amarei esta canção
Excessivamente azul.
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